Números do ciclo do carbono para prever mudanças climáticas estão incorretos, dizem cientistas

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Meio ambiente

Redação do Site Inovação Tecnológica – 12/04/2022

Números do ciclo do carbono usados para prever mudanças climáticas estão incorretos, dizem cientistas

O erro exigirá alterações nas previsões das mudanças climáticas – se para melhor ou para pior, isto ainda não está claro.
[Imagem: Logan Wallace/Virginia Tech]

Ciclo global de carbono

Elementos essenciais do ciclo global de carbono, usados para rastrear o movimento do dióxido de carbono (CO2) no meio ambiente, não estão corretos, o que pode estar alterando significativamente os modelos climáticos e as previsões do futuro do clima.

Esta é a conclusão de uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Virgínia e do Laboratório Nacional Noroeste do Pacífico, ambos nos EUA.

A estimativa de quanto dióxido de carbono as plantas retiram da atmosfera é fundamental para monitorar e prever a quantidade de gases que alteram o clima na atmosfera.

Desta forma, a inconsistência descoberta pela equipe tem o potencial para mudar as previsões para as mudanças climáticas, embora não esteja claro neste momento se a incompatibilidade resultará em mais ou menos dióxido de carbono sendo contabilizado no meio ambiente.

“Ou a quantidade de carbono que sai da atmosfera [retirado] pelas plantas está errada, ou a quantidade que sai do solo está errada,” disse a professora Meredith Steele. “Não estamos contestando a ciência bem estabelecida das mudanças climáticas, mas devemos ser capazes de contabilizar todo o carbono no ecossistema, e atualmente não conseguimos fazer isto. O que descobrimos é que os modelos de resposta do ecossistema às mudanças climáticas precisam ser atualizados.”

Contabilidade do carbono

Para entender como o carbono afeta os ecossistemas da Terra, é importante saber exatamente para onde está indo todo o carbono. Esse processo, chamado de contabilidade do carbono, diz quanto carbono está indo para onde e quanto está em cada um dos reservatórios de carbono da Terra – oceanos, atmosfera, terra e seres vivos.

Os pesquisadores se concentram na ciclagem do carbono e em como as plantas e o solo removem e devolvem o dióxido de carbono da e para a atmosfera. Quando os animais comem plantas, o carbono se move para o ecossistema terrestre. Em seguida, ele se move para o solo ou para os animais. E uma grande quantidade de carbono também é exalada de volta à atmosfera.

Esse dióxido de carbono que entra e que sai é essencial para equilibrar a quantidade de carbono na atmosfera, o que contribui para as mudanças climáticas e para o armazenamento de carbono a longo prazo.

Números do ciclo do carbono usados para prever mudanças climáticas estão incorretos, dizem cientistas

No entanto, os pesquisadores descobriram agora que, ao usar os números aceitos para a respiração do solo, o número usado nos modelos de ciclagem de carbono não fica mais balanceado.

O que a equipe descobriu é que, usando o número aceito para a produtividade primária bruta do dióxido de carbono, de 120 petagramas – cada petagrama (1015 gramas) equivale a um bilhão de toneladas – a quantidade de carbono que sai pela respiração do solo deve estar por volta de 65 petagramas.

Ao analisar vários fluxos – a quantidade de carbono trocada entre os reservatórios de carbono da Terra – os pesquisadores constataram que a quantidade de respiração de carbono que sai do solo é de cerca de 95 petagramas, enquanto a produtividade primária bruta deve ficar em torno de 147.

Apenas para dar uma dimensão desses números, a diferença entre a quantidade atualmente aceita pelos cientistas e esta estimativa é cerca de três vezes as emissões globais de combustíveis fósseis a cada ano.

Vai melhorar ou piorar?

Segundo os pesquisadores, existem duas possibilidades para esse desbalanceamento. A primeira é que a abordagem de sensoriamento remoto pode estar subestimando a produção primária bruta. A outra é o aumento das medições de respiração do solo, que podem estar superestimando a quantidade de carbono devolvida à atmosfera.

Se essa estimativa errônea é algo positivo ou negativo para o desafio cientificamente comprovado das mudanças climáticas é o que precisa ser examinado a seguir.

O próximo passo consistirá em determinar qual parte do modelo global de ciclagem de carbono está sendo sub ou superestimada.

Ao ter uma contabilidade precisa do carbono e onde ele está no ecossistema será possível fazer melhores previsões e construir melhores modelos para avaliar a resposta dos ecossistemas às mudanças climáticas, diz a equipe.

Bibliografia:

Artigo: Historically inconsistent productivity and respiration fluxes in the global terrestrial carbon cycle
Autores: Jinshi Jian, Vanessa Bailey, Kalyn Dorheim, Alexandra G. Konings, Dalei Hao, Alexey N. Shiklomanov, Abigail Snyder, Meredith Steele, Munemasa Teramoto, Rodrigo Vargas, Ben Bond-Lamberty
Revista: Nature Communications
Vol.: 13, Article number: 1733
DOI: 10.1038/s41467-022-29391-5

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