Vinícolas de Maldonado, no Uruguai, atraem com hospedagem e restaurantes de luxo – 06/10/2021 – Turismo


A partir de 1º de novembro, as fronteiras do Uruguai devem finalmente reabrir para estrangeiros que comprovarem a imunização completa, com as duas doses da vacina contra Covid (ou dose única), e apresentarem teste PCR recente na chegada. O anúncio foi feito pelo presidente Luis Lacalle Pou no dia 9 de agosto.

Para os amantes do enoturismo, vale a pena aproveitar a reabertura para sair dos roteiros mais conhecidos e conhecer a face mais nova das vinícolas uruguaias –enquanto as regiões de Canelones, nos arredores de Montevidéu, e Carmelo, na porção oeste do país, concentram vinícolas antigas fundadas por imigrantes italianos e espanhóis, Maldonado revela um cenário novo em folha, construído do zero nos últimos 12 anos.

A região não só concentra os terrenos mais altos e frios do Uruguai, a até 300 metros de altitude, como se beneficia da brisa marinha, já que alguns dos vinhedos ficam a apenas 15 quilômetros do Oceano Atlântico.

Trata-se de uma feliz conjunção de fatores, como atesta o crítico de vinhos Marcelo Copello. “O frio e o vento proporcionam o amadurecimento tardio das uvas, o que resulta em vinhos frescos e elegantes, com mais acidez e menos álcool, uma tendência mundial.”

Outra tendência que as vinícolas de Maldonado têm tido talento para explorar é o do enoturismo de alto luxo.

O bilionário do petróleo argentino Alejandro Bulgheroni deu início ao movimento quando adquiriu, em 2006, uma propriedade de 2.200 hectares. A ideia inicial, construir um parque eólico, mudou depois que o enólogo italiano Alberto Antonini avaliou o terreno e propôs plantar uvas em apenas cinco hectares, como teste.

Deu tão certo que, em 2010, Bulgheroni investiu 200 milhões de dólares na construção da Bodega Garzón (bodegagarzon.com), que viria a ser eleita, oito anos depois, a melhor do Novo Mundo pela influente revista norte-americana Wine Enthusiast.

Duas uvas se destacam nos vinhedos da Garzón, assim como no restante das propriedades de Maldonado: a tinta Tannat, considerada a cepa ícone do país, e a branca Alvarinho, originária da Península Ibérica.

Com 26 rótulos em linha, a Garzón é também uma potência no enoturismo. Até o início da pandemia, entre os 25 mil visitantes que recebia por ano, 18 mil eram brasileiros.

Há sete experiências, do piquenique nos vinhedos (R$ 187 por pessoa, ou 1.500 pesos) à premium, que inclui almoço em espaço privado (R$ 1.120 por pessoa, ou 9.000 pesos).

No restaurante da vinícola, que tem assinatura do argentino Francis Mallmann, considerado o papa da cozinha da brasa, o português é um dos idiomas que mais se ouve pelas mesas. A R$ 362 por pessoa, ou 2.900 pesos, o menu inclui drinque de boas-vindas, antepasto, entrada, principal e sobremesa.

Vinhos são pagos à parte e também podem ser comprados na loja, a preços ligeiramente mais baixos do que os praticados no Brasil. O tinto Balasto, rótulo mais caro da Garzón, sai por R$ 962 (7.730 pesos) –nas lojas do Brasil, o mesmo vinho custa em torno de R$ 980.

Depois de vencer os 68 quilômetros que ligam Punta del Este a Garzón, vale a pena percorrer mais um trechinho de 20 quilômetros até Pueblo Garzón.

Fundado em 1892, o povoado era praticamente uma vila fantasma quando Francis Mallmann inaugurou ali, em 2003, o Garzón, misto de pousada de charme e restaurante (restaurantegarzon.com).

Com apenas cinco suítes, o hotel ocupa o imóvel de um antigo armazém e oferece quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, chá da tarde e jantar (US$ 870, ou R$ 4.620 a diária para casal, com pensão completa).

Além de cavalgar ou andar de bicicleta pelos arredores, os hóspedes podem esticar até o balneário de José Ignacio, a meia hora do hotel, destino exclusivo eleito por quem foge do agito de Punta del Este.

Colado à areia, fica o restaurante Parador La Huella (paradorlahuella.com), 33º no ranking Latin America’s 50 Best Restaurants 2019. Frutos do mar preparados na brasa são a especialidade da chef Vanessa González.

Na Sierra del Carapé, ponto mais alto do Uruguai, a 54 quilômetros de Punta del Este, a vinícola Sacromonte (sacromonte.com) dispõe de apenas quatro suítes incrustadas nos vinhedos.

Em 2019, a propriedade de cem hectares entrou para a lista dos cem melhores lugares do mundo para visitar, organizada pela revista norte-americana Time.

A arquitetura moderna das suítes, projetadas pela Mapa Arquitetura, que atua no Uruguai e no Brasil, contrasta com o verde. Apesar de envidraçadas, as estruturas que lembram contêineres são distantes umas das outras e garantem 100% de privacidade.

Dos amplos janelões, ou dos deques com ofurô, só é possível enxergar os vinhedos, o lago e a capela de Nossa Senhora dos Vinhedos, estrutura de madeira e aço que foi trazida de Portugal.

Para chegar ao restaurante no topo do terreno, onde uma mesa comunal acomoda até 50 pessoas nos dias de eventos, os hóspedes circulam em carrinhos de golfe. Cada suíte tem o seu –a ordem é não assustar as ovelhas encarregadas de podar a grama entre as parreiras.

A diária para casal, com café da manhã, custa a partir de US$ 550, ou R$ 2.920.

A experiência Almoço no Campo pode ser reservada por não-hóspedes. Pratos preparados na parrilla, como cordeiro e linguiça de javali, são acompanhados de salada orgânica da horta própria e focaccia da casa.

Os vinhos Sacromonte, por enquanto, só podem ser comprados no Uruguai. Na vinícola, o rótulo Tannat 2020 é vendido a US$ 25, ou R$ 132.

Vizinha da Sacromonte, a Viña Edén (vinaeden.com) tem DNA brasileiro –os proprietários são um casal daqui que vive há anos na região.

A construção contemporânea dotada de heliponto, no alto da colina, foi inaugurada em 2016. Os visitantes podem conhecer a vinícola e almoçar no restaurante, com deque debruçado sobre os 8,5 hectares de vinhedos.

O menu-degustação Full Experience, com três etapas, incluindo visita guiada, quatro vinhos e licor, sai a US$ 130 por pessoa, ou R$ 690.

A garrafa do tinto Cerro Negro Gran Reserva, corte das uvas Tannat, Merlot e Marselan, sai por US$ 45, ou R$ 238, no restaurante.

No caminho de volta, não deixe de fazer uma parada em Pueblo Edén, a poucos minutos da vinícola. Impossível imaginar um recanto mais bucólico –com menos de cem habitantes, o povoado se apresenta como slow town e atrai com restaurantes, cafés, mercadinhos, passeios a cavalo e caminhadas guiadas (www.puebloeden.com).

Menos impactante do que as propriedades vizinhas, mas igualmente encantadora, a Alto de la Ballena (altodelaballena.com) tem todas as características de uma vinícola-boutique –ali são produzidos apenas oito rótulos.

Os anfitriões, o casal Paula Pivel e Álvaro Lorenzo, percorrem os vinhedos íngremes na companhia dos turistas e, ao final da caminhada, promovem degustações em um quiosque rústico no alto da colina. No verão, elas podem acontecer ao pôr-do-sol.

O visitante escolhe se quer degustar quatro vinhos (US$ 35, ou R$ 190) ou seis (US$ 50, ou R$ 265), acompanhados de queijos, pães e frutas secas.

Ali, vale a pena fazer compras. O tinto Reserva Tannat/Viognier, vinho ícone da Alto de la Ballena, sai por US$ 18, ou R$ 95, na vinícola, enquanto é vendido no Brasil a R$ 230.

Embora haja um aeroporto em Punta del Este, os voos são escassos e as tarifas, bem mais salgadas. Compensa entrar no país pelo Aeroporto Internacional de Carrasco, nos arredores da capital Montevidéu, e alugar um carro para chegar a Maldonado e percorrer as vinícolas com maior liberdade –são apenas 110 quilômetros de distância.

A jornalista viajou a convite do Inavi, Instituto Nacional de Vitivinicultura do Uruguai

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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