Voltar a viajar a trabalho é revigorante e assustador – 24/09/2021 – Mercado

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Não tem tanto tempo assim, mas já parece uma outra vida. Uma viagem de trabalho consistia em um determinado número de roupas adaptáveis às ocasiões e caprichos da temperatura, um documento de identidade ou um passaporte, e uma programação de encontros, cafés, reuniões ou eventos, parte deles marcados por apertos de mão, abraços, táxis compartilhados e jantares.

Quase dois anos depois da interrupção de praticamente todo evento social do mundo corporativo, me vi nesta semana embarcando para uma longa viagem que resultaria em uma sequência de encontros sem apertos de mão ou abraços e cercados por frases enunciadas um tom acima do habitual. As máscaras protegem, mas também abafam o som das palavras e nos tiram o poder da leitura labial.

Somado ao que me parece terem sido os efeitos do jet lag –certa indisposição causada pela mudança brusca de fuso horário–, meus dias de compromissos de trabalho foram um tanto confusos e cansativos.

E certamente só não foram mais exaustivos pela inegável satisfação de acompanhar uma série de discussões de maneira presencial. Encontrar fontes, colegas de profissão, pessoas.

Repetir uma frase que se perdeu na barreira da máscara jamais será tão cansativo quanto refazer raciocínios interrompidos por conexões de internet instáveis.

Ao mesmo tempo, me apresentei pela segunda vez a um colega que, sem máscara, fumava um cigarro em uma área externa. Sem a proteção, não o reconheci.

Uma repórter portuguesa com quem conversava se afastou para buscar uma bebida e, ao voltar, já tomando a água, custei a perceber que era minha interlocutora. Por pouco não cometi a indelicadeza de me retirar.

Se a vacinação, por um lado, nos permite paulatinamente retomar esses deslocamentos e encontros, a pandemia, de outro, tornou a preparação muito mais complicada e mesmo cansativa.

Para mim, o desgaste começou com a decisão de aceitar o convite. Não tem muito tempo, passei quatro horas em um evento de trabalho sem ter coragem de tirar a máscara de proteção para almoçar.

Aceitar o convite foi um cálculo pensado. O embarque seria quase um mês após a segunda dose da vacina contra a Covid-19. O destino, a França, já tem 80% de sua população vacinada e só recebe visitantes vacinados ou testados.

O evento para o qual fui convidada tinha premissa similar e ainda recomendava que os participantes evitassem contato físico e só tirassem as máscaras para comer, beber ou fumar.

A nova dinâmica dos eventos corporativos me faz sentir que estamos percorrendo um caminho ainda em construção. Enquanto ando por ele, algumas partes caem, outras são reconstruídas rapidamente.

Seria injusto dizer que as recomendações eram ignoradas. Ao mesmo tempo, continuo me perguntando do quão seguro é o tira e põe de máscaras durante os coquetéis e restaurantes.

Encarar uma sequência de aeroportos e voos foi um relevante passo, um voto de confiança possível somente pela drástica redução do risco fornecida por duas doses de vacina.

É justo dizer que a rotina que envolve voos, especialmente os internacionais –ou, para quem vive em São Paulo, aqueles saídos de Cumbica, em Guraulhos– já eram muito cansativas antes da pandemia. O acesso aos terminais é ruim e mal projetado. O Expresso Aeroporto, por exemplo, sai da Estação da Luz da CPTM e chega apenas ao terminal 1. Do terminal 3, são 3 quilômetros de distância.

O jeito então é buscar um táxi ou um carro via aplicativo. Quem mora em São Paulo sabe que o risco de um trânsito pesado a caminho de Guarulhos exige medidas de precaução, como sair com tempo de sobra, aumentando o tempo dedicado à viagem.

O check-in e despacho de mala agora levam mais tempo, pois inclui a conferência da carteirinha de vacinação. Começa ali também uma certa cacofonia de informações sobre as quais ninguém tinha muita certeza.

Um agente da companhia aérea quis saber do meu passe sanitário, algo que não tenho.

Tento baixar o programa que o gera, mas o sistema não reconhece o código de validação, nem o fornecido pelo governo de São Paulo na carteirinha de vacinação, nem o do Valida SUS.

Sou informada depois que o passe é necessário apenas para acessar bares e restaurantes (depois viria a descobrir que a apresentação do comprovante de vacinação, com as datas das doses, teria o mesmo efeito do passe).

Apesar de já dispensar a quarentena na chegada ao país, a França ainda considera o Brasil um país vermelho, segundo a classificação de cores por risco. Isso me leva a mais uma fila, já em solo francês, para nova conferência da carteirinha. Ainda enfrentaria outras duas, uma para o raio-x, outra para a imigração.

Nos sites das autoridades francesas, há a informação de que mesmo os passageiros vacinados precisarão apresentar um tipo de carta solene, na qual juram não ter sintomas e não ter conhecimento de ter tido contato com alguém contaminado. Fiz a carta. Ela nunca saiu da minha mochila.

Antes de voltar ao Brasil, nova surpresa. Tinha acabado de enviar um texto aos meus editores da Folha quando recebi um email da companhia aérea comunicando o início do check-in. E foi assim que descobri a necessidade de ter um exame do tipo PCR-RT para retornar ao país.

Conto com ele para embarcar para o Brasil –não sem antes enfrentar novas filas, novas leituras incompletas do certificado de vacinação, novos companheiros de jornada com seus narizes fora da máscara. Espero que seja a última surpresa da jornada.

Por fim, volto dessa primeira viagem desejante de que o avanço da vacinação, mesmo menor que o necessário, proteja o Brasil de uma nova catástrofe, como a vivida no início do ano, pois não há nada como estar rodeada de outras pessoas.

A repórter viajou a convite da Airbus.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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