Venezuela anuncia que vai reabrir fronteiras com a Colômbia para comércio – 04/10/2021 – Mundo


A Venezuela anunciou, nesta segunda-feira (4), que vai reabrir para o comércio a fronteira com a Colômbia, fechada desde fevereiro de 2019 devido a embates políticos entre os dois países. Na época, a ditadura estava receosa de que o opositor opositor Juan Guaidó conseguisse organizar a entrada de alimentos e medicamentos pela fronteira colombiana, o que, na visão de Nicolás Maduro, enfraqueceria sua gestão e seria um pretexto para uma possível ação dos Estados Unidos.

Durante pronunciamento em um canal estatal, a número dois do regime, Delcy Rodríguez, anunciou que a reabertura iniciará já nesta terça (5). “Aqui estamos hoje abrindo o comércio binacional para que caminhões comecem a entrar com produtos da Venezuela na Colômbia e da Colômbia na Venezuela”, disse.

Os colombianos haviam decidido, ainda em junho deste ano, abrir unilateralmente suas fronteiras fluviais e terrestres com a Venezuela, mas, devido às resistências do outro lado, na prática a medida não funcionava.

“A Colômbia também está disposta a iniciar um processo ordenado para que possamos garantir essa passagem de fronteira”, disse o presidente Iván Duque, de acordo com um comunicado de seu gabinete. “Sempre o faremos com os critérios adotados pelo nosso país em nossas áreas de fronteira, principalmente no que se refere ao transporte de cargas.”

Os comerciantes venezuelanos também celebraram a decisão. “A expectativa é alta, para começarmos a trabalhar plenamente”, disse à AFP Isabel Castillo, presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Produção de San Antonio del Táchira (cidade fronteiriça).

“É hora de termos a liberdade de poder passar, ir e vir tranquilamente sem nenhum inconveniente, como irmãos que sempre fomos”, disse Rafael Gómez, dono de um estacionamento de caminhões em San Antonio.

Ainda não está claro se o tráfego de carros particulares será liberado. A travessia de pedestres foi restringida pela pandemia Covid-19, mesmo para os cidadãos venezuelanos.

No entanto, antes mesmo da declaração da dirigente venezuelana, os contêineres que bloqueavam a circulação na principal passagem de fronteira entre os dois países, a ponte Simón Bolívar, foram removidos e a passagem de pedestres começou a fluir.

“Isso é uma surpresa realmente tremenda”, disse Alexis Contreras, 42, que caminhava de Cúcuta para a cidade venezuelana de San Antonio del Táchira. Os dois países compartilham uma fronteira de mais de 2.000 km, que inclui quatro estados.

“Estávamos pensando em como passar pela trilha”, acrescentou, referindo-se a degraus irregulares por onde as pessoas passavam. No caminho, Contreras estava acompanhando um venezuelano que voltava para o país natal porque não tinha como se sustentar na Colômbia.

Na Venezuela, porém, também há dificuldades. Em meio ao bloqueio econômico americano, Caracas sofre com uma gravíssima recessão econômica, que afeta a disponibilidade de mercadorias, além de altíssima inflação e desvalorização da moeda local. A expectativa deste ano, segundo a Ecoanalítica, é de que os preços, em geral, aumentem 1.600% no país.

A Colômbia, aliada dos americanos na América do Sul, é um dos mais de 50 países que reconhecem Guaidó como presidente legítimo da Venezuela –entre eles, está também o Brasil. Além disso, são os colombianos que mais recebem refugiados venezuelanos.

Em setembro, Iván Duque anunciou que Bogotá vai regularizar 1 milhão de pessoas que fugiram da ditadura vizinha, somando-se a 1,3 milhão que já receberam o status de proteção temporária neste ano.

Mas a má relação entre os dois países não é oriunda apenas de desgastes promovidos pela oposição de Guaidó. Entre 2015 e 2016, a fronteira também esteve fechada durante vários meses, por determinação de Maduro, em resposta a um ataque armado que feriu três soldados venezuelanos em patrulha nas montanhas entre os dois países.

Na época, a reação bolivariana teve um forte impacto econômico e apenas 20% da indústria e do comércio sobreviveram em Ureña e San Antonio (cidades fronteiriças), segundo sindicatos regionais.

Mas nem sempre foi assim: antes de 2009, o comércio bilateral entre os dois países movimentava US$ 7,5 bilhões. Uma década depois, no entanto, o número era 15 vezes menor, de acordo com estimativas privadas.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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