Seca no Araguaia (TO), afeta reprodução de tartaruga da região, dizem pesquisadores | Jornal Nacional


Pesquisadores no Tocantins perceberam que a seca intensa no Rio Araguaia está afetando a reprodução de um tipo de tartaruga.

É pelo Rio Araguaia, no Parque Estadual do Cantão, que as equipes monitoram o período de reprodução da Tartaruga da Amazônia.

O rastro na areia indica que elas passaram recentemente, mas isso está ficando cada vez mais raro, como explica o coordenador do Projeto Quelônios, Wilson Junior.

“A gente sai todo dia de manhã e está sendo uma grande decepção, porque eu espero chegar aqui e isso aqui estar coberto de rastros, mas não é isso que está acontecendo este ano”, disse.

Essa espécie só sai da água para desova. Todos os anos, voluntários acompanham de perto e fazem demarcações com estacas. Em cada ninho nascem cerca de 100 filhotes.

Todos os dias as equipes do Projeto Quelônios fazem o monitoramento rigoroso nas praias em um trecho do Rio Araguaia. Até agora, foram encontrados cerca de 500 ninhos de Tartarugas da Amazônia. Esse número é bem menor do que o do ano passado, quando foram feitas mais de 2 mil demarcações.

“Os rios ficaram muito secos este ano, então elas também têm se dispersado quanto à localização. O que se pode falar é que os fatores climáticos têm influenciado nisso aí’, falou o supervisor do Parque Estadual do Cantão, Adailton Glória.

O Araguaia é um dos maiores rios do Brasil e teve, em 2021, a pior seca dos últimos 30 anos.

Quando você tem uma diminuição da precipitação da quantidade de chuvas, você tem como resultado menos tartarugas desovando nas praias do Araguaia. Quanto mais água tiver, fica mais fácil para ela se deslocar. Uma diminuição do nível d’água começa a ter muito gasto energético para deslocamento”, disse Adriana Malvario, pesquisadora da Universidade Federal do Tocantins.

Os poucos ninhos demarcados estão mais rasos e, também, mais distantes da água.

“Para você ter uma nova fêmea desovando, são pelo menos 15 anos. Se você perder 50% dos filhotes que nascem naquela área, o impacto é muito menor do que você perder 50% das fêmeas, porque no ano seguinte você vai continuar tendo as crias se você não impactar as fêmeas. Agora, agora se você impactar as fêmeas, o número de anos para você ter aquele número de fêmeas desovando naquela área vai demorar muito mais”, explicou a especialista em quelônios da WCS Brasil, Camila Ferrara.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original



Deixe um comentário

Este site usa cookies para que você tenha a melhor experiência do usuário. Se continuar a navegar, dará o seu consentimento para a aceitação dos referidos cookies e da nossa política de cookies , clique no link para obter mais informações. CONFIRA AQUI

ACEITAR
Aviso de cookies
Translate »