Sem Tempo para Morrer’ garante Daniel Craig como o melhor James Bond


Finalmente, o novo 007 chegou aos cinemas, melhor lugar para ver a última aventura de Daniel Craig como James Bond. Sem Tempo para Morrer é um filme de ação cheio de drama, uma despedida interessante para o melhor Bond de todos os tempos.

O filme traz emoções, ação, gadgets e tudo que fez de Bond um ícone da cultura pop, ao longo das últimas décadas, especialmente graças ao bom trabalho na era Craig. Com isso, a obra consegue divertir bastante, mesmo sem nunca superar os melhores filmes da saga.

Como era de se esperar, essa trama retoma os pontos altos das aventuras de Craig como Bond. Sem dar spoilers, vale apontar que o longa tenta subverter o molde clássico do personagem, embora sempre volte ao padrão da franquia no final das contas. Independente disso, Craig será lembrado por transformar um espião sem vida, em um ser humano. 

Existem diversas questões emocionais aqui nesse filme: felicidade, amor, até fúria e tristeza. Craig lida com tudo com uma habilidade incrível e mostra que é o ator certo para viver Bond atualmente e se consolida como o melhor de todos. Uma pena que tudo acaba eventualmente.

Enquanto Craig entrega o melhor no papel de sua vida, o filme, por sua vez, não sabe o que pretende e parece preso entre o Bond moderno e a estagnação do passado, afinal, a obra sempre cai nos mesmos problemas de filmes antigos e quase parece esquecer como essa franquia foi revitalizada nos últimos anos.

Com isso, a história se arrasta com muitas reviravoltas e uma trama inchada, repleta de exageros e momentos clichês. A estrutura da narrativa funciona melhor na primeira hora e o longa perde força nas quase duas horas posteriores, o que faz de um filme de 163 minutos parecer gigantesco, ainda mais quando tudo se torna previsível.

Certamente o maior pecado é o vilão de Rami Malek, Safin, que é raso e extremamente caricato, evocando o pior dos antagonistas do passado de 007. Com um sotaque forçado e rosto desfigurado, Safin é um inimigo subdesenvolvido e desinteressante. 

A história se perde com esse vilão e desperdiça a chance de fornecer um final satisfatório e significativo para os conflitos de Bond que começaram lá em Casino Royale. Isso quase estraga a experiência, embora o filme ainda seja agradável, seu foco é tão estereotipado que, durante a segunda metade, raramente parece o capítulo final que a era Craig mereceria ter.

Apesar do ritmo irregular e antagonista patético, o filme tem momentos espetaculares, particularmente na abertura, com imagens lindas da Itália e, posteriormente, da Noruega onde quase é possível sentir o frio de uma perseguição na floresta envolta por neblina e tensão.

Ao menos, o filme garante algumas belas cenas de ação, lutas e principalmente perseguições de carros. Uma sequência inicial com o Aston Martin DB5 repleto de gadgets de Bond é um presente para qualquer um que gosta de filmes de espionagem. Dito isso, embora tenha bons momentos, o longa não apresenta nada tão memorável ou especial quanto os longas dirigidos por Sam Mendes, muito menos chega perto da obra-prima Operação Skyfall.

Se tem algo que faz o novo longa funcionar  é o elenco inspirado, todos no auge de suas atuações e capazes de garantir profundas conexões interpessoais com Bond. 007 e seus aliados garantem algo realmente caloro nessa produção. Nada mais justo, afinal, essa é a grande marca dessa era que chega ao fim. 

É ótimo, por exemplo, ver o conflito entre Bond e seu chefe do MI6, M (Ralph Fiennes), que ajuda a impulsionar uma trama moralmente confusa para a frente. 

Blofeld, de Christoph Waltz, está de volta e o ator garante que as interações com Bond sejam agressivas e divertidas. Ana de Armas é uma agente da CIA que transborda energia caótica ao lado de Craig. Ela é a melhor personagem de todo o filme, o que faz sua aparição curta parecer uma oportunidade perdida.

Enquanto isso, os relacionamentos mais próximos de Bond são Madeleine Swann, de Léa Seydoux, que retorna após Spectre, e Nomi, de Lashana Lynch, a nova 007. O amor entre Swann e Bond cativa e serve para tornar Bond incrivelmente humano. 

Outro ponto alto é a nova 007, vivida por Lynch, que atua como uma rival divertida e parceira valioso para Bond. A briga entre os dois pelo número pode ser um pouco exagerada às vezes, mas a rivalidade garante diálogos ágeis e divertidos. Inclusive, o filme tem mais momentos engraçados do que o esperado para a franquia.

007 – Sem tempo para Morrer encerra a era Craig sem conseguir garantir um final satisfatório para conflitos antigos, afinal, é dominado por um vilão sem graça com um plano clichê. Entretanto, são as cenas de ação e as relações de Bond com seus aliados que fazem desse filme algo realmente interessante, além de, claro, fechar um ciclo de revigorante.

Enquanto Skyfall continua a ser o melhor filme de James Bond, esse longa trabalha questões do passado para levarão a franquia ao futuro e ainda garante uma das melhores atuações de um James Bond na história do cinema. Só isso, já vale o ingresso.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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