Itacaré atrai com Mata Atlântica e praias preservadas – 22/06/2022 – Turismo

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O que são aqueles pontinhos pretos estendidos em pano branco às margens da BA-001? Respira fundo que o perfume entrega: são cravos-da-índia colocados para secar na beira do asfalto quente. Perto dali, mata atlântica adentro, frutos de cacau de cor roxa, amarela e laranja se misturam entre jequitibás e paus-brasil. No fim da trilha, o rio, tingido de âmbar, vai de encontro ao mar.

Chegamos à praia da Engenhoca, em Itacaré, no litoral sul da Bahia, onde mar, cachoeira e mata pautam a viagem.

É fim de tarde ensolarado de uma segunda-feira de céu anil. A areia está tomada por um grupo de europeus, ligadíssimos na aula de surfe.

De “dreadlocks” coloridos, óculos de sol espelhados, corpo sarado e bronzeado, o professor baiano rege o movimento daquele cenário.

Acompanhado por um séquito de assistentes, ele dá instruções, em inglês, aos alunos, que se equilibram da melhor maneira possível sobre a prancha ainda em areia firme. Logo, a maré irá subir e com ela a turma passa a exibir suas manobras na água.

Engenhoca é uma das praias rurais de Itacaré, assim chamadas em contrapartida às praias urbanas, que ficam dentro da cidade, como é o caso de Resende, Tiririca, Ribeira e praia do Costa.

Prediletas da galera que se amarra em ambientes mais intocados, cercados de belezas naturais, as praias rurais exigem deslocamento de veículo até a um determinado ponto da rodovia BA-001. De lá, o visitante segue pelas trilhas desenhadas dentro da mata para, enfim, alcançar o oceano.

Também compõem esse circuito “rural” as praias São José, Havaizinho, Camboinha (ou Gamboa), Prainha, Itacarezinho —uma das mais procuradas—, Jeribucaçu e Arruda.

“É para quem busca uma experiência, digamos, mais completa. Um convívio direto com a mata atlântica, repleta de descobertas”, explica José Antônio Oliveira dos Santos, 37. “Quem ama de verdade a natureza não pode ficar de fora”, empolga-se o guia.

Nativo de Itacaré, onde é conhecido como Zé do Ambrósio, ele anda um tico assustado com a derrubada de árvores para abrir espaço a condomínios. Teme que o tal progresso acabe tirando de Itacaré o que ela tem de mais fascinante: a harmonia entre o azul do mar e o verde da mata.

Distante apenas 75 km de Ilhéus, a cidade perdeu, há tempos, a aura de reduto isolado. Deixou de ser território bucólico de pescadores, surfistas e praieiros para se consagrar como um dos destinos mais disputados da rota turística baiana Costa do Cacau.

Vivem atualmente ali cerca de 30 mil pessoas.

“Não temos mais baixa temporada”, comemora a empresária Cida Aguilar, 45. Baiana de Feira de Santana, ela conta que Itacaré é um destino de natureza que atrai cada vez mais um público eclético de viajantes, de aventureiros ao pessoal da terceira idade.

Basta dar uma passeada à noite pela rua da Pituba, reduto de bares, restaurantes, cafés, lojinhas e artesanato, para perceber que esse fluxo de diversidade se faz presente.

Com respeitável área verde ainda preservada, Itacaré e arredores conseguem manter o clima de beleza intocada em boa parte de suas praias. Mais que nunca, o lugar exige atenção e cuidados redobrados.

O município concentra 23.219 hectares de mata atlântica, calcula a SOS Mata Atlântica, área equivalente a 30 mil campos de futebol (o que daria um para cada morador).

Diretor de conhecimento da ONG, Luís Fernando Guedes Pinto classifica a região como uma das mais diversas do planeta. Nas palavras dele, “de alto endemismo” —ou seja, com espécies de flora e fauna que só existem por lá.

“O turismo é, infelizmente, uma das grandes pressões sobre a mata atlântica”, avalia.

A expansão, sobretudo imobiliária, de hotéis, resorts e condomínios, é um dos principais fatores de desmatamento, além do risco de poluição de rios e do oceano, avalia.

Mas isso não significa, necessariamente, que a atividade seja ruim. “Ela pode ser uma aliada da conservação desde que respeite a vocação e os limites de uma região. O turismo é um meio importante para as pessoas conhecerem e ajudarem a preservar nossas florestas”, diz.

Desde 2003, um esforço de reflorestamento por aquelas bandas vem sendo conduzido pelo Floresta Viva. Diretor do instituto, Rui Rocha, 50, conta que 400 mil mudas de árvores de mata atlântica já foram plantadas. O órgão monitora ainda 1.500 árvores do mesmo bioma ameaçadas em cinco municípios vizinhos.

“Aqui, a proteção do meio ambiente é uma ação que exige vigilância coletiva, uma guerrilha ambiental“, explica.

“Envolve surfistas, turistas, moradores antigos, novos, pescadores, todo o mundo que ama e respeita esse lugar especial”, afirma. Quem chega percebe logo: tudo em Itacaré está ligado à natureza.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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