Planeta 9 pode ter sido detectado por telescópio espacial há quase 40 anos


Entre os antigos arquivos do Infrared Astronomical Satellite (IRAS), um observatório espacial lançado em 1983 e já aposentado, pode estar uma pista sobre o hipotético e polêmico Planeta 9. É que um novo estudo usou os dados desta missão para procurar emissões no infravermelho e encontrou três candidatos. Será que algum deles revela um mundo onde um ano dura 20 mil anos terrestres?

A história do Planeta 9 é recente, mas o interesse científico é muito grande. Por isso, mesmo que as chances de sua existência sejam pequenas, os astrônomos estão ansiosos para finalmente obter uma resposta definitiva sobre o assunto, seja qual for. Assim, o novo estudo do pesquisador Michael Rowan-Robinson, do Imperial College London no Reino Unido, analisou dados coletados pelo IRAS, que fez varreduras de 96% do céu.

O IRAS operou por apenas 10 meses, mas fez uma pesquisa muito ampla no infravermelho. Neste comprimento de onda, objetos pequenos como o Planeta Nove podem ser detectados, então Rowan-Robinson decidiu reanalisar os dados usando parâmetros consistentes com as deduções de estudos anteriores sobre o mundo hipotético.

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De acordo com as estimativas, o tal planeta poderia ter cinco a 10 vezes a massa da Terra, orbitando a uma distância de 400 e 800 unidades astronômicas (uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol). Para se ter uma ideia, Plutão está a meras 40 unidades astronômicas do Sol. Essa distância descomunal é um dos principais motivos da dificuldade em descobrir se o Planeta 9 existe mesmo ou não — além do fato de não sabermos onde exatamente ele estaria.

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(Imagem: Reprodução/R. Hurt/Caltech)

Cerca de 250.000 fontes pontuais foram detectadas pelo satélite IRAS em sua pesquisa em 1983, mas, dentre elas, apenas três são interessantes candidatas ao Planeta Nove. Em junho, julho e setembro daquele ano, o telescópio espacial de infravermelho detectou o que parecia ser objetos se movendo no céu. Parece animador, mas há outros fatores a se analisar, como a própria qualidade dos dados do IRAS, que não é boa o suficiente para essa “caça” ao Planeta Nove.

Ainda não se sabe a distância exata dessa fonte, por isso o pesquisador adverte que pode se tratar de outros tipos de detecção, como algo que os astrônomos chamam de cirros galácticos — nuvens filamentosas que brilham no infravermelho distante. Mas se interpretarmos o candidato como real, os dados dizem que o planeta teria entre três e cinco vezes a massa da Terra e orbitaria a uma distância de cerca de 225 unidades astronômicas.

Por fim, o movimento da fonte através do céu oferece uma ideia da órbita do planeta, que poderia ser calculada após estudos mais refinados. Com uma órbita potencial, os astrônomos poderiam procurar essa mesma fonte em dados de outros telescópios de infravermelho. “Valeria a pena pesquisar em comprimentos de onda ópticos e infravermelhos próximos em um anel de 2,5-4 graus de raio centrado na posição de 1983”, escreveu o autor do estudo”.

O artigo está disponível no arXiv e foi aceito para publicação no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Science Alert

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