Perseverance reconstrói história de lago marciano e identifica rochas com potencial para abrigar fósseis – Mensageiro Sideral


A primeira análise científica das imagens produzidas pelo rover Perseverance aponta que ele de fato pousou num ótimo lugar para procurar sinais pregressos de vida marciana. A cratera Jezero teve uma rica história com água, com um lago que se manteve estável até uns 3,7 bilhões de anos atrás.

O trabalho, publicado na edição desta semana da revista Science, é o primeiro a trazer resultados da mais recente missão da Nasa ao planeta vermelho.

Mesmo à distância, o rover pôde colher imagens detalhadas da região onde, a partir da órbita, os cientistas já viam uma formação similar a um delta de rio seco, conduzindo ao interior da cratera. Retratos de partes da borda oeste, dentre elas uma estrutura batizada informalmente como Kodiak, foram colhidos com a câmera Mastcam-Z e com a SuperCam, a 2,2 km de distância. Sua análise foi liderada por Nicolas Mangold, da Universidade de Nantes, na França, e Sanjeev Gupta, do Imperial College de Londres, e revela diversas camadas de deposição de sedimentos em vários trechos da encosta.

A exemplo do que acontece na Terra, essa estratificação em camadas permite inferir a história geológica de como aquelas rochas se formaram. E, no caso em questão, elas contam uma narrativa bastante interessante e consistente com a visão prevalente sobre o passado de Marte.

As camadas mais inferiores, portanto mais antigas, formam um padrão de deposição horizontal e narram a história da cratera até cerca de 3,7 bilhões de anos atrás. Eles indicam um fluxo constante de água para o lago, consistente com a ideia de que Marte, até essa época, era um lugar mais quente, úmido e abrigava corpos líquidos de forma estável em sua superfície.

A data é relevante, já que, aqui na Terra, os primeiros vestígios incontroversos de vida, encontrados na Groenlândia, datam da mesma época (3,7 bilhões de anos atrás), embora haja alguns possíveis microfósseis ainda mais antigos (4,1 bilhões de anos) em rochas australianas e outros ainda mais remotos (4,3 bilhões) no Canadá. Marte e Terra se formaram, junto com os demais planetas do Sistema Solar, por volta de 4,5 bilhões de anos atrás.

Já a camada superior, mais recente, testemunha outra fase do planeta. Há pedras inteiras em meio aos sedimentos, indicando fluxos de alta energia ocasionais. Marte passou a ser episodicamente “molhado”, no início do processo de ressecamento que levou ao atual estágio, em que água (quase) nunca flui na superfície. “Essa sucessão sedimentar indica uma transição, de atividade hidrológica sustentada em um ambiente de lago persistente, para fluxos fluviais de curta duração altamente energéticos”, escreveram os pesquisadores.

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Representação da dimensão do lago durante a formação das primeiras camadas da formação Kodiak (azul), comparada às dimensões estimadas do lago em seu momento mais amplo, feitas com imagens orbitais (contorno preto). A estrela indica o sítio Octavia E. Butler, local de pouso do Perseverance. (Crédito: Mangold et. al/Science)

O MAPA DA MINA
Parte importante do trabalho foi indicar potenciais caminhos para o futuro da missão do Perseverance, cujo objetivo central é buscar potenciais evidências moleculares (as chamadas “bioassinaturas”) de vida pregressa em Marte.

Pelas imagens, no fundo das encostas, os autores identificam camadas promissoras do que parecem ser pedras de lama e argila finamente granuladas, tipos de rocha que poderiam em tese preservar traços de biologia antiga no planeta vermelho — isso se houve de fato alguma coisa viva por lá no passado distante.

Ao longo dos próximos meses, o Perseverance deve se deslocar para a direção do delta, numa travessia que deve oferecer alguns desafios, dada a irregularidade do terreno. O rover chegou a Marte em 18 de fevereiro de 2021 e nos primeiros meses trafegou relativamente próximo à sua região de pouso, embora já tenha avançado 2,6 km. No momento, ele está em repouso, esperando o fim do alinhamento temporário entre Marte e o Sol que impede comunicação com a Terra. Com o retorno às operações, no fim deste mês, deve começar a avançar com mais afinco na direção dessa formação mais próxima da borda oeste do delta.

Além de fazer análises de composição química de rochas em solo, o Perseverance tem a missão de colher e armazenar amostras, para futuro envio de volta à Terra. Muitos cientistas acreditam que evidências inequívocas de vida marciana só poderão ser obtidas quando esses testemunhos rochosos forem estudados detalhadamente em laboratórios terrestres. Mas, no que é um avanço importante para a missão, os cientistas já têm alvos importantes para estudar e amostrar.

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