Qual é o impacto que nossas roupas causam ao meio ambiente? – Notícias

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O consumo excessivo e rápido de peças de roupa, que surge do padrão de produção do fast-fashion (moda rápida), é cada vez mais nocivo para o meio ambiente. Nosso lixo têxtil, consequência da lógica da moda descartável, leva cerca de 200 anos para se desintegrar.


As grandes marcas da indústria da moda trabalham com o modelo do fast-fashion em um ritmo rápido de produção, barateando o custo final das peças e diminuindo seu tempo útil de uso. Quem nunca comprou determinada roupa com preço baixo e, depois de usá-la poucas vezes, jogou-a fora? Algumas marcas são capazes de lançar mais de 50 coleções de novos produtos por ano.


Esse grande volume de descarte traz um alto preço. De acordo com um estudo da ONU de 2019, a produção de roupas no mundo dobrou entre 2000 e 2014, o que mostra que se trata de uma indústria “responsável por 20% do total de desperdício de água globalmente”. O mesmo relatório também revela que a fabricação de roupas e calçados gera 8% dos gases do efeito estufa.


Marina Colerato, pesquisadora de economia política, mudanças climáticas e questões de gênero e diretora do Instituto Modefica, afirma que existem vários momentos de descarte: “Eles ocorrem durante a produção das roupas, quando há desperdício das peças-piloto que não deram certo, com as sobras de coleção, e ainda com o descarte das peças pelos consumidores”.


“Atualmente, as empresas recolhem as roupas, sem pensar na circularidade e no primeiro passo, que seria a diminuição da produção. No Brasil, produzimos 9 bilhões de peças têxteis por ano”, completa.


O relatório Fios da Moda, publicado pelo Instituto Modefica neste ano, traz um panorama do impacto ambiental das fibras mais usadas pela indústria da moda: algodão, poliéster e viscose.


O texto mostra que as fases de cultivo, tingimento, confecção e uso do algodão são as principais causas dos danos ambientais causados pela fibra. Além disso, durante seu cultivo, pesticidas tóxicos e ambientalmente persistentes ainda são amplamente utilizados em países do Sul global.


Durante seu ciclo de vida, o poliéster tem seus grandes impactos ambientais associados ao uso de energia e de combustíveis fósseis. Em relação ao uso da água, toda a quantidade necessária para a produção da fibra sintética volta poluída ao ecossistema.


Já a produção de viscose está diretamente ligada ao desmatamento. Segundo o levantamento, “cerca de 30% da viscose é proveniente de árvores de florestas nativas e ameaçadas de extinção, incluindo a Amazônia”.


O gráfico abaixo mostra o ranqueamento qualitativo das fibras mais utilizadas na indústria têxtil — algodão, poliéster e viscose — em relação aos impactos ambientais associados




Lixão da moda




Fotos de montanhas de lixo têxtil no deserto do Atacama, no Chile, circularam pela internet em novembro e causaram grande impacto. O local se transformou em um grande “lixão da moda”, em consequência do uso excessivo e rápido das roupas e de seu descarte irregular. 


Para Fernanda Simon, diretora-executiva do movimento Fashion Revolution no Brasil, “o caso do deserto do Atacama nos mostrou um problema que é urgente na indústria da moda, que já é recorrente há algum tempo, mas pouco considerável”.


“Essa realidade do fast-fashion propõe uma produção rápida de roupas geralmente sem qualidade, os produtos são feitos para ser consumidos logo, e depois descartados.”


O movimento Fashion Revolution, do qual Fernanda faz parte, foi criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. A tragédia ocorreu no dia 24 de abril de 2013 e matou 1.134 trabalhadores de uma confecção, além de deixar mais de 2.500 feridos. As vítimas trabalhavam em condições análogas à escravidão para grandes marcas. 


Por meio da campanha #QuemFezMinhasRoupas, o movimento também tenta trazer conscientização sobre o impacto da indústria da moda em todas as fases do processo de produção e consumo dos produtos. 


O Índice de Transparência da Moda, realizado pelo Fashion Revolution Global em 2021, revelou que apenas 30% das marcas analisadas publicam compromissos mensuráveis ​​e com prazo determinado de descarbonização, e apenas 25% publicam metas para reduzir o uso de têxteis derivados de combustíveis fósseis virgens.


“Quando olhamos de uma forma geral para esse setor, entendemos que antes de tudo precisamos de uma mudança sistêmica (…) ainda precisamos caminhar muito e de mais responsabilização das marcas”, aponta Fernanda. 


Soluções


Para solucionar essa realidade nociva do processo de produção e de descarte dos produtos têxteis, Marina Colerato aposta na economia circular. De acordo com o relatório Fios da Moda, o modelo econômico é baseado em “separar crescimento e desenvolvimento da extração, produção e consumo de recursos finitos”.


A proposta visa reduzir o desperdício de materiais, a poluição e os resíduos tóxicos e aumentar o tempo de uso de produtos e materiais. “A economia circular não é sobre reciclar, antes de tudo precisamos reduzir a produção, e isso não tem sido feito. Na lógica do fast-fashion não existe circularidade”, afirma Marina.


Ela ainda destaca que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, é ótima para vários materiais, mas poderia funcionar melhor para o setor têxtil.


Fernanda Simon cita a economia regenerativa. “Precisamos pensar em processos produtivos que estejam contribuindo para a regeneração do nosso sistema, como matérias-primas que venham de uma produção agroflorestal e orgânica, trazendo nutrientes para o solo e respeitando o seu tempo de produção.”


“O setor público precisa estar mais engajado nas pautas ambientais, precisamos de políticas públicas mais eficientes e de mais responsabilidade do setor privado. Hoje em dia, as pessoas estão mais conscientes do impacto ambiental das roupas e as marcas já entenderam que elas precisam ser mais atuantes e precisam estar conectadas nesse processo de mudança, mas ainda há muito a ser feito.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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