Um local, 87 toneladas de metano por hora – 21/06/2022 – Ambiente

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Um satélite de sensoriamento remoto detectou uma das maiores liberações de metano de um único local industrial, uma mina de carvão subterrânea no centro-sul da Rússia. A descoberta é outra indicação do alcance do problema de conter as emissões de metano, um gás poderoso que aquece o planeta.

Treze plumas de gás foram observadas na mina Raspadskya, a maior mina de carvão da Rússia, no final de janeiro, durante uma única passagem de um satélite operado pela GHGSat, empresa comercial de monitoramento de emissões. A vazão total das plumas foi estimada em cerca de 87 toneladas métricas (cerca de 95 toneladas americanas) por hora.

“Esta é a maior fonte que já vimos”, disse Brody Wight, diretor de energia, aterros e minas da GHGSat, que foi fundada em 2011 e hoje tem seis satélites sensores de emissões. Por outro lado, a taxa mais alta medida em Aliso Canyon, instalação de armazenamento de gás natural no sul da Califórnia que teve um grande vazamento durante quase quatro meses em 2015 e 2016, foi de cerca de 60 toneladas métricas por hora.

“Este é um caso realmente grande”, disse Felix Vogel, pesquisador do Environment and Climate Change Canada em Toronto, que não é afiliado ao GHGSat.

Wight disse que não se sabe por quanto tempo os lançamentos continuaram nesse ritmo na mina. Mas várias passagens de satélite anteriores detectaram emissões na casa de dezenas de toneladas por hora. “Vimos um aumento constante no que sai deste lugar em geral”, disse ele.

Se o fluxo de 87 toneladas de metano por hora fosse contínuo, as emissões anuais totais equivaleriam às de cinco usinas a carvão médias, disse a empresa.

Wight afirmou que os lançamentos provavelmente foram deliberados, já que a mina Raspadskya, como outras minas de carvão, tem bolsões naturais ricos em metano entre as camadas do minério. Um acúmulo de metano na mina em 2010 causou uma explosão que matou 66 pessoas.

Para reduzir as concentrações de metano, grandes ventiladores puxam o ar para dentro e através da mina, soprando o metano para a atmosfera.

O metano tem um efeito maior no aquecimento do que o dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa emitido por atividades humanas. Ao longo de duas décadas, o metano pode resultar em cerca de 80 vezes o aquecimento da mesma quantidade de dióxido de carbono.

As emissões de metano são muito menores do que as emissões de dióxido de carbono, e as moléculas se decompõem muito mais rapidamente. Mas, devido ao potencial de aquecimento do metano, a redução das emissões intencionais ou acidentais do gás é vista como uma forma de limitar mais rapidamente o aquecimento global neste século.

Nas negociações climáticas globais em Glasgow, na Escócia, no ano passado, mais de cem países se comprometeram a reduzir as emissões de metano em 30% até 2030, embora a Rússia e alguns outros grandes emissores não estivessem entre eles.

Até recentemente, a medição precisa das emissões de locais industriais específicos, como minas, instalações de produção de petróleo e gás e aterros sanitários, só podia ser feita usando equipamentos no solo ou em aviões. Isso limitou o número de locais que podiam ser estudados.

Embora o sensoriamento terrestre e aéreo ainda seja realizado, os satélites agora podem monitorar facilmente áreas muito maiores. A maioria desses satélites tem resolução relativamente grosseira, porém, o que significa que, embora possam detectar gás em uma área em volumes semelhantes ou superiores aos medidos na mina russa, não podem delimitar os locais específicos das emissões. Os satélites GHGSat estão entre uma nova geração com resolução muito mais precisa.

Vogel disse que agora, com os novos satélites, “temos ferramentas que nos permitem obter informações acionáveis”.

“Eles permitem que você realmente chegue à escala da instalação e veja partes específicas onde ocorrem as emissões”, disse ele. “Você pode dizer às empresas onde precisam consertar algo.”

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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