Meses após quase morrer em campo, Eriksen quer jogar; é seguro? – 09/01/2022 – O Mundo É uma Bola

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Quase sete meses depois de desfalecer em campo na Eurocopa, vítima de um ataque cardíaco, o meia Christian Eriksen afirma estar pronto para voltar a jogar profissionalmente.

O dinamarquês, que afirmou ter morrido “por cinco minutos” na partida contra a Finlândia, em Copenhague, no dia 12 de junho do ano passado, antes que os médicos conseguissem reanimá-lo, diz se sentir em forma e motivado.

Ele almeja disputar a Copa do Mundo, no Qatar, em dezembro, quando terá 30 anos.

“Quero jogar [na Copa]. É uma meta, é um sonho”, disse em entrevista televisiva à Danish Broadcasting Corporation, conglomerado público de mídia da Dinamarca.

“Se vou ser selecionado [pelo treinador Kasper Hjulmand], é outra coisa. Mas estou certo de que posso voltar [a jogar] porque eu não me sinto diferente. Vou jogar futebol e mostrar que estou de volta ao mesmo nível [de antes]”.

Eriksen, que tem treinado com acompanhamento médico, pode até não se sentir diferente, porém não pode negar que há algo nele diferente. Algo tangível. Um objeto. Dentro dele.

Depois do colapso cardíaco –eu via a partida pela TV e fiquei agoniado, estava certo de que ele tinha morrido–, ele recebeu um implante. Convive desde então, em seu corpo, com um desfibrilador.

Esse dispositivo, chamado de CDI (cardioversor desfibrilador implantável) e movido a bateria de longa duração, fica próximo do coração e é conectado a esse músculo por eletrodos.

Pesando 70 gramas e com uma espessura de 13 milímetros, ele tem a função de monitorar o ritmo cardíaco e corrigi-lo, se e quando necessário, por meio de choques elétricos.

É uma espécie de salva-vidas para quem tem distúrbios cardíacos.

Isso descrito, fica a questão: o que leva alguém a, mesmo depois de tamanho susto, de ter estado tão perto de perder a vida (e a companheira, e um filho, e uma filha), ter certeza de querer arriscar?

Além dessa pergunta, uma outra que muita gente faz, e é natural que seja feita, é esta: é seguro?

Pode ser difícil compreender, contudo não é difícil responder à primeira indagação. Eriksen não vê sentido em deixar de fazer o que mais gosta na vida: jogar futebol.

Ele acredita piamente que está bem, que o que lhe aconteceu já foi superado e não mais acontecerá, e isso lhe dá confiança para retornar aos gramados e ter chance de participar de sua terceira Copa do Mundo.

Em relação à segunda questão, a resposta é: não, não é completamente seguro.

O aparelho que Eriksen usa certamente o ajudará, porém não há garantia de que seja infalível.

O holandês Daley Blind, 31, do Ajax e da seleção holandesa, recebeu diagnóstico e inflamação no coração depois de um jogo em que sentiu tonturas, em dezembro de 2019.

O ex-lateral, hoje zagueiro, passou a usar um CDI no começo de 2020 e deu sequência à carreira.

Tudo correu bem até um amistoso em agosto de 2020, contra o Hertha Berlin, quando ele desabou em campo. O desfibrilador colapsou. Por quê? Porque é um aparelho, e aparelhos são falíveis: falham, desgastam-se, pifam.

Existe ainda a possibilidade de as características do futebol resultarem em um problema no desfibrilador. É um esporte de contato, e um esbarrão mais forte pode causar dano no dispositivo e afetar seu funcionamento, sem que seu usuário perceba.

Em texto no site do Gecesp (Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte), o renomado cardiologista Nabil Ghorayeb diz, sobre o CDI: “Na área desportiva existem importantes restrições e alguns cuidados, principalmente com os esportes de contato e com risco de trauma corporal, pois os cabos do aparelho podem se soltar ou se quebrar”.

Blind deixou aquele amistoso, recobrou-se, e um mês depois estava pronto para outra.

Essa ocorrência não o desestimulou, e depois disso nada de mais sério foi reportado. Ele continua jogando normalmente.

“Não há razão para que eu não pudesse estar atuando em alto nível. A coisa mais importante é você se sentir livre em sua mente”, declarou o holandês em texto publicado no tabloide britânico Metro.

“Uma vez que os médicos dizem que você está OK para jogar, você só sente a tensão e a empolgação de estar jogando, não a tensão do medo. É por isso que eu digo a todos: ‘Deixem o Christian [Eriksen] em paz’.”

Relatado o caso de Blind, voltando a Eriksen, as certezas que existem são as seguintes.

1) Se Eriksen não voltar a jogar, não será em decorrência dessa atividade que ele terá alguma complicação no coração. Pode até ter, só que a chance diminui consideravelmente.

2) Se Eriksen voltar a jogar, há duas possibilidades: a) nada sério acontecerá, ele estará certo sobre seu destemor, e o CDI será megavalorizado; b) acontecerá o pior, ele estará errado, e o dispositivo perderá um quinhão do seu crédito.

Há ainda uma certeza extra: Eriksen não voltará a jogar por um clube da Itália. As regras locais não permitem que alguém com um CDI possa exercer atividades esportivas competitivas.

Entretanto o meia, indiscutivelmente o melhor jogador de linha da Dinamarca nos últimos anos, tem mercado, e há países em que não há essa proibição.

Uma das alternativas é voltar à Inglaterra, ao Tottenham, clube que defendeu antes de se transferir para a Internazionale, em 2020.

A equipe de Milão, atual campeã nacional, rescindiu amigavelmente o contrato com o jogador no mês passado. O acordo iria até 2024.

O italiano Antonio Conte, técnico do time londrino e que treinou Eriksen na Inter, declarou há dois dias que “as portas estão abertas” para o dinamarquês.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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