Por que tantos tenistas não querem ser vacinados contra a Covid – 01/09/2021 – Esporte

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Quando a United States Tennis Association (USTA) anunciou na sexta-feira que comprovantes de vacinação seriam exigidos de todos os espectadores com idade superior a 12 anos que compareçam ao Billie Jean King National Tennis Center, isso alargou ainda mais a distância entre o público e os tenistas a quem ele assistirá no Aberto dos Estados Unidos.

Os adultos que estiverem nas arquibancadas terão probabilidade de vacinação cerca de duas vezes superior à dos tenistas: a WTA Tour, a tour do tênis feminino, disse que “quase 50%” de suas jogadoras estavam vacinadas, enquanto a ATP Tour, masculina, disse que seus índices de vacinação eram “pouco superiores a 50%”.

A despeito das possíveis consequências de não se vacinar – adoecer, claro, mas também a incapacidade de jogar e de faturar -, os tenistas vêm relutando teimosamente em se vacinar, ainda que muitos tenham perdido a oportunidade de jogar torneios importantes por conta de exames positivos. Embora alguns jogadores sejam abertamente céticos quanto à necessidade de vacinas para pessoas jovens e saudáveis, outros simplesmente não colocaram a vacinação em sua lista de prioridades.

O veterano tenista francês Giles Simon, desqualificado do Aberto dos Estados Unidos na sexta-feira por “razões médicas”, confirmou em entrevista ao jornal L’Équipe que tinha sido excluído por não ter se vacinado. O treinador de Simon, Etienne Laforgue, foi apanhado em um exame de coronavírus depois de chegar a Nova York, e Simon foi desqualificado por ter mantido “contato estreito” com uma pessoa contaminada.

“Eu não era contra a ideia a ponto de sentir que jamais me vacinaria. Estou dizendo apenas que não senti que era necessário ou urgente”, afirmou Simon ao jornal francês.

Simon teria continuado elegível para o torneio, mas sujeito a protocolos mais rigorosos de exame, se tivesse recebido a vacina.

“Não tenho muito medo da Covid, na verdade”, disse Simon. “Minha filosofia básica é a de que, se você tem medo da doença, se vacina; se não tem, não. Continua a ser uma questão de escolha”.

Simon agora precisa passar 10 dias isolado em seu quarto de hotel, de acordo com as regras federais dos Estados Unidos e as regras municipais de Nova York. Simon, 36, o 103º colocado no ranking da ATP, lamentou que seu quarto de hotel, no qual ele ficará durante o que admitiu seria seu último Aberto dos Estados Unidos, não tenha uma vista bonita.

“Quando sua última lembrança do Aberto dos Estados Unidos será 10 dias trancado no quarto, não é algo que você deseje guardar”, ele afirmou.

A tenista mais destacada a ficar de fora do Aberto dos Estados Unidos este ano por ter sido apanhada em um exame de Covid é Sofia Kenin, que a despeito de resultados decepcionantes em 2021 continua a ser a americana mais bem classificada nos rankings das duas tours, de acordo com os cálculos ponderados para levar em conta a pandemia. Kenin disse que seu teste apresentou resultado positivo mesmo que ela tenha tomado a vacina.

“Felizmente fui vacinada, e assim meus sintomas foram bastante amenos”, ela disse.

Muitos tenistas conseguiram tirar vantagem de programas locais de vacinação em suas viagens para torneios. Ashleigh Barty, a líder do ranking feminino, que é australiana e cujo país está atrasado em seu programa de vacinação, se vacinou em abril em um torneio em Charleston, na Carolina do Sul. Antes de fazê-lo, Barty fez questão de garantir que não estivesse furando a fila.

“Para mim era importante ter certeza de que as pessoas mais vulneráveis pudessem receber a vacina primeiro”, ela disse em abril.

A afirmação de Simon de que a vacinação deveria ser questão de escolha conta com o apoio dos dirigentes das duas tours, ainda que eles recomendem que os tenistas se vacinem.

Outros esportes tiveram mais sucesso em convencer seus atletas a receber a vacina. A WNBA (basquete feminino) anunciou em junho que 99% de suas jogadoras estavam vacinadas. A Associação de Jogadores da MLS (futebol) anunciou que o índice de vacinação de seus atletas tinha chegado a “quase 95%”. Esta semana, a NFL anunciou que quase 93% de seus atletas estavam vacinados. Michele Roberts, diretora da Associação de Jogadores da NBA, disse em julho que 90% dos jogadores da NBA estavam vacinados. Este mês, a NHL [hóquei] anunciou que 85% de seus atletas estavam vacinados, e o sindicato dos jogadores do esporte alertou que os não vacinados poderiam perder remuneração caso fossem apanhados em exames como portadores do coronavírus.

No tênis, cada atleta é um operador independente, não existe sindicato para encorajar comportamento unificado, e tampouco executivos ou proprietários de clubes que encorajarem a vacinação para benefício competitivo de uma equipe. Outros esportes individuais estão adiante do tênis, porém. A PGA Tour (golfe) anunciou algumas semanas atrás que o índice de vacinação em ter seus atletas era de “mais de 70%”.

“Embora respeitemos o direito de escolha de todos, também acreditamos que cada jogador tem um papel a desempenhar para ajudar o grupo mais amplo a obter um nível de imunidade seguro”, afirmou a ATP em comunicado. “Fazê-lo permitirá que relaxemos as restrições adotadas nos locais de competição, o que beneficiará todos os participantes da tour”.

A WTA declarou que “acredita fortemente e encoraja a todos que se vacinem”, e estabeleceu uma meta de 85% de vacinação para suas integrantes até o final do ano. Mas no momento, a organização “não requer que as jogadoras se vacinem porque essa é uma decisão pessoal, e uma decisão que respeitamos”.

Stefanos Tsitsipas, terceiro colocado no ranking masculino do tênis, causou indignação em sua Grécia natal este mês depois de declarar que só se vacinaria se isso fosse obrigatório para continuar competindo.

“Não vejo qualquer motivo para que uma pessoa da minha idade o faça”, disse Tsitsipas, 23. “As vacinas não foram suficientemente testadas e têm efeitos colaterais. Enquanto não forem obrigatórias, cada um pode decidir como quiser”.

Giannis Oikonomou, porta-voz do governo da Grécia, disse que Tsitsipas não tem “o conhecimento ou os estudos e a pesquisa que permitiriam que ele forme uma opinião” sobre a necessidade de vacinação, e acrescentou que pessoas como os atletas, amplamente admiradas, deveriam “ser duplamente cuidadosas antes de expressar esse tipo de opinião”.

Novak Djokovic, o líder do ranking mundial, atraiu escrutínio por sua abordagem quanto a questões de saúde ao longo de toda a pandemia, e se recusou a revelar sua situação de vacinação. Djokovic disse que isso era uma “decisão pessoal”, quando perguntado sobre protocolos de vacinação, na sexta-feira. “Que uma pessoa queira ou não se vacinar é assunto inteiramente dela”, disse o tenista. “E espero que continue assim”.

Andy Murray, que integra o Conselho de Jogadores da ATP, disse que “haverá conversações muito longas e difíceis com a direção da tour e com todos os atletas envolvidos, para tentar chegar a uma solução” quanto ao grande número de tenistas que continuam a resistir à vacinação. Ele disse que apreciava os privilégios que a regulamentação da cidade de Nova York lhe conferia como pessoa vacinada, por exemplo o direito a fazer refeições na área interna de restaurantes.

“É como se eu estivesse desfrutando de uma vida razoavelmente normal, enquanto para os jogadores não vacinados a situação é diferente”, disse Murray. “Tenho certeza de que eles devem estar frustrados com isso”.

Murray disse acreditar que os jogadores têm obrigações para com as demais pessoas.

“Em última análise, acredito, o motivo para que todos nós nos vacinemos é por responsabilidade para com a audiência mais ampla”, ele disse. “Temos, sim, uma responsabilidade de cuidar de todo mundo mais, como jogadores que viajam pelo mundo. Fico feliz por estar vacinado. Espero que mais jogadores façam a mesma escolha nos próximos meses”.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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