O Brasil na armadilha argentina – 18/01/2022 – Elio Gaspari

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O general Juan Domingo Perón foi deposto em 1955 e seu fantasma ainda influencia a política argentina. Dizem-se peronistas o presidente Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner, que governou de 2007 a 2015. Ela é a viúva de Nestor, presidente de 2003 a 2007.

Era peronista Carlos Menem (1989-1999). O que é um peronista, não se pode saber, mas sabe-se que desde 1955, o andar de cima argentino tentou criar alternativas a esse fantasma e fracassou. Como se cantava em Buenos Aires:

Se siente,

Se siente

Perón está presente

Perón foi um ladravaz que emulou políticas sociais da época em seu primeiro governo (1946-1955). Tinha o apoio do andar de baixo, que chamava de “los descamisados”. (De certa forma, ele fez na Argentina o que Getúlio Vargas fazia no Brasil, sem roubar. Pindorama foi salva de uma perenização do “varguismo” pelo governo e pela personalidade de Juscelino Kubitschek.)

O andar de cima argentino tentou de tudo. Dois civis foram depostos e dois generais foram dispensados até que em 1973 um terceiro abriu as portas para o retorno de Perón. Doente, ele colocou a mulher, uma ex-dançarina de cabaré panamenho na vice, e morreu um ano depois.

Seguiu-se, a partir de 1976, a mais sanguinária das ditaduras militares da região. Produziu uma sucessão de quatro generais. Um deles, aloprado, teve a ideia de invadir as ilhas Malvinas. Surrado pela Inglaterra, foi dispensado.

O peronismo retornou em 1989 com Carlos Menem e lá ficou por dez anos, até que o andar de cima elegeu o presidente Fernando de La Rúa. Abandonado pela banca internacional, ele fugiu da Casa Rosada. Em 2003, pelo voto, o peronismo retornou com Néstor Kirchner.

Entre 2015 e 2019 Mauricio Macri derrotou o peronismo e presidiu a Argentina com uma agenda liberal. Perdeu a reeleição para Alberto Fernández.

Em 1943, quando Perón surgiu como Secretário do Trabalho, o motor da economia argentina já estava rateando. Passaram-se 79 anos, ao longo dos quais a Argentina andou para trás. Causa vertigem lembrar que em 1923 ela tinha uma economia maior que a da Alemanha ou a do Japão.

A sabedoria convencional costuma atribuir ao que chama de populismo peronista o declínio argentino. O buraco está mais em cima, numa classe de endinheirados que também produziram desastres econômicos, duas ditaduras, massacres e uma guerra maluca. O peronismo é ruim, mas suas alternativas revelaram-se sempre piores pela incapacidade de produzir algo racional e eficaz.

O que? Sabe-se lá, mas o Brasil produziu JK. Da elite argentina saiu só Máxima Zorreguieta, a atual rainha da Holanda, filha do ministro da Agricultura do governo de um dos generais. (Ele não foi convidado para o casamento com o príncipe, atual rei.)

Enquanto não se consegue uma explicação para a cegueira do andar de cima argentino, resta lembrar uma observação de Sir Cecil Beaton, o fotógrafo da casa real inglesa. Em 1971, depois de um Carnaval e de uma visita às mansões e fazendas das terras do Sul ele escreveu:

“Alguns sul-americanos têm um estranho cheiro doce”.

Moro não desistirá

Sergio Moro se faz ouvir e garante que não existiu, não existe, nem existirá a possibilidade de desistir de sua candidatura à Presidência.


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