Newcastle teve ídolo chileno homenageado por Lennon e que não falava espanhol – 16/10/2021 – Esporte

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Na vitória recente do Chile por 3 a 0 sobre a Venezuela, pelas Eliminatórias, o centroavante Ben Brereton marcou o terceiro da seleção chilena, que fechou a vitória em Santiago. Agora, Brereton tem três gols pela equipe nacional, o que deve ser aproximadamente o mesmo número de palavras que sabe dizer em espanhol.

Filho de mãe chilena e pai inglês, Brereton nasceu na Inglaterra, em Stoke-on-Trent, e seu vocabulário em castelhano é bastante limitado. A opção de jogar pelo país de origem da mãe, ajudada pelo fato de que vem marcando gols, fez com que o atacante do Blackburn rapidamente caísse nas graças do torcedor andino. É a “Breretonmania”, dizem.

Sua história curiosa lembra a de outro personagem do futebol chileno que também foi criado longe do Chile, mas optou por defender a seleção. Um atacante talentoso que se tornaria ídolo do Newcastle, o clube que ganhou as manchetes recentemente ao ser comprado por um fundo saudita, e que foi parar na capa de um disco de John Lennon.

Jorge Robledo nasceu no dia 14 de abril de 1926, em Iquique, região no norte do Chile conhecida então pela extração do salitre. Quando Jorge tinha três anos de idade, mudou-se com sua mãe inglesa e o irmão menor Ted para Yorkshire, na Inglaterra. O pai, chileno, permaneceu no país.

Os dois rapazes foram alfabetizados em inglês e tiveram na terra dos fundadores do futebol o primeiro contato com a bola.

Jorge, que virou George ao chegar em Yorkshire, conciliava o trabalho em minas de carvão para ajudar a família com a prática do “football” no Huddersfield. Sua primeira experiência no futebol profissional foi com a camisa do Burnley após a Segunda Guerra Mundial, até que o Newcastle o viu e o contratou em 1949, junto de seu irmão Ted, por 3.500 libras.

Em 1950, convidado pela federação do país onde nasceu, Jorge representou a seleção chilena no Mundial disputado no Brasil. O sorteio colocou o Chile no mesmo grupo da Inglaterra, e o atacante do Newcastle, que não sabia o espanhol (assim como Ben Brereton), trocou mais palavras com os jogadores ingleses antes e depois da partida do que com os próprios companheiros de equipe em toda a Copa.

Com derrotas para a Inglaterra e a Espanha, ambas por 2 a 0, os chilenos chegaram eliminados para o último jogo da fase de grupos, com os Estados Unidos. Robledo marcou o primeiro da goleada por 5 a 2 diante dos americanos na despedida dos andinos da competição.

Na temporada 1951/1952, terminou como artilheiro da primeira divisão inglesa e marcou o gol que deu ao Newcastle o título da FA Cup sobre o Arsenal, em Wembley. Bicampeão consecutivo do torneio mais antigo do mundo, o time recebeu o troféu das mãos do então primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

Ao todo, em 166 jogos pelo Newcastle, o atacante marcou 91 vezes antes de encerrar sua passagem pelo futebol inglês e se transferir para o Colo-Colo, em 1953.

“Hoje teria sido tão famoso quanto o Alexis Sánchez”, disse sua filha, Elizabeth, à BBC.

Ainda que não tenha adquirido o reconhecimento de um Alexis Sánchez, aquele gol contra o Arsenal, na final da FA Cup, ficou de alguma forma marcado na memória de um jovem que se tornaria um dos maiores artistas britânicos de todos os tempos.

Em “Walls and Bridges”, álbum de 1974, John Lennon utilizou alguns desenhos feitos à mão para compor a capa. Em uma dessas ilustrações, desenhada quando Lennon tinha 11 anos de idade, o ex-Beatle reproduz a famosa foto que mostra o lance do gol de Robledo em Wembley.

Na imagem, o chileno vê seu chute passar pelo goleiro do Arsenal, George Swindin, enquanto é observado por Jackie Milburn, seu compaheiro de ataque no Newcastle.

Diz-se que a razão pela qual John Lennon fez esse desenho era o fato de que vivia, na infância em Liverpool, na rua Newcastle Road número 9 (o mesmo número da camisa de Milburn), e que desenvolveria ao longo da vida uma relação de fascinação com esse numeral.

É mais uma das teorias sobre a relação opaca de Lennon e os Beatles com o esporte mais popular do planeta, assim como as histórias que cercam a presença de um jogador do Liverpool, Albert Stubbins, na capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band”.

“Não sei se ele gostava do Lennon, mas sei que quando eu era pequena, ele me deu de presente a coleção completa dos Beatles. Nunca o perguntei se presentou a mim ou a ele mesmo”, contou Elizabeth.

Após atuar pelo Colo-Colo e encerrar a carreira no Chile, Robledo viveu no país até o dia de sua morte, em 1989, vítima de um infarto.

No aniversário de 125 anos do Newcastle, ficou entre os finalistas na votação do time ideal da história do clube, mas não integrou a equipe eleita. O gol histórico contra o Arsenal ficou para a eternidade, registrado nos livros de história e imortalizado também na capa de um disco. Quem sabe não há um “Walls and Bridges” perdido na coleção de uma família em Stoke-o-Trent.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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