Núcleo interno da Terra pode não ser totalmente sólido

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Meio ambiente

Redação do Site Inovação Tecnológica – 07/10/2021

Núcleo interno da Terra pode não ser totalmente sólido

Os mapas mostram a localização dos terremotos (símbolos vermelhos) e as estações antípodas correspondentes.
[Imagem: Rhett Butler/Seiji Tsuboi – 10.1016/j.pepi.2021.106802]

Estudo do núcleo da Terra

O buraco mais profundo já perfurado pelo homem pouco passa dos 12 km de profundidade na crosta terrestre, o que é cerca de um terço do caminho até o manto.

Mas o núcleo da Terra está muito abaixo, a cerca de 5.100 km, o que significa que só conseguimos estudá-lo indiretamente, por meio das ondas sísmicas, e propor teorias.

A teoria mais aceita hoje propõe que o núcleo terrestre mede cerca de 6.800 km de diâmetro, mas é dividido entre núcleo externo, uma camada fluida com 2.400 km de espessura, e núcleo interno, uma porção semi-esférica sólida, formada por uma mistura de ferro e níquel.

Mas esta solidez do núcleo interno está sendo agora questionada por Rhett Butler (Universidade do Havaí em Manoa) e Seiji Tsuboi (Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia Marinho-Terrestre).

Os dois geólogos usaram a tradicional técnica das ondas sísmicas para estudar o núcleo da Terra, mas o fizeram de uma maneira criteriosa para garantir que estavam isolando ao máximo os efeitos do núcleo, e não de outras camadas do planeta.

Núcleo interno com camada pastosa

Butler e Tsuboi utilizaram dados de sismômetros diretamente opostos ao local onde cada terremoto estava sendo gerado, o que envolveu cinco pares de estações para cobrir amplamente a região central interna do planeta: Tonga-Argélia, Indonésia-Brasil e três entre Chile-China.

“Em total contraste com as ligas homogêneas de ferro macio consideradas em todos os modelos terrestres do núcleo interno desde a década de 1970, nossos modelos sugerem que há regiões adjacentes de ligas de ferro duras, macias e líquidas ou pastosas nos 240 quilômetros superiores do núcleo interno,” contou Butler. “Isso impõe novas restrições à composição, história térmica e evolução da Terra.”

Uma parte pastosa ou líquida tão espessa do núcleo interno tem consequências importantes sobre a dinâmica na fronteira entre o núcleo interno e o núcleo externo, sobretudo para a geração do campo magnético da Terra.

“O conhecimento desta condição limítrofe da sismologia pode permitir melhores modelos preditivos do campo geomagnético, que serve como escudo e protege a vida em nosso planeta,” disse Butler.

A dupla agora pretende incluir seus novos dados em modelos mais amplos, para ver quais são as modificações resultantes nas características do campo geomagnético da Terra.

Descobertas sobre o núcleo da Terra

Já vinha ganhando força a ideia de que o núcleo da Terra pode ter camadas diferentes. Outra pesquisa recente, por exemplo, havia mostrado a possibilidade de que o núcleo da Terra fosse mais mole do que se acreditava,

Os dados obtidos de lados opostos do planeta por Butler e Tsuboi, contudo, permitiram estabelecer que pode não ser um “amolecimento” do núcleo interno inteiro, mas apenas de uma de suas camadas.

Recentemente se descobriu também que o núcleo da Terra está crescendo de forma assimétrica.

Bibliografia:

Artigo: Antipodal seismic reflections upon shear wave velocity structures within Earth’s inner core
Autores: Rhett Butler, Seiji Tsuboi
Revista: Physics of the Earth and Planetary Interiors
Vol.: 321, 106802
DOI: 10.1016/j.pepi.2021.106802

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