Militares do Sudão negociam restituição de premiê derrubado por golpe – 21/11/2021 – Mundo


Os militares do Sudão planejam restituir o primeiro-ministro Abdalla Hamdok e libertar todos os presos políticos sob um acordo para encerrar semanas de protestos no país, disse o chefe de um dos principais partidos políticos nacionais à agência de notícias Reuters neste domingo (21).

Hamdok foi posto em prisão domiciliar quando os militares tomaram o poder em 25 de outubro, atrapalhando uma transição democrática acordada após a derrubada de Omar al-Bashir em 2019, que encerrou três décadas de governo autocrático.

Uma fonte próxima a Hamdok disse que ele concordou com o acordo para impedir mais derramamento de sangue no país, mas a coalizão civil que compartilhava o poder com os militares afirmou anteriormente que se opõe a qualquer negociação com os “golpistas” e pediu que os protestos continuem neste domingo.

Os militares do Sudão suspenderam as restrições à liberdade de Hamdok e removeram neste domingo as forças de segurança que estavam estacionadas do lado de fora de sua casa, disse seu gabinete à Reuters.

Mesmo com a divulgação do acordo, milhares de manifestantes marcharam em direção ao palácio presidencial em Cartum no início da tarde e pediram a queda do líder militar Abdel Fattah al-Burhan.

Com o golpe em 25 de outubro, militares dissolveram o gabinete de Hamdok e detiveram vários civis que ocupavam cargos importantes no acordo de divisão de poder acordado com os militares depois que Bashir foi deposto.

Segundo o novo acordo entre os partidos políticos civis e militares, Hamdok formará um gabinete independente de tecnocratas, disse Fadlallah Burma Nasir, chefe do Partido Umma, que participou das negociações que levaram ao acordo.

O golpe desencadeou manifestações em massa contra militares. Organizações médicas que apoiam os protestos afirmam que as forças de segurança mataram pelo menos 40 civis em repressões cada vez mais violentas.

A declaração constitucional feita entre militares e civis em 2019, depois que Bashir foi deposto, continuará sendo a base para novas negociações, disse uma fonte próxima a Hamdok.

ENCONTRO URGENTE

O Conselho Soberano do Sudão realizará uma reunião urgente neste domingo antes de anunciar o acordo, disse uma fonte com conhecimento das negociações.

O assessor de mídia do líder militar Abdel Fattah al-Burhan não foi encontrado para comentar o assunto.

Grupos ativistas que lideram os protestos desde o golpe exigem que os militares saiam totalmente da política. Uma declaração no domingo na página do Facebook da coalizão civil das Forças de Liberdade e Mudança (FFC), que dividia o poder com os militares, disse que não reconhece nenhum acordo com as Forças Armadas.

“Afirmamos nossa posição clara e previamente anunciada: sem negociação, sem parceria e sem legitimidade para os golpistas”, disse o comunicado do FFC.

Aqueles que executaram e apoiaram o golpe devem enfrentar justiça, disse o comunicado, chamando as pessoas a comparecerem à última rodada de protestos antimilitares no domingo.

Após o golpe, Hamdok exigiu a libertação de todos os presos políticos e um retorno à divisão do poder como precondição para as negociações, de acordo com fontes próximas a ele.

As potências ocidentais que apoiaram a transição política do Sudão condenaram o golpe e suspenderam parte da assistência econômica ao Sudão.

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