Livros de política de 2021 falaram sobre pandemia, racismo e dilemas do Brasil – 26/12/2021 – Celso Rocha de Barros

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Antes de mais nada, um aviso: a partir desse ano, livros publicados no final do ano anterior concorrem no ano seguinte. O motivo é simples: posso demorar para descobrir que um livro existe. Dito isto, aqui vai minha lista de melhores livros de política de 2021.

“Portas Fechadas”, do historiador Adam Tooze, é a primeira grande obra sobre a reação dos governos à crise econômica da pandemia. Vale acompanhar se as mudanças que identificou nas ideias subjacentes às políticas implementadas serão duradouras.

Depois da eleição brasileira de 2018, a resposta deveria ser óbvia, mas “Por que Eleições Importam?”, de Adam Przeworski, oferece uma defesa da democracia especialmente boa se você não acredita nos argumentos idealistas normalmente utilizados em sua defesa.

Em “O Brasil contra a Democracia”, Roberto Simon reconta, com base em novos documentos, o apoio da ditadura brasileira ao golpe contra Allende e à ditadura de Pinochet. “O Ano da Cólera”, de Sylvia Colombo, discute a turbulência na América Latina após o fim do ciclo das commodities. Espero que as duas obras nos ajudem a discutir nossos problemas com mais atenção à dinâmica do continente.

No excelente “Dano Colateral”, Natalia Viana discute os vários casos em que os militares foram utilizados em operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Viana prova que, antes dos militares ocuparem o vácuo da política, ocuparam o vácuo da polícia.

“Menos Marx, Mais Mises”, de Camila Rocha, deve se tornar obra de referência sobre a rede de intelectuais, instituições e políticos que produziram os movimentos liberais e/ou conservadores que se destacaram na oposição aos governos do PT.

Em um ano em que todas as catástrofes foram provocadas por falta de impeachment, Rafael Mafei publicou “Como Remover um Presidente”, uma história do instituto do impeachment no Brasil com discussões detalhadas dos casos Collor, Rousseff, e, o que é especialmente interessante, dos casos de não-impeachment.

Em “Lava Jato: Aprendizado Institucional e Ação Estratégica da Justiça”, Fabiana Alves Rodrigues descreve as estratégias institucionais da operação concentrando-se nos espaços de discricionariedade deixados pela lei brasileira. A pesquisa é anterior às revelações da Vaza Jato.

Como discutimos na coluna de 5 de dezembro, o primeiro volume de “Lula: Biografia”, de Fernando Morais, se destaca pelas novas informações trazidas sobre o início da vida sindical e política de Lula. O mesmo vale para “Lula and his Politics of Cunning”, do historiador americano John D. French. As duas obras, em um certo sentido, se completam: French é um estudioso de longa data do sindicalismo do ABC, Morais teve mais acesso ao personagem principal dos dois livros.

Lucas Ferraz poderia ter escrito um estudo ruim sobre a história dos 5 guerrilheiros brasileiros julgados e condenados por seus próprios companheiros durante a ditadura, e talvez vendesse mais livros se o fizesse. Entretanto, em “Injustiçados”, optou por escrever um livro bom e cuidadoso sobre um tema difícil.

Finalmente, “Casta: as Origens de Nosso Mal-Estar”, de Isabel Wilkerson, apresenta discussões sociológicas muito complexas sobre raça e poder de forma analiticamente sutil e estilisticamente brilhante. É o livro do ano de 2021.


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Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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