Proteínas ajudam a descobrir o melhor plano de exercícios – 21/06/2022 – Equilíbrio

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Se todos nós começarmos a mesma rotina de exercícios físicos amanhã, alguns ficarão muito mais condicionados, outros ficarão um pouco mais em forma e alguns poderão realmente perder a forma. As respostas de cada pessoa aos exercícios podem variar muito e, até agora, de forma imprevisível.

Mas um estudo feito com mais de 650 homens e mulheres sugere que os níveis de certas proteínas na corrente sanguínea podem predizer se e como responderemos a diversos programas de exercícios.

A pesquisa ainda precisa ser replicada e expandida, mas representa um começo significativo na direção de um exame de sangue que indique os melhores tipos de exercício para cada pessoa, e se podemos obter mais ou menos benefícios do mesmo treino que nosso cônjuge, filhos e outros parceiros ou rivais de treino.

A resposta ao exercício é um tema que provavelmente deveria ser discutido com maior frequência e abertura do que é. Sabemos que o exercício é maravilhoso para a nossa saúde. Inúmeros estudos mostram que as pessoas que se exercitam tendem a viver mais, mais felizes e com menos risco de muitas doenças do que as pessoas sedentárias.

Mas essas descobertas se referem a médias amplas. Analisando os dados do estudo de perto, podemos encontrar uma gama estonteante de reações, desde ganhos de saúde e condicionamento físico descomunais em algumas pessoas até nenhum em outras. (O mesmo vale para as respostas aos programas de perda de peso.)

Infelizmente, pouca coisa sobre nossos corpos e estilos de vida prevê como responderemos ao exercício, incluindo nossa genética. ​

Gêmeos idênticos, com DNA idêntico, podem reagir de maneira bastante diferente aos treinos, mostram estudos, assim como pessoas igualmente magras, obesas ou em forma no início de um novo programa de exercícios. Algumas, por razões misteriosas, acabam ficando mais aptas e saudáveis do que outras.

Esses enigmas intrigaram pesquisadores da Universidade Harvard, do Centro Médico Beth Israel Deaconess em Boston, nos Estados Unidos, e outras instituições. Os cientistas há muito se interessam em saber como o exercício modifica o ambiente molecular dentro do corpo, como essas mudanças influenciam a saúde e quão diversas podem ser as alterações.

Agora, para o novo estudo, publicado em maio na Nature Metabolism, eles decidiram ver se certas moléculas no sangue das pessoas podem estar relacionadas a como suas fisiologias reagem aos treinos.

Para descobrir, eles recorreram primeiro ao valioso acervo de dados obtidos no estudo em grande escala da Fundação Heritage, que investigou exercícios e saúde em pais e filhos adultos. Esse estudo incluiu testes laboratoriais precisos da aptidão aeróbica das pessoas, bem como coletas de sangue, seguidas de 20 semanas de exercícios aeróbicos moderados e mais testes.

Os pesquisadores agora extraíram registros de 654 homens e mulheres que participaram do estudo da Heritage, de diversas idades e etnias, e começaram a examinar profundamente seu sangue.

Eles se concentraram nas variedades de moléculas de proteínas grandes e complexas criadas em tecidos por todo o corpo que, quando liberadas na corrente sanguínea, fluem e iniciam processos biológicos em outros lugares, afetando o funcionamento do corpo.

Usando instrumentos moleculares de última geração, os cientistas começaram a listar os números e tipos de milhares de proteínas na corrente sanguínea de cada uma das 654 pessoas. Em seguida, eles tabularam esses números com dados sobre a aptidão aeróbica de todos, antes e depois dos cinco meses de exercícios.

Surgiram padrões claros. Os níveis de 147 proteínas estavam fortemente associados à condição física básica das pessoas, segundo descobriram os pesquisadores. Se alguns desses números de proteínas fossem altos e outros baixos, os perfis moleculares resultantes indicavam o nível de condicionamento da pessoa.

Mais intrigante, um conjunto separado de 102 proteínas tendia a prever as respostas físicas das pessoas ao exercício. Níveis mais altos e mais baixos dessas moléculas –das quais poucas se sobrepunham às proteínas relacionadas à condição física básica das pessoas– indicavam até que ponto a capacidade aeróbica de alguém aumentaria, se é que aumentaria, com o exercício.

Finalmente, como a aptidão aeróbica está fortemente ligada à longevidade, os cientistas cruzaram os níveis das várias proteínas relacionadas à aptidão no sangue de pessoas inscritas em um estudo de saúde separado, que incluiu registros de mortalidade, e descobriram que as assinaturas de proteínas que implicam menor ou maior resposta de aptidão também significaram vidas mais curtas ou mais longas.

Tomados como um todo, os resultados do novo estudo sugerem que “ferramentas de perfil molecular podem ajudar a adaptar” os planos de exercícios, disse o dr. Robert Gerszten, professor na Escola de Medicina de Harvard e chefe de medicina cardiovascular no Centro Médico Beth Israel Deaconess, que conduziu o novo estudo com seu autor principal, dr. Jeremy Robbins, e outros.

Uma pessoa cuja assinatura de proteínas na corrente sanguínea sugere que ela pode ganhar pouco condicionamento físico com uma rotina moderada de caminhada, ciclismo ou natação, por exemplo, pode ser instigada a fazer exercícios de alta intensidade ou treinamento de resistência, disse Gerszten.

Essa área de pesquisa, entretanto, ainda está na infância, disseram ele e Robbins. Os cientistas precisarão estudar muito mais pessoas –que têm disparidades muito mais amplas em saúde, condicionamento físico, idade e estilo de vida– para se concentrar em quais proteínas são mais importantes para prever a reação de um indivíduo aos exercícios.

Os pesquisadores também esperam voltar atrás e descobrir de onde essas moléculas se originaram, para entender melhor como o exercício refaz nossos corpos e molda nossa saúde. Teremos resultados mais refinados dentro de alguns anos, disse Gerszten.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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