Não satisfeito com título do UFC, Usman quer enfrentar fenômeno do boxe – 08/11/2021 – Esporte

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Kamaru Usman fez uma careta brincalhona e inclinou a cabeça. Ele tinha acabado de defender seu título dos pesos meio-médios no UFC 268, em um combate de cinco assaltos contra Colby Covington no Madison Square Garden.

O cinturão para a categoria de peso dos 77 quilos repousava ao lado dele sobre uma mesa, com sua placa dourada envolta em couro brilhando de maneira tão reluzente quanto as lapelas do terno de cor metálica de Usman e sua gargantilha de diamantes.

No começo da semana, Usman propôs uma luta contra Saúl Álvarez, o melhor boxeador em todas as categorias de peso, que –também na noite de sábado– conseguiu um magistral nocaute contra Caleb Plant em Las Vegas. O chefe de Usman –Dana White, o presidente da UFC– minimizou a possibilidade de uma megaluta envolvendo os melhores de duas modalidades, falando a repórteres minutos antes da entrevista de Usman. Mas o lutador discorda.

“Dana não sabe disso”, disse Usman, “Quero alguma coisa que me assuste”.

A perspectiva de se ver no ringue diante do melhor boxeador do planeta não parece assustar Usman, mas White e os dirigentes da UFC estão certos em encarar com hesitação essa potencial bonança. Em uma era em que as linhas que separam os esportes de combate estão perdendo a clareza, os organizadores parecem ter deixado de lado a lógica competitiva a fim de atrair fãs pagantes. No caso de Usman e Álvarez, a recompensa pode não ser um sucesso semelhante ao de outras experiências realizadas recentemente.

Álvarez atrai audiências, mas ele produziu um resultado inequívoco, nocauteando Plant exatamente para unificar os títulos da categoria super médio. A maior parte dos espectadores presentes à MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, torcia por Álvarez, um mexicano conhecido pelo apelido “Canelo”, e o canal Showtime de TV a cabo construiu todo o evento em torno dele. Pessoas de todos os Estados Unidos também pagaram pelo direito de assistir à luta em pay-per-view, entre as quais White. Circulou no Twitter uma foto que o mostrava assistindo ao combate em um monitor, ao lado do octógono, enquanto Rose Namajunas e Zhang Weili lutavam pelo título da categoria 52 quilos no segundo combate mais importante da noite de lutas do UFC.

White declarou mais tarde que tinha apostado US$ 100 mil em uma vitória de Álvarez por nocaute. “Assisti à luta de Canelo hoje à noite”, disse, quando questionado se Usman deveria lutar contra Álvarez. “E ele não quer lutar contra Canelo. Vamos lá, gente, melhor parar com isso.”

Esta não é a primeira vez que White teve de encarar a perspectiva de lutas entre atletas de modalidades diferentes. Ele permitiu que Conor McGregor, um lutador falastrão do UFC, enfrentasse o boxeador Floyd Mayweather em 2017, um espetáculo que resultou em pelo menos US$ 30 milhões de lucro para McGregor. Quantias como essa são raras em disputas de MMA, e embora seja provável que a bolsa de Usman por um combate como esse fosse muito inferior à de Álvarez, o valor ainda assim provavelmente seria maior do que os que ele recebe enfrentando oponentes de MMA.

Dois irmãos que operam canais populares no YouTube, Jake Paul e Logan Paul, estão liderando uma virada nos esportes de combate nos últimos 12 meses. Logan Paul lutou contra Mayweather no trimestre passado, em um combate de exibição, e Jake Paul derrotou oponentes relativamente fáceis: um jogador de basquete aposentado, e dois lutadores de MMA que deixaram sua melhor forma para trás alguns anos atrás. Os detalhes específicos parecem ridículos para os fãs de boxe tradicional, mas o grande número de seguidores dos dois irmãos na mídia social permitiu que as lutas fossem sucessos.

Usman não é uma estrela, ao contrário dos irmãos Paul e de McGregor, e já declarou que não pretende buscar esse tipo de fama. Mas se suas lutas fossem mais assistidas, ele ganharia mais dinheiro. Quando questionado se ele enfrentaria Álvarez em um combate com a renda doada para caridade, Usman riu.

“É claro que queremos o dinheiro”, disse Usman.

O desafio de enfrentar Álvarez também intriga Usman porque ele já derrotou a maioria dos principais lutadores em sua categoria de peso.

“Não me entenda mal, ele é um verdadeiro mestre naquilo que faz”, disse Usman. “Amo o trabalho dele e o respeito demais, e é por isso que quero me desafiar.”

Usman é altamente respeitado no mundo do MMA. Depois de derrotar Covington, White e outros disseram que ele talvez um dia venha a ser comparado aos maiores meios-médios de todos os tempos, como Georges St.-Pierre.

Ainda assim, fica claro que Usman não tem um número de fãs comparável ao de Álvarez. A torcida por ele nem sempre se manifestava no Madison Square Garden, e a torcida de Covington, fervoroso partidário do ex-presidente Donald Trump e um atleta que fez de posições políticas conservadoras uma parte central de sua persona, era muito mais ruidosa.

O incentivo a Covington cresceu na porção final da luta, quando ele se recuperou de dois “knockdowns” no segundo assalto e chegou perto de uma vitória contra Usman nos últimos assaltos.

Se Usman não tivesse conseguido os “knockdowns”, os jurados poderiam ter facilmente chegado a uma decisão diferente, na vitória dele por pontos, o que deixou espaço para debate e um caminho fácil para uma terceira luta entre ele e Covington.

Além de Usman e Covington, outros lutadores atraíram atenção no programa do UFC 268. Os pesos leves Justin Gaethje e Michael Chandler fizeram a melhor luta da noite, um duelo de ritmo acelerado que Gaethje venceu, ainda que os dois deixassem o octógono ensanguentados e tivessem de ser encaminhados ao hospital para exames. Namajunas também defendeu seu título da categoria contra Zhang, ganhando por pontos em decisão dividida.

Se Usman vier a enfrentar Álvarez no boxe, as diferenças entre o boxe e o MMA, tanto nos esportes em si quanto na remuneração dos atletas das duas modalidades, complicariam a promoção do evento.

Álvarez disse que não tem interesse em lutar contra Usman, e o interesse dos fãs ainda não cresceu a ponto de levá-lo a mudar de posição. Mas caso um combate aconteça, Usman disse que está pronto para competir no esporte de Álvarez. Ele também aceitaria enfrentá-lo em uma luta de MMA, afirmou, mas duvida que Álvarez se dispusesse a tentar.

“Somos nós que estamos dispostos a ir lá e correr o risco”, disse Usman. “Já eles não ousariam vir aqui e correr o mesmo risco.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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