Paulistano põe a mão na massa para fazer o próprio macarrão – 25/10/2021 – Comida


Este ano, o Dia Mundial do Macarrão, comemorado neste 25 de outubro, tem gosto diferente. A começar por ter sido este um dos alimentos mais consumidos na pandemia —segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), o consumo per capita, em 2020, chegou a 6,4 quilos, contra os 6,1 quilos de 2019.

Trocando em miúdos, cada brasileiro comeu três pratos a mais de massa ao longo do ano.

Só que não entram nas contas da entidade todo o macarrão que passou a ser feito em casa, à moda antiga, na bancada enfarinhada. Para se ter uma ideia, o e-commerce Americanas.com mais que quadruplicou as vendas de produtos específicos para a produção de massas caseiras em 2020.

A lista engloba de cortadores do tipo carretel, a R$ 9,32, a máquinas manuais para cilindrar e cortar a massa, com preços que vão de R$ 97,99 a R$ 1.004,39.

Cintia Amaral, 38, é uma das “neomasseiras” da pandemia. Durante a quarentena, ela se dedicou mais à cozinha e passou a assar pães em casa, mas achava que fazer macarrão era um passo complicado demais.

Bastou uma única aula na escola Accademia Gastronomica, no entanto, para que perdesse o medo. “É bem mais fácil do que eu pensava, parece mágica!”, diz.

Sem equipamentos adequados em casa, ela abriu a primeira massa usando uma garrafa de vinho, mas logo se rendeu à máquina manual, capaz de cilindrar e cortar os fios. Pagou R$ 185 pelo equipamento.

Três cursos depois, Cintia já faz até massas recheadas. Mas a preferida dos filhos, os gêmeos Romeu e Raul, de cinco anos, é o espaguete com molho de tomate.

Durante a pandemia, gente como Cintia encheu as salas de aula —presenciais e virtuais– das escolas de culinária de São Paulo.

O megaempório Eataly promoveu lives gratuitas que chegaram a registrar 1.500 acessos cada uma. Chef executivo da casa e professor, José Barattino observou um boom de entusiastas da cozinha, que passaram a encarar o macarrão caseiro como hobby.

“Muita gente espera encontrar aquele lado chato da cozinha, de muita técnica, temperaturas precisas e equipamentos caros, mas adoro derrubar esses mitos. De cara, ensino a medir um punhado de farinha de trigo e jogar na balança. A partir daí, ninguém mais precisa pesar a farinha, porque já sabe quanto pesa o próprio punhado”, explica.

A possibilidade de se divertir fazendo macarrão é também o mote das aulas do chef Carlos Siffert, professor da escola WK Cozinha. “Nosso viés é trabalhar como uma brincadeira séria. Todo paulistano tem uma relação íntima com as massas, e não há quem não goste de aprender a fazer. É uma atividade muito lúdica.”

Pode ser simples, ele diz, mas ter um professor experiente ajuda a entender pequenos truques que fazem diferença. Por tratar-se de uma massa seca, por exemplo, muita gente acha que a receita deu errado e cai na tentação de adicionar mais água e ovo, o que inviabiliza cortá-la depois.

A melhor parte, ele emenda, é que se aprende o básico em muito pouco tempo —de uma aula de quatro horas de duração, garante, o aluno sai capaz de fazer macarrão. As massas de fio, como espaguete, são as mais indicadas para quem está começando.

Há quem prefira se aprofundar no aprendizado e passe anos se aprimorando. Moradora de Caxias do Sul (RS), Manu Oltramari fez cursos de gastronomia e vinhos em vários países antes de lançar o curso online Mestre em Massas e Molhos, em 2018.

As mais de 50 aulas ministradas por ela, com cerca de dez minutos de duração cada uma, mergulham no receituário italiano clássico e podem ser assistidas livremente ao longo de dois anos. Há conteúdo sobre harmonização com vinhos, e outro com dicas para profissionalizar a produção e vendê-la por delivery.

Na pandemia, o negócio deslanchou. “Em meados de 2020, entraram mais de 1.000 novos alunos por mês”, contabiliza Manu, que diz já ter ensinado a técnica a mais de 14 mil pessoas desde a fundação do curso.

A quem pensa que ter uma bancada tamanho GG é fundamental, a professora avisa que dá, sim, para fazer massa em cozinhas compactas. “Conforme você adquire prática, não precisa enfarinhar tanto a superfície e consegue manipular a massa em uma tábua de 50 x 40 cm.”

Por outro lado, Manu é rígida com a seleção de receitas. “Não ensino a fazer rondele e outras massas recheadas de queijo e presunto, que só existem aqui no Brasil. Me limito ao receituário clássico italiano.”

Além das massas, ela mostra como preparar molhos, como o ragu à bolonhesa —mas do jeito italiano. “Na Itália, usa-se leite, um segredinho que poucos brasileiros conhecem”, entrega.

Já o curso comandado pela chef Carla Pernambuco foca em receitas autorais que fazem sucesso no restaurante Carlota, como o fusilli com camarão à provençal e o nhoque de batata com ervas. Com direito a entrada, sobremesa e vinho, a aula mais parece um jantar entre amigos.

Os alunos aprendem a fazer as massas do zero, usando equipamentos domésticos, e também têm a chance de observar a extrusora que a chef acaba de comprar. “Com ela, faço os mais diferentes formatos”, propagandeia.

Quem nunca se aventurou a produzir massa caseira pode se inspirar em um perfil do Instagram que tem feito sucesso por aqui. O @pastagrannies exibe fotos e vídeos de “mammas” e “nonas” italianas, exímias masseiras, que modelam fios, capeletes e raviólis com uma destreza de fazer inveja. Depois de assisti-las, é difícil resistir a virar “neomasseiro” também.


Onde aprender

Accademia Gastronomica

Como é: Duas aulas práticas presenciais a cargo do chef Leonardo Tavares, que incluem brinde com limoncello artesanal, vinho (ou cerveja) e café espresso.

Onde: R. Inhambu, 1126, Moema.

Quanto: R$ 680.

Quando: 6 e 7 de dezembro.

www.agastronomica.com.br

Carlota é Massa!

Como é: A chef Carla Pernambuco ensina o preparo de focaccia, mais três massas e seis molhos. A aula prática inclui vinho e sobremesa.

Onde: Rua Sergipe, 753, Higienópolis.

Quanto: R$ 400.

Quando: 23 de novembro.

www.instagram.com/carlapernambucocarlota

Mestre em Massas e Molhos

Como é: Cerca de 50 vídeos curtos, que o aluno pode assistir como quiser, com direito a suporte da professora Manu Oltramari durante dois anos.

Quanto: R$ 297.

www.manuoltramari.com.br



Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original



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