Escassez de peças e de empregos torna urgente a retomada industrial – 11/06/2021 – Eduardo Sodré


Após anos de encolhimento da indústria nacional, a retomada volta à pauta a reboque dos acontecimentos.

A falta de semicondutores –componentes eletrônicos que estão em qualquer carro, smartphone ou eletrodoméstico moderno– paralisa fábricas e faz o Brasil repensar os caminhos escolhidos nas últimas décadas.

Diante da demanda global, localizar a produção desses itens abre oportunidades para atender também a mercados externos. Trata-se de assunto urgente para um país que precisa gerar empregos.

Linhas de produção e setores administrativos na indústria de transformação demandam mão de obra altamente qualificada em diferentes níveis. São vagas que fazem falta: não é possível se fiar apenas nas commodities e no setor de serviços para recolocar 14 milhões de trabalhadores que estão fora do mercado.

O processo de desindustrialização começou a ser percebido na década de 1980, época de planos econômicos e algumas fantasias. Era um país que se orgulhava da etiqueta “Produzido na Zona Franca de Manaus” mesmo que o equipamento em questão viesse desmontado da Ásia.

A abertura dos anos 1990 trouxe um choque de realidade que também continha contêineres de ilusão, principalmente no setor automotivo.

A cada navio repleto de Mercedes, Alfas e BMWs que chegavam aos portos, nossos carros pareciam definhar diante da diferença tecnológica.

Esquecemos, no entanto, que países de Terceiro Mundo não tinham nada muito melhor em sua indústria automotiva –isso quando tinham uma indústria automotiva.

O setor teve seu momento de expansão com a abertura de novas fábricas na virada do século. Mas o foco no mercado interno e o desajuste tributário crônico mostraram-se, como sempre, traiçoeiros.

O Brasil não se tornava competitivo e, enquanto dependiam de incentivos fiscais, empresas importavam peças que poderiam ser feitas aqui.

Quando se fala em indústria automotiva não se deve pensar apenas nas grandes montadoras ou nas multinacionais que fabricam componentes. O parque de fornecedores é composto também por grupos familiares que se endividam para atender contratos.

Foi o que ocorreu nos anos de bonança, compreendidos entre 2003 e 2013. Os pedidos se multiplicaram e foi necessário investir na modernização de equipamentos, mas a crise veio antes de os boletos serem quitados.

Muitos negócios foram encerrados, e as demissões que vieram na sequência passaram longe dos olhos de burocratas que desconhecem a história e o potencial da indústria brasileira.


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