Livro mostra dramas, ruínas e ambições entre suicídio de Hitler e rendição alemã – 23/10/2021 – Elio Gaspari


Saiu nos Estados Unidos um grande livro. É “Eight Days in May: The Final Collapse of the Third Reich”, do historiador alemão Volker Ullrich, conhecido pela sua biografia de Adolf Hitler.

Ele conta com maestria os dias que foram do suicídio do Führer (30 de abril de 1945) à rendição do alto comando alemão em Reims (7 de maio).

A sabedoria convencional sugere que entre um fato e outro pouco de relevante aconteceu, além do inexorável triunfo das tropas aliadas.

Com um olhar alemão, Ullrich mostra um painel de dramas, ruínas e ambições. Nele, sobressai a figura do almirante Karl Dönitz, um nazistão a quem Hitler passou o governo do Reich.

Seu comportamento, com o pelotão de militares e civis que o rodeava, é uma aula sobre a psicologia do poder, mesmo quando ele só existe na forma de delírio patológico.

O almirante tinha uma ideia: continuar a guerra na frente do leste, sem combinar com os russos que já estavam em Berlim.

No dia 5 de maio ele compôs ministério e entregou ao economista Otto Ohlendorf a tarefa de planejar a reconstrução do país. (Como oficial da tropa da SS ele se envolveu na morte de 90 mil pessoas na frente russa).

Nesse dia a fotógrafa americana Lee Miller posava com o torso nu na banheira do apartamento de Hitler em Munique e um general alemão chegava ao QG do aliados levando a proposta de paz em separado.

Não foi recebido pelo comandante americano Dwight Eisenhower: rendição incondicional ou nada.

Quando ele relatou a Dönitz o resultado da gestão, o almirante indignou-se e considerou a posição de Eisenhower “inaceitável”. Pouco depois entendeu que inaceitável era sua ideia e, às 02h41 da madrugada do dia 7, os alemães assinaram a capitulação.

No dia 9 os russos já tinham identificado os restos de Hitler a partir de sua arcada dentária. Dönitz, contudo, ainda não sabia se deveria renunciar. Seu chanceler argumentava que a rendição fora das tropas, não do governo.

O almirante concordou e foi ao rádio: “Nós não temos do que nos envergonhar. Nesses seis anos, o que o Exército conseguiu combatendo e a população, resistindo, foi um fato inédito na história do mundo, um heroísmo sem precedentes”.

No dia 23 seu governo foi extinto e ele foi preso. Passou dez anos na cadeia e morreu em 1980. Nunca disse uma palavra contra Hitler nem a favor dos judeus.

Os dois comandantes do Exército alemão foram enforcados em 1946 e seu ministro ministro da Fazenda foi executado na Alemanha em 1951 pelo que havia feito na Rússia.

Príncipe William

Faz tempo que não se ouve uma coisa inteligente vinda da Casa de Windsor. A rainha Elizabeth não fala. Seu falecido marido foi um campeão de impropriedades e seu filho Charles falava com plantas.

O sinal de vida veio do príncipe William, que criticou os milionários que torram fortunas para ir ao espaço enquanto as coisas na Terra vão mal.

As aventuras espaciais de Elon Musk e Jeff Bezos, bem como o quadro de Banksy parcialmente triturado que foi arrematado num leilão por US$ 25,4 milhões, serão marcos das maluquices de uma época.

No século passado, o fotógrafo Philippe Halsman ganhou notoriedade com a “jumpology”, algo como “pulologia”. As celebridades eram fografadas enquanto pulavam. Até o duque e a duquesa de Windsor participaram dessa palhaçada, rendendo uma bela imagem.

Anos depois a televisão italiana criou o programa de bobagens “Mondo Cane”. Num de seus episódios, um artista tocava uma peça de Beethoven dando tapas na cara de suas vítimas.


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