‘Vamos colocar os orixás na pista de dança’: Bando Mastodontes prepara a estreia do primeiro disco, ‘Ciranda Celestial’ | Pará

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“Vamos colocar os orixás na pista”, anuncia Luciano Lira, integrante do grupo paraense Bando Mastodontes, durante a audição, em Belém, de“Ciranda Celestial” (Natura Musical), o primeiro disco do grupo. “Bater tambor é uma forma de combater a intolerância”, diz. Ainda inédito, o trabalho de estreia da trupe será lançado este mês, nas plataformas digitais. Marcado por batuques e cultura popular, o disco alia teatro, música e literatura, com a participação de Zélia Amador, uma das mais reconhecidas vozes do ativismo negro na América Latina, e traz temas como diversidade e ancestralidade.

“Nossa Amazônia transcendental está intimamente ligada à ideia de que existe força na nossa pajelança, cantamos para nos curar, cantamos para ecoar a nossa cura, acreditamos e reverenciamos a espiritualidade existente na ancestralidade de nosso canto, cantamos para transcender, os limites do corpo-mente, do espírito, do tempo, das fronteiras. Nossa ciranda é da diversidade, de seres, de culturas, de sons, de imaginários, de energias. Em síntese, o álbum ‘Ciranda Celestial’, sonoramente falando, se alinha a uma tríade: é batuque, é progressivo e é transcendental“, explica Luciano Lira, violonista e uma das vozes da trupe, sobre o disco, um projeto realizado com patrocínio do edital Natura Musical por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Pará (Semear).

Um dos maiores destaques da música contemporânea do Norte, o grupo é formado por Jimi Britto (guitarra), Ana Marceliano (percussão, voz e composição), Fernanda Noura (voz), Luciano Lira (violão, voz e composição), Caio Azevedo (bateria), Katarina Chaves (percussão), Bruna Cruz (percussão, voz e composição), Armando Mendonça Filho (voz, percussão, violino, violão e bandolim) e Rodolfo de Mendonça (baixo).

Com dez faixas, “Ciranda Celestial” traz as participações das escritoras e poetisas Paloma Amorim, Zélia Amador, Trio Manari, Banda Nação Ogan; Mansu Nangetu, terreiro de candomblé angola que é referência regional e nacional na cultura religiosa afro-amazônica (representado na obra por Mametu Nangetu, Tata Kamungeji e Tata Kalepensi); e Edimar Silva, contramestre de capoeira angola nas percussões.

O g1 conversou com Luciano Lira sobre o novo trabalho do grupo. No bate-papo, ele fala do processo de criação, espiritualidade e influências artísticas que conduzem o trabalho de estreia.

1. Bando Mastodontes parte do teatro, e o combina com literatura e música. Como essas múltiplas linguagens se conectam no projeto deste primeiro disco?

O ‘Ciranda Celestial’ aporta numa dimensão mais híbrida. A música é o elemento aglutinador da experiência que estamos propondo, posto que se trata de um álbum. Temos como contribuição literária os escritos da autora paraense Paloma Franca Amorim. Estes textos aparecem distribuídos pelas faixas trazendo um tonos próprio do teatro, como se pudéssemos transportar a pessoa do fone de ouvido para uma espécie de encenação teatral. Canto e palavra, para nós, são as flechas que apontam os caminhos.

2. Na apresentação do disco, você declarou: “vamos colocar os orixás na pista”. Comenta mais essa que parece ser a linha condutora do disco. Qual a relação deste trabalho com os sons e crenças de matriz africana? E como se deu essa escolha do bando, qual a importância de colocar os orixás na pista?

Evocar as energias dos orixás pra dentro da nossa gira é algo que já fazemos desde que o Bando se tornou Bando. Não poderia faltar em nosso primeiro álbum essa camada ancestral característica do nosso trabalho. Nosso canto-oração mergulha nas mitologias de matriz africana, tocamos em espaços do campo do sagrado para muitos povos e pessoas, portanto devemos respeito e com muita humildade vamos pedindo licença para bater nossos tambores. Colocar o orixá na “pista” para nós é uma forma de combater a intolerância religiosa vigente no nosso país. Acreditamos que a energia que cada orixá conduz e carrega deve se fazer presente em nosso cotidiano, não queremos converter ninguém, mas pretendemos, com nosso trabalho, compartilhar da beleza e da força que cada orixá traz para as nossas vidas. Saudar nossa ancestralidade tem a ver com perfurar esses espaços onde a intolerância religiosa é vigente. Para nós, o importante é que o ouvinte se sinta convidado a entrar em frequência com essas energias, e quiçá, ao nos ouvir, que busque e pesquise o que estamos a enunciar.

3. Quais sonoridades dialogam neste disco de estreia do bando? Quais as maiores influências artísticas de vocês que estão presentes na construção desta obra?

O ‘Ciranda Celestial’ é talvez a nossa fase mais madura enquanto grupo, musicalmente falando. A gente sente que o nosso som está mudando e resolvemos nos acolher nessas transformações. Nossas referências são: Trio Manari, Matheus Aleluia, Baden Powell, Sérgio Sampaio, Baiana System, Nação Zumbi, e todo e qualquer lugar que trabalhe o tambor como protagonista das narrativas. Os tambores do Bando materializam o nosso elo de ligação enquanto família mastodôntica. A gente gosta mesmo é de estar juntes para fazer gira com nosso batuque etéreo.

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