Minha seleção brasileira tem Gerson, Everton Ribeiro e Vinicius Junior – 05/10/2021 – Tostão


As estatísticas dominaram o futebol. Com frequência, alguns programas de televisão misturam, no mesmo pacote, os números que têm enorme importância para as corretas análises técnicas e táticas com as estatísticas apenas interessantes, curiosas, que servem para distrair. Comparar e igualar o talento de Zico, um dos maiores jogadores da história, com Gabigol e Bruno Henrique, dois ótimos atacantes, por causa do número de gols marcados, é um absurdo.

O Flamengo é a equipe que mais encanta no Brasil, mas o Atlético-MG, no Campeonato Brasileiro, é a mais eficiente e regular, pela ampla vantagem de pontos, por estar há 15 jogos sem perder, sendo 12 vitórias, além de praticar também um futebol agradável de se ver, ótimo no ataque e na defesa.

Independentemente das atuações individuais e coletivas de Palmeiras e de Atlético e da competência dos dois treinadores, Abel Ferreira e Cuca, a razão principal da classificação do Palmeiras para a final da Libertadores foram os detalhes não programados, como o pênalti perdido por Hulk e a falha imprevista e estranha do bom zagueiro Nathan Silva, do Atlético, muito bem aproveitada por Gabriel Veron.

A maneira fascinante de o Flamengo jogar só existe porque, em 2019, surgiu um treinador inventivo, corajoso, que colocou cinco jogadores no campo adversário, o que na época, no Brasil, era uma loucura. Os loucos costumam ter razão. Melhor ainda é o futebol brilhante e emocionante, em todos os aspectos, jogado por Liverpool e Manchester City, dois times comandados por loucos pragmáticos, Klopp e Guardiola.

Os torcedores brasileiros, ao verem Flamengo, Liverpool e City encantarem, exigem que a seleção faça o mesmo. Está na hora de Tite definir uma maneira de jogar e os titulares, com algumas variações. Cada um tem sua seleção. A de Tite não é igual à minha, que teria, para começar, um trio no meio-campo, formado por Casemiro, Gerson, mais pela esquerda, e Everton Ribeiro, mais pela direita, uma mistura de meia e de jogador pelo lado, como faz no Flamengo. Mais à frente, Neymar, Vinicius Junior e Gabriel Jesus. Vinicius Junior tem grandes chances de evoluir até o Mundial. Neymar e Casemiro não jogam contra a Venezuela.

Neymar é excepcional, como armador e atacante, arco e flecha. Porém, repito, prefiro vê-lo atuar mais perto do gol do que como armador. Ele recua demais para receber a bola e, com frequência, é desarmado ou derrubado. Existe ainda o risco de perder a bola e dar um ótimo contra-ataque ao adversário, com a defesa desprotegida. A bola deveria chegar a Neymar, mas ele é quem tem sido o responsável por levá-la até os companheiros.

Tenho admiração por Tite e por outros treinadores, especialmente Klopp e Guardiola. Porém, todos erram e acertam.

Não entendi a razão de Guardiola escalar, contra o Liverpool, o meia Grealish de centroavante. Ele joga normalmente pelo lado esquerdo. Não compreendo também porque Grealish é titular da seleção inglesa e é tão elogiado, como se fosse um craque. É um bom jogador, elegante, que joga com a cabeça em pé, habilidoso, que, às vezes, dribla e toca bem a bola para o lado. Ainda não vi nada mais que isso, no City nem na seleção.

Não deveríamos ser reféns de treinadores nem de outros profissionais que admiramos. Não podemos perder a independência e a capacidade crítica nem idolatrar, mitificar e desvirtuar a realidade. O mundo precisa de profissionais sérios e competentes, não de mitos.


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