Tite diz ter pesadelos; história na seleção mostra só um – 21/06/2022 – O Mundo É uma Bola

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Ser técnico da seleção brasileira masculina de futebol talvez seja uma das ocupações mais difíceis que existam.

No futebol (o masculino), o torcedor brasileiro exige nada menos que o primeiro lugar. Vice é quase tão ruim quanto ser último.

Desde quando? Não posso dizer que é desde sempre, mas certamente desde que Pelé, Garrincha e companhia triunfaram na Copa de 1958, na Suécia, é assim.

Há mais de seis décadas o treinador do Brasil tem a obrigação de ganhar a Copa do Mundo. Ou a Copa América. Ou a Olimpíada.

E na maioria das vezes isso não aconteceu, fazendo de uma parte deles “genis” no olhar da torcida do time canarinho.

Restringindo-se à Copa do Mundo, depois de 1958, quando Vicente Feola era o treinador, só quatro técnicos repetiram a façanha: Aymoré Moreira (Chile-1962), Zagallo (México-1970). Carlos Alberto Parreira (EUA-1994) e Luiz Felipe Scolari (Coreia/Japão-2002).

Feola (Inglaterra-1966), Zagallo (Alemanha Ocidental-1974 e França-1998), Parreira (Alemanha-2006) e Felipão (Brasil-2014) tiveram chance de bisar a conquista e não conseguiram.

Desdizendo um velho ditado, acredito que a última impressão, e não a primeira, é a que realmente fica, então a imagem deles ficou arranhada por esses reveses –especialmente a de Felipão, com o 7 a 1 para a Alemanha, em casa, na semifinal.

Outros só perderam. Telê Santana, que fez a seleção jogar lindamente, duas vezes (Espanha-1982 e México-1986). Cláudio Coutinho (Argentina-1978), Sebastião Lazaroni (Itália-1990) e Dunga (África do Sul-2010), uma vez cada um.

Tite, o atual comandante do escrete, terá, a exemplo de Telê, uma segunda chance após um fracasso. Caiu nas quartas de final na Rússia, em 2018, e foi mantido no cargo para o Qatar-2022.

“É a hora de chegar à final e sermos campeões”, sentenciou ele em entrevista ao Guardian, publicada no site do jornal inglês neste domingo (19), ciente de que seu nome só ficará positivamente na memória de todos com a Taça Fifa nas mãos.

Tite demonstra confiança, acredita ter um grupo preparado e focado (comissão técnica e jogadores), e exibe contrariedade ao ser questionado a respeito de críticas desferidas ao seu trabalho.

“Temos resultados. O que as pessoas estão esperando? Batemos o recorde [de mais pontos, 45] nas Eliminatórias [para a Copa no Qatar]. Temos a maior sequência invicta, 12 jogos [no qualificatório para o Mundial de 2018] e agora 17 jogos sem derrota [nas Eliminatórias para o Mundial deste ano, com 14 vitórias e três empates]. Ou seja, 29 jogos.”

O treinador prosseguiu, dando ênfase aos números e conquistas que o Brasil registrou na sua gestão.

“Marcamos 13 gols a mais que a Argentina [segunda colocada nas Eliminatórias sul-americanas]. Não sofremos gol em 13 das 17 partidas, nossa média de gols marcados foi acima de 2,5 [na verdade, a média de gols do Brasil foi de 2,35 nas Eliminatórias do Mundial deste ano, 40 gols em 17 jogos].”

“Voltamos ao primeiro lugar no ranking da Fifa. Fomos campeões da Copa América [no Brasil, em 2019]. Não vencemos da última vez [em 2021, também no Brasil, a Argentina ganhou a final por 1 a 0], mas houve todo um processo, um momento difícil, uma série de problemas que não quero aprofundar.”

Tite refere-se à pandemia de coronavírus. A competição deveria ter duas sedes, Argentina e Colômbia, que desistiram –os colombianos conviviam também, além do avanço da doença, com uma onda de manifestações políticas contra o presidente Iván Duque.

A Conmebol (confederação sul-americana) recorreu ao Brasil, que, mesmo com a Covid ainda fora de controle, aceitou realizar a competição, com a anuência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do governo Bolsonaro.

Segundo Tite, “ninguém queria jogar a Copa América e todos expressaram isso ao presidente [da CBF, que à época era Rogério Caboclo]”.

Faço um aparte: se não queriam jogar, devido à situação sanitária, por que jogaram? Faltou pulso firme, sobrou falta de personalidade. (É por essas e outras que o Brasil não muda como país.)

Na entrevista, Tite falou também sobre seu lado humano.

Agradeceu por ter o apoio irrestrito da família, em especial da esposa, Rosi –com quem gosta de caminhar e prosear–, e afirmou ter “meus medos, meus pesadelos, meus arrepios”, frisando que não se deve confundir medo com pavor.

Ele não mencionou quais são esses pesadelos, porém, em meio a resultados positivos tão expressivos, a conclusão é que há um único fantasma que lhe tira o sono ou o faz acordar durante a noite.

Seu nome tem sete letras: Bélgica.

Seleção cujo apelido é Diabos Vermelhos e que, com uma vitória por 2 a 1 no dia 6 de julho de 2018, em Kazan, eliminou o Brasil da Copa russa, nas quartas de final.

O Brasil jogou melhor que a Bélgica, finalizou mais que o triplo de vezes, teve a infelicidade de fazer um gol contra (Fernandinho), bola que parou na trave, defesa “impossível” do goleiro Courtois, gol perdido por Renato Augusto que resultaria no empate por 2 a 2.

Não era para ser, e não dava para botar a culpa em Tite. Eu também teria pesadelos com esse jogo se tivesse estado nele em uma função importante e saísse derrotado.

Defendi a permanência de Tite depois da queda na Rússia, pois a meu ver ele era o mais capacitado, entre os nomes brasileiros, para fazer o Brasil triunfar.

O grande problema, o que faz falta na minha avaliação, é o que já faltava antes: armar jogadas eficazes que sejam capazes de furar bloqueios defensivos bem armados. Bloqueios que a equipe já enfrentará na primeira fase, diante de Sérvia, Suíça e Camarões.

É necessário chutar mais vezes, com precisão, de fora da área. É preciso haver mais triangulações pelas laterais. Enfim, que se criem alternativas aos ferrolhos, pois, sem elas, a chance de sucumbir aumenta consideravelmente.

Por fim, como a eliminação para o maior pesadelo de Tite mostrou, é preciso acertar a mira.

O Brasil pode e deve finalizar muito, mas é necessário que o índice de bola na rede seja maior do que naquela derrota para Lukaku, Hazard, De Bruyne e companhia (um mísero gol em 26 tentativas).

Com esses ajustes, e se Neymar, ainda o mais badalado jogador do time, tiver atuações produtivas, com gols e assistências, o Brasil ampliará seu contumaz favoritismo.

Numa campanha ideal no Qatar, melhor será se houver uma vingança contra os belgas.

Há chance de as duas seleções se reencontrarem nas quartas de final ou na final, a depender da classificação de cada uma na fase de grupos.

Se o título vier, Tite poderá dormir um sono tranquilo, sem fantasma antigo ou novo a atormentá-lo.

Se for contra a Bélgica, então, o pesadelo terá virado um sonho bom, daqueles que não dão vontade de despertar.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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