Redes sociais e aplicativos mudam perfil dos corretores de imóveis – 26/11/2021 – Mercado

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O aquecimento no mercado imobiliário gerou não apenas o aumento na procura por imóveis, mas também pela corretagem. Nos oito primeiros meses deste ano, o país ganhou mais de 30 mil novos corretores, segundo o Sistema Cofeci-Creci, que regula a categoria. Um crescimento de 7,9% em relação ao total de credenciados em 2020, índice que não chega a ser surpreendente numa ocupação que é tradicionalmente procurada em tempos de crise.

Trabalho não falta, garante o presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana. Segundo ele, os 445 mil profissionais em atuação hoje no Brasil representam apenas 20% da demanda no país.

“Construtoras, incorporadoras e imobiliárias procuram profissionais e não encontram”, avalia Viana, que viu o número de habilitações mensais dobrar em São Paulo desde abril de 2020, para 2.000 novos profissionais por mês.

Um gargalo na profissão é a capacitação. Embora cerca de 70% dos corretores atuantes no país tenham nível superior, são cursos em áreas que nada têm a ver com a corretagem, que exige somente ensino médio e o curso técnico em transação imobiliária. Profissionais com o curso de gestão em negócios imobiliários, que equivale ao de tecnólogo, são cerca de 15 mil, ou menos de 3,5% do total.

Arquiteto de formação, Rafael Sorrigoto, 34, decidiu mudar para a corretagem depois de se tornar pai e sentir a necessidade de ter horários mais flexíveis do que na rotina como gestor de empreendimentos em incorporadoras. Entrou na imobiliária Refúgios Urbanos como corretor e, hoje, é sócio da empresa.

“Aqui temos profissionais de diversas áreas, que juntam vários conhecimentos. Acreditamos nessa diversidade e investimos em treinamentos porque, de fato, a formação do corretor, de maneira geral, é ruim”, afirma Sorrigoto.

“Mas é uma profissão em que, em termos de ganhos, o céu é o limite. Especialmente para quem tem disponibilidade e cabeça empreendedora.”

Nas redes sociais, não faltam corretores que prometem ensinar outros profissionais a ganhar milhões.

Atuando como influenciadores e usando técnicas típicas de coaching, eles aproveitam plataformas como Instagram e TikTok para angariar corretores ávidos por um estilo de vida cercado de luxo.

Com mais de 1,8 milhão de seguidores, o goiano Ricardo Martins, 34, se apresenta como o maior expositor imobiliário do Brasil e calcula ter vendido cerca de R$ 500 milhões só com os vídeos do TikTok. Mas o que ele expõe em suas redes vai muito além dos imóveis: sua vida pessoal com carros de luxo, rotina na academia e as transformações de quem há dez anos trabalhava como técnico de informática e hoje é sócio e diretor de marketing de uma imobiliária que nasceu na capital goiana e já soma 22 unidades espalhadas pelo país.

Um conteúdo pensado para reforçar sua marca pessoal, como ele mesmo ensina em seus cursos.

“Treino os corretores para eles aprenderem a se relacionar, a ter um branding pessoal muito forte, a tirar o foco do imóvel em si e botar no seu marketing pessoal. O cliente precisa te procurar pelo consultor que você é”, sentencia Martins, que, em setembro, realizou um reality show transmitido ao vivo em seu canal no YouTube para escolher um novo “corretor de elite” para sua imobiliária.

Corretor de elite é como Martins chama seu curso e os profissionais de alta performance, aqueles que já conseguem vender os tais milhões por mês que enchem os olhos de muitos que procuram a corretagem. Uma meta que, claro, poucos vão alcançar, como o próprio Martins admite:

“Realmente, é para poucos profissionais, para aqueles que investiram, têm muito conhecimento e trabalham duro. Muita gente procura a corretagem vislumbrando fazer uma grande venda. Mas a média de ganhos mensais da maioria não passa dos R$ 3.000. Se encarar como bico, vai ganhar como bico.”

A falta de salário fixo e ganhos regulares não é o único desafio dos corretores. O crescimento de startups e portais imobiliários que investem cada vez mais em tecnologia exige atualização constante desses profissionais.

Pesquisa elaborada pelo DataZAP+, área de inteligência do portal ZAP+, em junho deste ano, revela que os meios digitais aparecem no topo entre os canais mais utilizados pelos usuários do portal. Sites de imobiliárias (66%), portais especializados (63%) e sites de busca (42%) lideram a preferência. As perguntas eram de múltipla escolha.

Num cenário assim, seria o corretor dispensável?

O próprio portal levantou essa questão ao publicar, em setembro, um anúncio direcionado a proprietários de imóveis que sugeria a dispensa da intermediação imobiliária para economizar a taxa de 6% da corretagem. A peça publicitária causou revolta entre corretores e levou o ZAP+ a pedir desculpas lançando, poucos dias depois, uma campanha de valorização da profissão.

“A nova campanha já estava programada. Sobre a comunicação, foi uma publicação desalinhada com a estratégia de negócios do ZAP+, em que corretores e imobiliárias são parceiros”, afirmou o diretor de novos negócios do ZAP+, Marcelo Dadian.

Para ele, o papel do corretor deve ser de um curador, alguém que ajuda o cliente a tomar a decisão certa.

“O profissional do setor imobiliário precisa ser um especialista multidisciplinar. E aquele que conseguir reunir mais conhecimento, incluindo a gestão de ferramentas digitais, estará um passo adiante dos demais”, avalia Dadian.

O corretor que se limita a visitar imóveis vem desaparecendo. Em seu lugar, surge a figura do consultor, que entende da parte legal e burocrática da documentação, mas também de gestão financeira e precificação; que acompanha a política e economia do país para entender a fundo o mercado imobiliário e o melhor momento de investir.

O currículo inclui ainda ser um especialista na sua área de atuação e nicho de mercado e, claro, saber usar a tecnologia a seu favor.

“A maioria das pessoas compra e vende um, dois imóveis na vida. Isso significa que dois agentes, que não entendem nada daquele mercado, precisam se encontrar para fazer um negócio, que será o maior da vida deles. Por isso, a figura do corretor é indispensável”, afirma Tiago Galdino, diretor-executivo do Imovelweb.

Proptech criada em 2018 no Brasil, a Loft tem todas as suas transações imobiliárias intermediadas por corretores parceiros cadastrados na plataforma. Uma escolha estratégica da companhia, que usa a tecnologia como apoio e não finalidade, como explica o fundador e co-diretor-executivo da empresa, o húngaro Mate Pencz.

“Ainda há os profissionais mais tradicionais, que preferem o apoio das imobiliárias e não são muito afeitos à tecnologia. Num mercado como o imobiliário que é hiperlocal e num país com as dimensões do Brasil, é uma transformação que leva muitos anos, talvez décadas”, diz.

A corretora Graziella Labate, 49, no mercado há 18 anos e à frente da imobiliária Graziella dos Imóveis desde 2009, ela investe nas redes sociais como vitrine para seu negócio. Nos últimos três anos, cerca de 24% de seus clientes vieram do Instagram.

Mas, ela acredita, nada substitui o olho no olho.

“O robô, a máquina não vão substituir o conhecimento e a empatia. A tecnologia fortalece o processo de análise dos imóveis, apoia os corretores nos processos de venda e traz muitos dados. Mas a relação humana não acaba”, avalia Labate, que é formada em psicologia.

A habilidade de ouvir o cliente é apontada como uma das mais importantes para ser um bom corretor num momento de tantas mudanças, afirma Rodrigo Barbosa, 40, que atua como autônomo no mercado imobiliário carioca há cerca de oito anos.

“O meu cliente não quer saber de milhares de vendas, milhões de anúncios. Ele quer um atendimento personalizado, cuidadoso, dedicado. Faço questão de conhecer a casa dele, ver onde e como ele mora, do que ele gosta. É isso que vai me mostrar o que ele realmente quer [no imóvel]”, afirma Barbosa.

“Quando você encontra um imóvel que provoca encantamento, o cliente, muitas vezes, abre mão de uma característica que achava ser fundamental”, diz ele.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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