O que são e como agem as armas químicas e biológicas que a Otan teme que sejam usadas na Ucrânia – Notícias

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A invasão da Ucrânia por forças da Rússia não demorou a trazer de volta o medo de armas de destruição em massa. Nos primeiros dias de combate, militares dos dois países combateram próximos demais da histórica usina de Chernobyl e, dias depois, forças russas dispararam projéteis na região dos reatores de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa.


O medo maior, no entanto, é que Vladimir Putin ordene ataques com armas químicas e biológicas, cujo uso é mais difícil de detectar e provavelmente acarretará menos riscos diplomáticos. A possibilidade foi tema de pronunciamentos de Joe Biden, do premiê britânico Boris Johnson e de Volodmir Zelenski.


Os políticos não economizaram palavras para tentar realçar quão graves as ameaças são. Segundo Zelenski, as tropas russas já usaram bombas de fósforo contra ucranianos e o risco seria que os militares usem armas químicas “em larga escala”. Por sua vez, Biden prometeu uma resposta “severa” da Otan caso o presidente russo use armamentos do tipo.



O temor não é totalmente infundado. Putin já foi acusado de recorrer a armas químicas para atacar dissidentes em solo britânico nas últimas décadas — os ex-espiões Alexander Litvinenko e Sergei Skripal foram as principais vítimas.


Mas, afinal, o que são armas químicas e por que o uso delas é mais provável que o lançamento de armas nucleares? E as armas biológicos, que risco carregam?


Química mortal


“Armas químicas são definidas como quaisquer substâncias químicas cujas propriedades tóxicas são utilizadas com a finalidade de matar, ferir ou incapacitar algum inimigo na guerra ou em operações militares, em ataques terroristas e em conflitos”, define Camilla Colasso, especialista em toxicologia e fundadora da consultoria Chemical Risk, em entrevista ao R7.


Colasso ressalta que os agentes neurotóxicos, que agem diretamente no sistema nervoso e podem matar em questão de minutos, são as mais temidas armas do tipo.


Entre os neurotóxicos, o mais conhecido provavelmente é o gás sarin — utilizado por tropas iraquianas na Guerra Irã-Iraque em 1988; no ataque terrorista ao metrô de Tóquio, em 1995; e pelo atual presidente da Síria, Bashar al-Assad, durante a guerra no país.



Diferentemente das temidas armas nucleares, as armas químicas são mais fáceis e baratas de produzir e armazenar. O grupo terrorista Aum Shinrikyo, responsável pelo envenenamento na capital japonesa, foi capaz de fabricar o gás venenoso em alguns meses, dentro de instalações descritas por investigadores como “rudimentares” e “inseguras”.


Existem também armas químicas menos letais que os neurotóxicos, “classificadas de acordo com a ação no corpo humano”, aponta Colasso.


Agentes vesicantes: causam irritação e bolhas na pele. O mais conhecido é o gás mostarda, que provoca queimação intensa quando em contato com a pele. Caso inalado em grande quantidade, pode levar à morte por edema pulmonar — excesso de líquido nos pulmões.


Agentes sanguíneos: como o nome diz, são venenos que agem no sangue, interferindo na oxigenação do corpo. São baseados, principalmente, no arsênico e no cianeto, famosos em livros de crime e mistério. Já foram bastante usados em operações militares, mas abandonados com a popularização dos neurotóxicos. O cianeto de hidrogênio é o composto mais conhecido do tipo, base do Zyklon B, o gás que matou judeus em massa em campos de concentração nazistas.


Agentes sufocantes: agem e interferem diretamente na respiração, induzindo os alvéolos pulmonares a produzir líquido e causar um edema pulmonar. Os principais compostos do tipo são o cloro e o fosgênio.


Toxinas: esses compostos são uma espécie de meio-termo entre armas químicas e biológicas, pois empregam substâncias produzidas por seres vivos. Após sintetizadas, podem ser fabricadas em massa em laboratórios, com usos e formas de ação variados. As mais conhecidas são a ricina, uma proteína potente presente nas sementes de mamona, e a saxitoxina, produzida por cianobactérias.


Risco de pandemia


Segundo a ONU, as armas biológicas “disseminam organismos causadores de doenças ou toxinas para prejudicar ou matar humanos, animais ou plantas”.


Elas são classificadas segundo o organismo tóxico e o mecanismo de disseminação. De acordo com a organização, além de utilizadas em aplicações militares, “as armas biológicas podem ser usadas para assassinatos políticos, a infecção de gado ou produtos agrícolas, para causar escassez de alimentos e perdas econômicas, para a criação de catástrofes ambientais e a introdução de doenças generalizadas”.


Ao longo da história, diversos agentes biológicos já foram usados para tais fins, com os mais variados mecanismos de disseminação. Um dos ataques com armas biológicas mais conhecidos foram os atentados com antraz nos Estados Unidos, enviado em formato de pó em envelopes brancos. A série de ataques se iniciou uma semana após os atentados de 11 de setembro.


Mas, diferentemente das armas químicas, um ataque biológico pode sair do controle e se tornar um problema de saúde internacional.



“Armas biológicas podem provocar epidemias e até mesmo pandemias. Elas geralmente são liberadas por algum vetor, via aerossol, alimentos e água, ou são até mesmo injetadas nas vítimas”, revela Camilla Colasso.


O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA) hierarquiza as armas biológicas com as letras A, B e C, de acordo com a letalidade e a capacidade de contaminação. Na categoria A estão os agentes biológicos mais mortais e contagiosos, como os temidos antraz, botulismo e varíola.


Quais os verdadeiros riscos de um ataque?


Levando-se em conta que armas químicas bastante letais foram usadas em conflitos recentes, como a guerra da Síria, Camilla Colasso avalia que o risco de tropas russas utilizarem armas de destruição em massa na Ucrânia não pode ser descartado.


O emprego explícito de armamentos do tipo aprofundaria a crise internacional causada pela invasão, uma vez que são proibidos pela Convenção sobre as Armas Químicas, que começou a vigorar em 1997, e pela Convenção sobre as Armas Biológicas, assinada em 1972.



Acordos internacionais do tipo são necessários, uma vez que o emprego de armas químicas e biológicas tem uma diferença fundamental em relação ao uso de dispositivos nucleares.


“A utilização de armas nucleares provoca uma destruição imensa e, em caso de retaliação, acarretará a destruição do planeta — ou seja, não há vencedores em uma guerra nuclear”, diz Colasso.


No auge da Guerra Fria, especialistas em estratégia militar concluíram que, levando em conta o tamanho dos arsenais nucleares, uma guerra com armas do tipo garantiria a chamada “destruição mútua assegurada” em praticamente todos os cenários possíveis.


Essa certeza transformou as armas nucleares em dispositivos de intimidação — possuir uma ajuda a garantir que uma guerra total não seria iniciada.


“Já as armas químicas apresentam um efeito condenável e grave, porém seus efeitos estão restritos ao local de uso. Por esse motivo, o emprego de armas químicas se torna mais factível do que o de armas nucleares”, encerra Colasso.


Refugiados, mortes e destruição: as consequências de um mês de guerra na Ucrânia


Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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