Personalidade autoritária move policial que tirou paraplégico negro à força de carro – 13/10/2021 – Cida Bento

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Clifford Owensby, de 39 anos, homem negro paraplégico, disse que se sentiu impotente quando foi puxado por policiais, para fora do seu veículo, depois foi jogado no chão e algemado antes de ser colocado na parte traseira de um carro de patrulha. Owensby disse repetidamente aos agentes que não podia sair do carro, pois era paraplégico. Agarrou-se ao volante e então foi tirado à força do veículo.

“Eu não deveria ter que sair de casa todos os dias me perguntando se isso vai acontecer comigo de novo” diz ele. O caso aconteceu em setembro de 2021, em Ohio, nos EUA e está sendo investigado.

A ação policial foi registrada pela câmera de vídeo de um dos próprios agentes e vem ganhando visibilidade nos últimos dias.

O exercício de uma violência racial tão explícita, cometida por agentes do estado chama a atenção, pois foi filmado por câmeras instaladas nas roupas dos próprios policiais revelando que, de alguma maneira, eles se sentem autorizados a proceder desta forma.

Em períodos de forte autoritarismo em que líderes políticos colocam para fora seu racismo, antissemitismo, machismo, homofobia sem censuras, cria-se um clima social onde este tipo de violência explícita prolifera, provocando, mobilizando apoio dos segmentos mais conservadores da população.

É um tipo de ação que lembra os estudos da teoria da Personalidade Autoritária, sobre preconceito realizados durante o regime nazista, que revelam que em períodos de crise social, econômica e política, o povo resolve sua necessidade de encontrar bodes expiatórios para descarregar ira e frustração, escolhendo e fortalecendo líderes que exercem a violência sempre contra grupos que consideram inferiores ou “não iguais”.

Neste contexto, pessoas ou grupos são colocadas fora do limite em que estão vigendo regras e valores morais, mostrando que a norma da afeição humana foi violada e está ocorrendo um distanciamento psicológico e ausência de compromisso moral em relação aos que são considerados “não iguais”. Eles estão fora do nosso universo moral e “autorizam” o exercício da maldade humana.

No Brasil, o foco deste tipo violência é principalmente a população negra, que representa 77% das vítimas de homicídio, segundo o Atlas da Violência 2021, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Uma pesquisa divulgada em 2016, por este mesmo Fórum, revela que para 70% da população, os policiais costumam abusar da violência, ainda assim 60% concorda com a frase “bandido bom é bandido morto”. E o perfil deste bandido no imaginário social é negro, mesmo que estejamos saturados de ver seguidamente na televisão, como no caso da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, agentes privados em conluio com agentes públicos, cuja maioria não é negra, não é de periféricos, não é pobre (muito pelo contrário), exercendo grandes roubos e desvios de recursos públicos que geram a morte de milhares de brasileiros.

Assim é que temos que comemorar quando organizações públicas e privadas se posicionam e se movimentam em direção a um Brasil menos desigual e violento, mais justo e equânime. Porém este processo deve ocorrer de maneira sistêmica.

É inaceitável que gestores públicos possam ser tolerados e até apoiados financeiramente desde que assegurem que reformas de interesse da “elite” sejam realizadas, a preço de uma mortandade sem fim, principalmente da população mais vulnerável.

Não há ESG (sigla em inglês para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de organizações), não há políticas de diversidade e equidade, que minimizem os estragos causados ao país, quando estes líderes no executivo, no legislativo, no judiciário e no mundo corporativo são apoiados e fortalecidos.


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Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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