Oferta de equipamentos vai do nicho ao varejão – 11/02/2022 – É Logo Ali

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Já falamos aqui da importância de escolher um calçado adequado para cada atividade ao ar livre, da diferença que faz uma mochila mais leve, e dos cuidados que devemos observar antes de sair por aí batendo perna. Falamos até de democracia, vejam só, porque nem tudo o que parece simples realmente o é —ao menos, não o tempo todo. Aliás, quem quiser saber o que é complicação, é só procurar uma loja de equipamentos esportivos de grande porte, assim, como uma Decathlon, para se perder em meio a muitos milhares de modelos de botas, papetes, barracas, mochilas, enfim, toda uma parafernália de produtos de cores e especialmente desenvolvidos para encantar os olhos com a promessa de assegurar a melhor experiência para sua aventura. Mesmo que ela inclua apenas ir até a pracinha mais próxima.

Empresa francesa fundada em 1976 na cidade de Villeneuve-d’Ascq, a Decathlon é líder mundial do segmento esportivo e tem hoje uma espantosa rede de 1.700 lojas espalhadas por pelo menos 65 países. Aqui no Brasil, segundo o gerente de marca Fábio Cedano, são 45 lojas que oferecem em torno de 7.000 itens diferentes para 65 modalidades esportivas. Sua capilaridade impressiona: nenhum caminhante mundo afora consegue deixar de constatar que, a olho nu, 8 de cada 10 trilheiros usam muito, se não todo o equipamento que carregam saído das prateleiras de suas hiper-lojas. Não é pouca coisa.

Embora a empresa não forneça números locais, o balanço mais recente disponível no mercado revela que seus lucros mundiais mal foram afetados pelo isolamento pandêmico do consumidor potencial: o lucro líquido da companhia se manteve praticamente estável em 550 milhões de euros (R$ 3,3 bilhões) em 2020 ante o ano anterior, e suas vendas quase dobraram em todos os países, à exceção da China. As vendas online saltaram de 8% para 19% do total do ano, chegando aos 2,2 bilhões de euros (R$ 13,2 bilhões).

E foi circulando pelos corredores da Decathlon, por exemplo, que esta blogueira descobriu que havia diferença entre mochilas masculinas e femininas. E não, não é diferença tipo rosa-para-meninas e azul-para-meninos, essa obsessão de uns e outros lá em Brasília. Acontece que, como é importante que o ponto de apoio do peso não se pendure dos ombros, mas se acomode nos quadris, o formato do corpo determina o modelo ideal da mochila. Hashtag, fica a dica.

Como em todos os segmentos de consumo, a experiência de montar seu equipamento pode ser adaptada tanto ao potencial de cada orçamento e à vontade de exibir grifes diferenciadas, quanto a valores outros que calibram a escolha consciente de quem quer saber direitinho como é fabricado e por quem cada produto que vai acompanhar sua jornada.

Para a turma que gosta de ostentar que valoriza gente como a gente, que vai lá, faz e mostra o processo, a empresa paranaense Alto Estilo é um ótimo caso de sucesso.

“Quando começamos a escalar, em 1980, não havia nada, usávamos tênis ou Kichute”, conta Chiquinho Hartmann, 54, fundador da Alto Estilo. Para quem não se lembra ou nem era nascido, Kichute era um tênis preto lançado pela Alpargatas em 1970, que tinha cravos no solado imitando chuteiras. Provavelmente, a empresa nunca imaginou que veria seu calçado subindo pelas paredes, mas era o que tinha.

“Começamos então, eu e meu irmão, a fazer em casa nossas mochilas e sacos de dormir e logo os amigos começaram a pedir que fizesse para eles, mas era muito difícil conseguir matérias-primas, só mesmo em lojas de sapataria”, continua Chiquinho, que é uma lenda do montanhismo brasileiro. Depois de três anos com a marca Werty, em 1988, abriu a Alto Estilo e seguiu adiante.

“A primeira mochila cargueira que fizemos foi impossível concluir por inexperiência”, lembra. Com os erros, descobriu como fazer boas peças, que testava no quintal de casa —ele tinha ido morar no Anhangava (PR), aos pés da montanha que virou seu campo de provas. De quebra, potenciais clientes passavam pela porta para acessar a cobiçada trilha, apreciando seus produtos e impulsionando a empresa. De especialista em escaladas, a Alto Estilo ampliou seu leque de produtos para praticantes de trekking e hiking.

OK, vamos lá, para os não iniciados: trekking é a jornada que dura mais de um dia e, em geral, demanda passar a noite na natureza, seja em alojamento ou barraca. Já hiking é a trilha de bate-e-volta, de um dia, a jornada mais curta que permite ao cidadão ir, voltar e ainda assistir à novela das nove.

A Alto Estilo não tem loja física. “Já tivemos, mas o custo de manter uma loja aumenta muito o preço do produto”, conta o engenheiro mecânico, 37 anos de idade e 27 de montanhismo e sócio da empresa, David Rocha. A solução encontrada para enfrentar o mercado crescente foi vender apenas pelo site, e só no Brasil. “Tivemos demandas internacionais, especialmente pela mochila ultra-leve, mas os custos de envio e exportação acabam inviabilizando as vendas”, explica.

O grande diferencial da Alto Estilo, segundo Rocha, é “a diferença gritante de preço comparado com as grandes marcas do mercado, e a resistência de nossos produtos”. Ele conta que, como as trilhas de países mais desenvolvidos costumam ser mais amplas, a resistência dos materiais usados nas marcas internacionais nem sempre se adequa aos perrengues das trilhas brasileiras. “Lá elas sofrem menos com atrito com rochas e vegetação”, acrescenta, “e cada bioma tem uma peculiaridade, exige equipamentos diferentes”.

Outro fator que Rocha destaca é a durabilidade de seus produtos. “Temos clientes que se orgulham de dizer que usam a mesma mochila há mais de 15 anos, é bem de acordo com nosso lema, que é ‘projetadas por quem usa, feitas para durar’”, explica.

Para ele, viajar leve é uma tendência que veio para ficar. “É mais saudável, poupa o corpo e permite ir mais rápido e mais longe”, resume.

E ele está muito certo.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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