Sem ação imediata, EUA correm risco de conflito civil e de perder democracia – 06/01/2022 – Mundo

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Há um ano, uma turba violenta, conduzida por políticos inescrupulosos, invadiu o Capitólio, em Washington, e quase conseguiu impedir a transmissão democrática de poder.

Os quatro presidentes anteriores, incluindo eu, condenamos esses atos e confirmamos a legitimidade da eleição de 2020. Seguiu-se uma breve esperança de que a insurreição chocaria o país, levando-o a discutir a tóxica polarização que ameaça nossa democracia.

No entanto, um ano depois, os promotores da mentira de que a eleição foi roubada dominaram um partido político e instigaram a desconfiança em nossos sistemas eleitorais. Essas forças exercem poder e influência por meio da desinformação incansável, que continua jogando americanos contra americanos.

Segundo o Centro de Pesquisa sobre a Vida Americana, 36% dos americanos —quase 100 milhões de adultos em todo o espectro político— concordam que “o modo de vida tradicional americano está desaparecendo tão depressa que poderemos ter de usar a força para salvá-lo”.

O jornal The Washington Post relatou recentemente que cerca de 40% dos eleitores republicanos afirmam acreditar que a ação violenta contra o governo às vezes se justifica.

Políticos do meu estado natal, a Geórgia, e também de outros, como Texas e Flórida, usaram a desconfiança que eles mesmos geraram para aprovar leis que dão poder a legislaturas partidárias para intervir em processos eleitorais. Eles tentam vencer por quaisquer meios, e muitos americanos estão sendo persuadidos a pensar e a agir desse modo, ameaçando ruir as fundações de nossa segurança e democracia com uma velocidade assustadora.

Hoje eu temo que o que lutamos tanto para alcançar globalmente —o direito a eleições livres e justas, sem a interferência de políticos autoritários que apenas buscam aumentar seu próprio poder— se tornou perigosamente frágil em nosso país.

Encontrei pessoalmente essa ameaça em meu próprio ambiente em 1962, quando um líder municipal tentou roubar minha eleição para o Senado estadual da Geórgia. Isso foi na primária, e contestei a fraude na Justiça. Ao fim, um juiz invalidou os resultados e eu ganhei a eleição geral. Depois disso, a proteção e o avanço da democracia tornaram-se uma prioridade para mim. Como presidente, um objetivo principal foi instituir a regra da maioria no sul da África e em outros lugares.

Depois que deixei a Casa Branca e fundei o Centro Carter, trabalhamos para promover eleições justas, livres e ordenadas em todo o mundo. Liderei dezenas de missões de observação eleitoral na África, na América Latina e na Ásia, começando pelo Panamá, em 1989, onde fiz uma simples pergunta aos administradores: “Vocês são autoridades honestas ou ladrões?”.

Em cada eleição, minha mulher, Rosalynn, e eu ficamos comovidos com a coragem e a dedicação de milhares de cidadãos que caminhavam quilômetros e esperavam na fila do anoitecer até a madrugada para dar seus primeiros votos em eleições livres, renovando a esperança para si mesmos e seus países e dando seus primeiros passos para a autogovernança.

Mas também vi como novos sistemas democráticos —e às vezes alguns já estabelecidos— podem cair sob juntas militares ou déspotas famintos por poder. Sudão e Mianmar são dois exemplos recentes.

Para que a democracia americana perdure, devemos exigir que nossos líderes e candidatos mantenham os ideais de liberdade e respeitem padrões de conduta elevados.

Primeiro, enquanto os cidadãos podem discordar sobre políticas públicas, as pessoas de todas as cores políticas devem concordar sobre princípios constitucionais fundamentais e normas de justiça, civilidade e respeito ao estado de direito. Os cidadãos devem poder participar com tranquilidade de processos eleitorais transparentes e seguros.

Denúncias de irregularidades eleitorais devem ser apresentadas em boa-fé para a análise dos tribunais, com todos os participantes concordando em aceitar suas conclusões. E o processo eleitoral deve ser conduzido pacificamente, sem intimidação e violência.

Segundo, devemos pressionar por reformas que garantam a segurança e a acessibilidade de nossas eleições e deem à população confiança na exatidão dos resultados. Alegações falsas de votação ilegal e inúmeras auditorias inúteis só nos afastam dos ideais democráticos.

Terceiro, devemos resistir à polarização que está remodelando nossas identidades em torno da política. Devemos enfocar algumas verdades centrais: que somos todos humanos, somos todos americanos e temos esperanças comuns de que nossas comunidades e nosso país prosperem.

Devemos encontrar caminhos para nos reaproximarmos diante da divisão, de maneira respeitosa e construtiva, mantendo discussões civilizadas com a família, os amigos e os colegas de trabalho e resistindo coletivamente às forças que nos dividem.

Quarto, a violência não tem lugar em nossa política, e devemos agir com urgência para aprovar ou reforçar leis que possam reverter as tendências de assassinato de personalidades, intimidação e presença de milícias armadas em eventos.

Devemos proteger nossas autoridades eleitorais —que são amigos confiáveis e vizinhos de muitos de nós— de ameaças à sua segurança. Os órgãos policiais devem ter o poder de abordar essas questões e se envolver num esforço nacional para chegar a termos com o passado e o presente da injustiça racial.

Por fim, a disseminação de desinformação, especialmente nas redes sociais, deve ser enfrentada. Devemos reformar essas plataformas e adotar o hábito de buscar informação acurada. A América corporativa e as comunidades religiosas devem incentivar o respeito às normas democráticas, a participação em eleições e os esforços para conter a desinformação.

Nossa grande nação hoje vacila à beira de um abismo que se aprofunda. Sem uma ação imediata, corremos um verdadeiro risco de conflito civil e de perder nossa preciosa democracia. Os americanos devem pôr de lado as diferenças e trabalhar juntos, antes que seja tarde demais.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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