Maior streamer do país, Gaules mira novas transmissões esportivas em 2022 – 09/01/2022 – Esporte

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Ao longo de 2021, sua tribo somou mais de 166 milhões de horas acompanhadas em lives na Twitch. Números que fazem de Gaules o streamer mais visto do Brasil na plataforma e o segundo mais visto no mundo —apenas o can​​adense Félix Lengyel, dono do canal xQcOW, teve mais audiência (272 milhões).

Tribo é como se chama a comunidade que acompanha Alexandre Borba Chiqueta, 38, mais conhecido pelo apelido de Gaules, que ele carrega desde a infância.

Quando o paulista inicia uma transmissão, em poucos minutos o grupo de seguidores logo dá as caras —em média, 19 mil pessoas assistem às lives do streamer, e o canal já teve picos de 335 mil espectadores simultâneos.

Os números, levantados pelo site especializado Sullygnome, estão em uma curva de crescimento desde 2018, quando surgiu o fenômeno da Twitch no Brasil. E foram determinantes para abrir outras portas ao profissional, como as parcerias para conseguir os direitos e transmitir em seu canal campeonatos tradicionais como a NBA e a F1.

Para ele, o sucesso está no formato das transmissões. “Quando eu comecei a ser mais uma companhia para quem estava acompanhando os esportes eletrônicos do que ser um narrador, comecei a perceber que a relação era mais humana”, diz à Folha.

Tem dado tão certo que o objetivo dele é ampliar seu portfólio em 2022. Além de manter a NBA e negociar para ter uma temporada regular da F1, ele sonha em transmitir campeonatos de futebol. Enquanto isso, está prestes a lançar um podcast em parceria com Ronaldo Fenômeno, no qual, segundo Gaules, o público vai conhecer as histórias de outros “fenômenos”.


Como surgiu a ideia do podcast com o Ronaldo? A gente se conheceu em agosto, no escritório dele, e ali a gente foi para um brainstorming sobre o que a gente poderia fazer juntos. A gente sentia falta de um bate-papo entre pessoas que têm uma trajetória fenomenal. Existem muitos formatos hoje de podcasts que são diários, tem muitos convidados, muitas histórias e, às vezes, você acaba não conseguindo acompanhar tudo. A gente pensou em trazer um formato com menos histórias, mas histórias de pessoas que acabaram conquistando um lugar em que muita gente tem a curiosidade de saber como é. O próprio Ronaldo é um exemplo. Como ele se tornou um fenômeno?

Um dos primeiros convidados será o Neymar. Por que você acredita que os podcasts conseguem ter um acesso maior a personalidades que, às vezes, evitam veículos tradicionais? Um jornalista vai atrás da notícia, da matéria, de informação e, muitas vezes, pergunta coisas que ele sabe que, se não pergunta, acaba não sendo visto como um bom jornalista. E o jornalista precisa perguntar coisas que não são as coisas mais gostosas de perguntar. O formato do podcast trouxe uma aproximação e tirou um pouco do receio do convidado. É mais um bate-papo, como foi com o Neymar. A gente quer saber coisas que amigos perguntam para outros amigos. É um bate-papo informal. Eu não quero saber alguma coisa polêmica, eu não quero saber, por exemplo, se a lesão está melhorando. Saber se ele vai estar fora da Copa. Você não está querendo tirar nenhuma informação que pode, às vezes, prejudicá-lo ou colocá-lo numa situação injusta. Você até acaba perguntando coisas relevantes e até polêmicas, mas eu acho que o jeito como você pergunta muda. Eu acho que os jogadores, principalmente de futebol, sentem muito que, às vezes, a imprensa deixa de lado o aspecto humano dele.

Como você lida com a responsabilidade de fomentar o debate sobre temas difíceis, como a depressão, que são constantes em suas lives? Existe essa responsabilidade que é individual no sentido de que, quando chega uma história, tenho uma empatia pela pessoa. Não vou ignorar essa história, mas também não sou responsável por ela. Eu sou igual a todo o mundo da Tribo, mas exerço um papel de representatividade. Eu comecei a fazer live na madrugada, e na madrugada você tem muitas pessoas que precisam de ajuda, de atenção, ajuda médica, ajuda psicológica. Um bom caminho é sempre orientar a pessoa a procurar ajuda profissional. A única pessoa que vai salvar a vida é o médico, o psiquiatra, o psicólogo com a terapia.

A mídia busca cada vez mais interação com o público, e, nas suas transmissões, essa é uma marca bastante presente. Como você desenvolveu o formato de transmissões? Quando comecei a fazer stream e assistir aos campeonatos de esportes eletrônicos, principalmente Counter Strike, sentia uma falta da utilização do que é moderno. Pegaram pessoas que já tinham experiência gigantesca no mercado de televisão e trouxeram para o mercado das streams. Só que uma TV ou uma rádio não têm ferramentas modernas que existem hoje em uma Twitch. Sentia falta da interação. Quando comecei a ser mais uma companhia para quem estava querendo acompanhar os esportes eletrônicos do que ser um narrador, comecei a perceber que a relação era mais humana.

É essa relação que gera maior engajamento com o público? No formato tradicional, a pessoa está ali para assistir ao que está acontecendo. Se é uma partida de futebol, ela vai querer se conectar para ver o jogo da seleção brasileira ou para ver o jogo do seu time. E, se não for isso, não vai ter tanta coisa que segure ela. Eu pensei que o que está acontecendo acaba sendo plano de fundo. Tem momentos que esse plano tem uma importância grande. Mas, na maioria do tempo, num campeonato longo, numa temporada regular de NBA, por exemplo, com mais de 80 jogos, eu não tenho tanta certeza de quanto esse conteúdo consegue prender e engajar as pessoas. Agora, a gente trazendo o conteúdo que é espetacular do basquete e tendo um bom bate-papo, isso eu acredito muito que prenda as pessoas. Então, é saber utilizar o conteúdo que você está trazendo a seu favor e não ser só dependente desse conteúdo.

Como foi a busca pelos direitos da NBA? A busca da NBA é o resultado de uma decisão tomada a partir do ano passado, quando eu decidi criar uma estrutura. Eu transformei a Gaules numa empresa, que hoje faz parte do grupo Omelete, e dentro do grupo tem, por exemplo, a CCXP, tem várias outras coisas, então é um conglomerado de empresas e de estruturas, que tem as melhores pessoas para buscar esses sonhos que antes eram impossíveis. Se antes, sozinho, era muito difícil conseguir às vezes uma transmissão de Counter Strike, dentro dessa estrutura, trabalhando próximo com o Pierre Mantovani [CEO do Omelete], ele virou e perguntou o que eu achava de transmitir a NBA. Eu disse “claro!”, e ele, com os contatos dele, fez toda a parte burocrática, a gente conseguiu abrir essa porta. Uma NBA nunca permitiria que um streamer sozinho, na casa dele, fizesse a transmissão da NBA. Quem acha que é isso está desatualizado.

Que outros campeonatos você está trabalhando para trazer? O sonho é transmitir uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, uma Olimpíada de Inverno, X-Games. Tem muito conteúdo legal. O futebol também, mas no Brasil o futebol é tratado como uma coisa muito séria. Às vezes, é mais fácil a gente conseguir uma NBA do que conseguir um campeonato estadual. Mas eu acredito que, com o passar do tempo, as pessoas vão começar a entender que a gente veio para somar, a gente não veio para tirar público da mídia tradicional. O caso da NBA é muito importante. Eles têm métricas que mostram que a gente não canibalizou nenhuma outra transmissão. Na verdade, o número de todo o mundo cresceu. Então, todos os lugares que desejarem ter esse tipo de conexão, a gente está aberto a transmitir. Eu gostaria de transmitir futebol.



Com o passar do tempo, as pessoas vão começar a entender que a gente veio para somar, a gente não veio para tirar público da mídia tradicional.

​​A visão dos empresários de fora, sobretudo dos EUA, é diferente da visão dos brasileiros sobre transmitir campeonatos em lives? No caso da NBA, o que facilitou foi a liga olhar e falar: “Nosso mercado é nos EUA, é na América do Norte. Se a gente fizer esse teste no Brasil e der muito certo, maravilha. Se der errado, não vai ser algo que vai prejudicar a marca”. O nosso principal esporte é o futebol, sempre que você lida com o principal esporte, você encontra barreiras. Mas internamente eu sinto uma dificuldade maior. Eu acho que pode acontecer de eu transmitir primeiro uma liga de fora na plataforma. É tudo muito novo, então o case da NBA pode mudar muita coisa.

Você vai manter NBA e F1 para 2022? A NBA, sim. A F1 está em negociação. A F1 é um contrato um pouco diferente. A NBA a gente vai fazer a temporada regular inteira, são mais de 80 jogos e os playoffs.

A F1 seria a temporada regular também? Em 2021 você transmitiu a corrida sprint de São Paulo. A gente busca sempre o mais completo possível. A primeira temporada da NBA a gente transmitiu os playoffs e, com o que a gente entregou nos playoffs, conseguimos estender para fazer um trabalho completo. Com a F1, a gente espera a mesma coisa. Com a transmissão da sprint de São Paulo, a gente espera poder expandir isso para a temporada completa. Mas está em negociação ainda.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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