Odessa, estratégica para a Ucrânia, prepara-se com barricadas para reagir à invasão russa – 03/03/2022 – Mundo

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“Se eles tentarem entrar da praia, nós os receberemos calorosamente.”

Com uma balaclava preta e uniforme camuflado bege, um soldado ucraniano alto e magro guardava a rua que dá acesso ao famoso prédio da Ópera de Odessa. A postura ereta o fazia parecer ainda mais alto, e a metralhadora em seus braços longos mais parecia um brinquedo. A 74 km, uma frota russa de navios de guerra aguarda ordens para desembarcar na costa da principal cidade portuária da Ucrânia.

Grande parte das ruas do centro de Odessa estão obstruídas por barricadas de sacos de areia, blocos de concreto e armações de aço feitas com três pedaços de trilhos de trem soldados em forma de estrela.

Até mesas de uma loja do McDonald’s foram colocadas no meio da principal avenida da cidade, servindo como obstáculo entre soldados do Exército ucraniano, milícias neonazistas com metralhadoras e jovens incendiários prontos para tentar surpreender as forças de ocupação com garrafas de coquetel molotov.

A sensação é de apreensão, e fotógrafos não são bem-vindos, já que os russos podem obter informações por meio de imagens compartilhadas online. “Esta rua prova que estamos entrando na Terceira Guerra Mundial”, diz Vitali Stefanovic, voluntário no centro de arrecadação de doações. “Você pode achar no Google como era na Segunda Guerra, essas barricadas estavam no mesmo lugar que estão hoje. Mas naquele momento não existia internet, por isso era seguro para o governo publicar essas imagens.”

De frente para o inimigo, a praia no centro de Odessa foi minada, e um tanque pode ser visto no topo da famosa escadaria de Potemkin, cenário do clássico “O Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein.

“Muitos soldados já morreram nesta praia antes, e uma invasão aqui será uma operação suicida para os russos”, diz o soldado Volodomir, 31, um veterano do front na região do Donbass. Um único navio de pequeno porte da guarda costeira da Ucrânia faz a patrulha a um quilômetro da praia da cidade, em um momento no qual os EUA alertaram que as forças russas podiam desembarcar em Odessa já nesta quinta.

O navio de carga Helt, de uma empresa de transporte estoniana, afundou nesta quinta após ser atingido, segundo autoridades ucranianas. Provavelmente, foi atacado debaixo d’água. De acordo com o canal estatal estoniano ERR, há rumores de que a embarcação foi usada como escudo pelas forças russas.

Localizada no sudoeste do país, às margens do mar Negro, Odessa é uma das maiores cidades ucranianas e o município portuário mais importante do país. Se a Rússia tomá-la, a derrota será uma grande perda estratégica, econômica e militar para a Ucrânia. Grande parte do tráfego comercial do país passa por Odessa e áreas próximas e é na cidade que a Marinha ucraniana mantém sua base principal.

As forças russas tentam controlar cada vez mais cidades na Ucrânia. Kherson, localizada do outro lado da baía onde se localiza Odessa, foi completamente tomada pelo Exército russo na quarta-feira (2).

O prefeito local fez um pedido para que os russos não atirem contra a população da cidade, orientando os habitantes a seguirem estritamente as novas regras impostas pelas forças de ocupação, entre as quais a de respeitar o toque de recolher e não formar grupos de mais de duas pessoas nas ruas.

Diversos meios de comunicação locais e internacionais relataram ataques na cidade de Mariupol. O prefeito Vadim Boichenko afirma que as forças russas querem isolar a cidade, deixando-a sem coleta de lixo, aquecimento, água e transporte. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse nesta quinta-feira que os ataques à Ucrânia continuarão. “A Rússia continuará sua operação militar na Ucrânia até o fim”, afirmou em entrevista à TV russa, de acordo com a agência de notícias Reuters.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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