Rua dos Pinheiros tem restaurantes da moda e lanchonetes cheias de operários da construção – 28/10/2021 – Restaurantes

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Nada de empanadas gourmet ou do restaurante da moda. Na rua dos Pinheiros, os pontos mais disputados no almoço durante a semana são os do tipo bar e lanches —principalmente o Guedes, na esquina com a rua Antônio Bicudo, e a Lanchonete do Baianinho, no encontro com a Simão Álvares.

Quem enche os botecos é o pessoal que trabalha nas muitas obras em andamento na região, que em breve vão se tornar mais prédios no bairro. “Eles devem ser uns 90% do nosso público”, estima Mauricio Otoni, atendente na Lanchonete do Baianinho. “O movimento é até bom, mesmo com a pandemia.”

Não é exagero dizer que a via se transformou em um canteiro de obras nos últimos meses. Em seus 1,5 quilômetro de extensão, há pelo menos oito terrenos com tapumes, placas de incorporadoras ou com edifícios já em construção, além de estandes de vendas de diferentes empreendimentos imobiliários —a situação, aliás, é semelhante em todo o bairro.

O som das furadeiras e do bate-estaca se choca com o perfil que a via ganhou na última década, quando a rua dos Pinheiros se estabeleceu como um polo gastronômico por reunir alguns dos bares e restaurantes mais badalados da capital —como Bráz Elettrica, Le Jazz, Consulado da Bahia, Pirajá, Meats, Patties e o Boteco Paramount, para citar só alguns.

Mas o charmoso cenário da conhecida praça de alimentação em via pública, formado principalmente por casinhas e predinhos, ganhou intervenções visuais e sonoras com as novas construções. E a previsão é que essa fase dure pelo menos três anos.

Os bares e restaurantes atuam junto à pandemia como agentes catalisadoras das mudanças na paisagem da via. Muitos dos estabelecimentos que se despediram do público ou encerraram as atividades devido à crise da pandemia, como a Casa Carbone, no número 341, ou foram derrubados para dar lugar aos novos prédios.

É o caso de lugares como a Casa Suíça, o China In Box e o Subway, que eram vizinhos e ficavam na altura do número 703. No lugar das casinhas que hospedavam os restaurantes, uma placa anuncia um futuro empreendimento da incorporadora G.D8, que irá ocupar boa parte daquele quarteirão.

“A sociedade muda e o incorporador vai atrás para acompanhar”, diz Daniel Ribeiro, CEO da G.D8. “Hoje, os millennials preferem um apartamento menor e mais perto do trabalho do que uma casa grande no subúrbio”, diz. Ele explica que o projeto da rua dos Pinheiros será um edifício de uso misto, com muito verde, área dedicada à arte (“para a cidade”) e fachada ativa, com espaço para restaurantes. “A rua já tinha essa vocação gourmet e a gente quer mantê-la.”

Apesar dos fechamentos, a via também recebeu uma série de novos restaurantes nos últimos meses. Curiosamente, boa parte deles tem uma pegada mais saudável, como é o caso do Salad Bowl (no número 762), do Tasty Salad Shop (na altura do 570) e do Naked Coffee (no 404), enquanto três pizzarias da via —Pizza Hut, Fração da Pizza e Itzza— não estão mais lá.

João Sette Whitaker, professor de planejamento urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-secretário da Habitação da cidade, diz que o público sente mais a escalada da verticalização em Pinheiros porque é um bairro mais visitado, mas que ela ocorre por toda a capital.

Isso é reflexo do Plano Diretor Estratégico, uma lei de 2014 que orienta como e para onde irá se desenvolver a capital até 2030. Criado durante o mandato de Fernando Haddad (PT), ele passou por atualizações ao longo das gestões seguintes.

Resumidamente, a proposta é incentivar o uso do transporte público com a oferta de imóveis mais baratos em regiões próximas ao metrô ou corredores de ônibus, que deveriam ser construídos em locais que precisam ser adensados.

“Com isso, você autoriza uma construção muito maior em um raio de 600 m do metrô ou ao longo dos corredores de ônibus”, explica Sette. A intenção seria equilibrar a pendularidade urbana da cidade —o deslocamento da população para trabalhar na região sudoeste. Pinheiros é cercada por corredores e tem a estação Fradique Coutinho, da linha amarela do Metrô.

Apesar das incertezas em relação ao futuro do bairro, Daniel Ribeiro crê que Pinheiros não vá se tornar uma nova Berrini. Ele diz que os novos prédios foram planejados para que a região esteja sempre movimentada, seja com moradores, com o público dos restaurantes ou com o pessoal das empresas. “Eu acredito que Pinheiros vai ser o melhor bairro de São Paulo”, diz.

Cinco novidades na rua dos Pinheiros

Cabana Burger – r. Pinheiros, 877

Naked Coffee – r. dos Pinheiros, 404

Nanica – r. dos Pinheiros, 275

Purgatório – r. Pinheiros, 436

Tasty Salad – r. Pinheiros, 570

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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