10 coisas que você precisa saber sobre o Telegram – 11/02/2022 – #Hashtag

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Ao passo em que está no meio de um imbróglio judicial e corre risco de ser banido no Brasil, o Telegram é também o aplicativo que mais ganhou usuários no último ano no mundo, segundo levantamento de empresas do ramo. Embora o cerco à ferramenta tenha começado a se fechar em 2021, o mensageiro já chamava atenção há bastante tempo.

Principal concorrente do WhatsApp, o Telegram atraiu usuários ao longo de quase nove anos de existência com seu armazenamento ilimitado em nuvem, bots que fazem de tudo e a promessa de dar mais privacidade aos usuários.

O aplicativo queridinho dos bolsonaristas virou alvo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e está na mira de ao menos duas apurações em outros órgãos. Com pouca moderação do conteúdo em circulação, a rede não tem representantes no Brasil e não responde às tentativas de contato feitas por autoridades brasileiras.

Confira abaixo dez coisas que você precisa saber sobre o Telegram, o aplicativo que tem causado dor de cabeça ao judiciário.

1. Criado pelo ‘Zuckerberg da Rússia’ e vetado no país de origem

Lançado em 2013, o Telegram foi fundado pelos irmãos russos Nikolai e Pavel Durov. Esse último já era conhecido como “Mark Zuckerberg da Rússia”, por ter criado o VKontakte, a maior rede social do seu país.

Pavel financiou o novo aplicativo, enquanto Nikolai trabalhou no desenvolvimento do protocolo em que o mensageiro é baseado. A ferramenta chegou primeiro ao sistema iOS, em agosto de 2013.

A equipe por trás da rede teve que deixar a Rússia, segundo o site oficial do Telegram, “devido às regulamentações locais de TI [tecnologia da informação]”. O app foi vetado no país de origem após travar uma batalha contra o governo russo, que pedia a liberação de dados dos usuários.

À época, o FSB, serviço secreto russo, apontava a criptografia do Telegram como um entrave ao monitoramento de terroristas no país. Um exemplo disso foi a coordenação do ataque ao metrô de São Petersburgo, em 2017, feita a partir do app.

Longe das restrições do Kremlin, a empresa tentou estabelecer sede em Berlim, Londres e Singapura, até se fixar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “No momento, estamos felizes em Dubai, mas estamos prontos para nos mudar novamente se as regulamentações locais mudarem”, diz o Telegram em seu site.

2. Mensagens sincronizadas

O Telegram é um mensageiro que sincroniza as conversas em todos os dispositivos em que o usuário está logado. Ele permite enviar mensagens, fotos, vídeos e arquivos de qualquer extensão (.jpg, .png, etc), além de possibilitar criar grupos de até 200.000 pessoas ou canais sem limites de membros para transmitir informações.

Os contatos podem ser encontrados no aplicativo por meio da lista já salva no dispositivo ou pela pesquisa por nome de usuário. Seguindo os moldes dos principais mensageiros, a ferramenta também utiliza traços para sinalizar mensagens lidas e pode exibir o “visto por último” dos utilizadores.

3. Crescimento de usuários

Conforme mostrou a Folha, em 2018, apenas 15% dos celulares no Brasil tinham o Telegram instalado, número que cresceu para 45% em 2021. O mensageiro é o aplicativo que mais ganhou usuários no ano passado no mundo, segundo o levantamento do Top Breakout Chart, da App Annie.

4. Telegram X WhatsApp

Tentar diferenciar o Telegram do WhatsApp, seu principal concorrente, pode render uma lista à parte. A Folha já fez esse exercício, cujo resultado pode ser conferido ao clicar neste link. Em resumo, as principais diferenças se dão no armazenamento de arquivos e nas políticas de privacidade.

Enquanto o WhatsApp só exibe arquivos salvos no dispositivo em que está instalado, o Telegram armazena o conteúdo em nuvem com sincronização contínua. Por isso, o aplicativo russo permite que usuários compartilhem itens de até 2 gigabytes, enquanto o mensageiro de Zuckerberg limita-se a 16 megabytes via celular e 64 megabytes via desktop.

Quanto à política de privacidade, o Telegram não coleta dados pessoais dos usuários e não exibe anúncios, ao contrário do WhatsApp.

5. Bots para todos os gostos

A ferramenta dos irmãos Durov também permite que desenvolvedores criem pequenos programas capazes de realizar as mais diversas funções por meio do mensageiro. São os chamados bots, palavra que deriva de “robot” —”robô”, em Inglês.

Por meio desses programinhas, usuários podem cadastrar lembretes, baixar vídeos postados no Instagram Stories, traduzir frases para qualquer idioma, converter arquivos, encurtar uma URL e até mesmo transcrever aquela mensagem de áudio gigante que você não está com a menor paciência de ouvir.

Por enquanto, não há uma loja de bots nativa no Telegram, mas há boas dicas espalhadas pela internet. Para encontrá-los, basta pesquisar pelo nome na caixa de buscas do aplicativo.

6. Chats secretos e mensagens autodestrutivas

Outro recurso atraente do Telegram são os chats secretos. Ao contrário das demais conversas, eles não são armazenados na nuvem e só podem ser acessados a partir do dispositivo de origem.

Essa função não permite encaminhar mensagens. Quando itens de um chat são apagados de um lado da conversa, o aplicativo do outro lado também será solicitado a excluí-los.

Além disso, mensagens e arquivos trocados em um chat secreto podem ser programados para autodestruição em um determinado período depois de terem sido abertos pelo destinatário.

7. Competição para decifrar criptografia

Ganha US$ 300 mil —cerca de R$ 1,57 milhão na cotação atual– quem comprovar que é possível decifrar a criptografia do Telegram e ter acesso a mensagens de terceiros. Trata-se de uma competição realizada pela equipe responsável pelo aplicativo desde 2014.

Outro concurso oferece recompensas que variam de US$ 100 (R$ 525) a US$ 100 mil (R$ 525 mil) ou mais para quem fizer comentários sobre a segurança do Telegram que resultarem em uma mudança de código ou de configuração. Nesse caso, o valor do prêmio depende da gravidade do problema.

Os alertas podem ser feitos por qualquer pessoa em email enviado para [email protected]. O denunciante, no entanto, perde o direito ao prêmio se as falhas forem divulgadas ao público antes do Telegram corrigi-las.

8. Mas e a Vaza Jato?

A criptografia de ponta a ponta não é a definição padrão do Telegram. Isso significa que as conversas podem ser lidas e facilmente recuperadas pelo aplicativo, a menos que o usuário configure a ferramenta para se proteger.

Foi a ausência dessa configuração que tornou possível o caso da Vaza Jato, série de reportagens produzidas com base em mensagens trocadas no app por autoridades da Operação Lava Jato. As conversas foram obtidas pelo The Intercept Brasil em 2019, após pessoas ligadas à investigação serem hackeadas.

9. Imbróglio judicial e representantes inacessíveis

Com a popularização do Telegram, o judiciário se deparou com um entrave: a rede não tem representantes jurídicos no Brasil e simplesmente ignorou as tentativas de contato feitas por autoridades brasileiras ao longo dos últimos anos.

Essa dificuldade faz com que o TSE não descarte a possibilidade de determinar o bloqueio do Telegram no país. As preocupações da corte se devem à pouca moderação e à estrutura propícia à viralização que o aplicativo oferece, combo perfeito para a disseminação de desinformação em massa.

O presidente do tribunal, ministro Luís Roberto Barroso, disse em janeiro, por meio de nota, que “entende que nenhum ator relevante no processo eleitoral de 2022 pode operar no Brasil sem representação jurídica adequada, responsável pelo cumprimento da legislação nacional e das decisões judiciais.”

Segundo a mesma nota, o TSE “já celebrou parcerias com quase todas as principais plataformas tecnológicas e não é desejável que haja exceções”. Por enquanto, os emails de Barroso para Durov seguem sem resposta.

Além de ser alvo do TSE, o Telegram está na mira de ao menos duas apurações, uma na Polícia Federal e outra no MPF (Ministério Público Federal).

10. App queridinho dos bolsonaristas

Devido à pouca regulação do conteúdo que circula no aplicativo, o Telegram se tornou uma das ferramentas de comunicação queridinhas do presidente Jair Bolsonaro (PL). Lançado no início de 2021, o canal dele na rede ultrapassou 1 milhão de inscritos em outubro do mesmo ano.

Candidato à reeleição, Bolsonaro lidera com vantagem o uso do aplicativo como ferramenta de comunicação com apoiadores. Enquanto isso, o líder nas pesquisas de intenções de voto para as eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), só criou um canal na rede em junho de 2021, que possui pouco mais de 47 mil inscritos.

Em janeiro deste ano, Bolsonaro chamou de covardia o cerco ao Telegram. “É uma covardia o que estão querendo fazer com o Brasil”. Apesar de não citar diretamente as ações do TSE contra o aplicativo, o presidente disse a apoiadores que está “tratando” disso.​

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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