No futebol do Brasil, um ano tem 17 meses – 14/10/2021 – PVC


O São Paulo foi bicampeão mundial em seu 97º jogo do ano de 1993, exaltado pela enorme conquista, apesar de ter sido dominado pelo Milan, e nada disso impediu o êxtase nem as críticas ao calendário fustigante do início dos anos 1990.

O Palmeiras e Abel Ferreira merecem críticas pelo futebol opaco e sem competitividade das últimas 11 rodadas do Brasileiro, com apenas oito pontos conquistados. Como em 1993, a observação sobre o calendário também é imprescindível.

O Palmeiras é o clube que disputou o maior número de partidas no mundo neste ano: 77. De janeiro a outubro, são 7 a mais do que o Atlético-MG, 8 a mais do que o Flamengo, 11 a mais do que o Bragantino e 19 a mais do que o Athletico.

É evidente que essa não é a única causa da falta de qualidade palmeirense, mas é inacreditável que um clube brasileiro volte a disputar mais de 90 partidas em 12 meses, como acontecia na década de 1990, período em que o São Paulo disputou dois jogos num mesmo dia e o Grêmio chegou a atuar três vezes na mesma data.

Também é incrível que todas as críticas feitas à CBF e aos clubes por não terem cortado compromissos do calendário, encurtado estaduais e Copas, sejam esquecidas quando o número grita e expõe que os times pagam o preço da junção de duas temporadas.

Importante lembrar que os clubes não quiseram diminuir o calendário, porque isso implicaria perda relevante de dinheiro.

O Palmeiras terminará o ano com 91 jogos. O Flamengo pode fechar com 88, se chegar à final da Copa do Brasil.

A conta fica mais perversa quando se lembra que as férias dos jogadores aconteceram em abril de 2020 e que, por causa da pandemia, o Palmeiras soma 123 partidas desde 22 de julho, quando o governo de São Paulo deu permissão para o retorno dos jogos. Emendou a final da Copa do Brasil ao Estadual e estreou no Mundial de Clubes oito dias depois de ganhar a Libertadores. Não é só físico. O estresse também é mental.

Desde o anúncio de que uma temporada se emendaria na outra, sabia-se que o problema explodiria. Vale para todos os clubes, não é disputa para saber quem sofre mais.

O Flamengo, ao menos, disputou as seis primeiras partidas do Estadual com seu elenco de férias, enquanto os palmeirenses deram sete dias de folga, em rodízio, depois da Copa do Brasil. Descontando o pedaço do Estadual com reservas, o rubro-negro tem cem partidas desde o retorno do futebol ao Rio, em junho de 2020.

A queda física, técnica e tática do Palmeiras tem todo o indício de ter, ao menos em parte, relação com a maratona.

O favoritismo do Flamengo na final da Libertadores e o risco de o Palmeiras perder jamais se atribuirá ao cansaço. O Flamengo é o melhor time da América do Sul.

O ponto é que o número excessivo de partidas, hoje do Palmeiras, será amanhã do Flamengo, ou do Corinthians, ou do Atlético-MG, de qualquer um que faça sucesso.

Se o objetivo não for alcançar o Santos de Pelé, que disputou inacreditáveis 102 partidas em 1959 para realizar excursões para todos os países que desejavam contemplar o rei recém-coroado, melhor observar que o Manchester City foi o recordista de partidas na Europa na temporada passada. Entrou em campo o “exagero” de 61 vezes. Em seu último compromisso, perdeu a final da Champions League.

Um clube brasileiro não pode ter, como na década de 90, 30 partidas a mais do que um europeu. Mas terá.

No futebol do Brasil, um ano tem 17 meses.


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