Idade não é barreira para quarentões da Superliga de vôlei – 23/12/2021 – Esporte

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Walewska, 42, Juciely, 41, Carol Gattaz, 40, Marlon, 44, William, 42, Murilo, 40. Esses atletas têm desafiado a idade para seguirem protagonistas em suas equipes de vôlei durante a disputa da Superliga 2021/2022.

A longevidade não é facilmente alcançada no voleibol. Além do desgaste físico, os elencos se renovam e a concorrência fica acirrada nos clubes do país, uma das maiores potências mundiais.

“Desde os meus 35 anos eu planejo jogar só mais duas temporadas. Quando a gente chega no final e entende que teve uma temporada realizadora, a sensação de missão cumprida gera satisfação”, afirma o levantador Marlon, do Farma Condé/São José.

Ele se afastou do time no começo deste mês e deverá voltar em janeiro. Marlon desenvolveu Retocolite Ulcerativa Idiopática (RCU), uma doença autoimune, e chegou a ficar alguns dias internado em um hospital em São José dos Campos.

“Eu digo que faltam alguns quilômetros [para encerrar a carreira], mas não vai ser dessa vez. Vou me recuperar e preciso pelo menos de mais uma temporada limpa, porque esta não foi [em razão do afastamento]”, diz.

Campeão mundial com a seleção em 2010, o levantador é natural de Guaíra (PR) e deixou a casa dos pais, descendentes de japoneses e árabes, aos 13 anos, para praticar a modalidade.

Para ele, a formação contribuiu para a sua performance. “Eu cresci dentro da colônia japonesa, onde existe uma preocupação muito grande com a disciplina”, afirma. “Temos atletas alcoólatras, fumantes, e eles talvez não conseguiram essa essência básica com a família.”

Dos veteranos citados no início, somente Walewska, central do Dentil Praia Clube, disse à Folha que encerrará a carreira ao final desta temporada, em maio de 2022.

“O aspecto físico é resultado de uma dedicação de anos, não se constrói uma longevidade sem sacrifício e entendimento do corpo, e é isso que eu estou colhendo agora”, diz Walewska, medalhista de ouro com a seleção nos Jogos de Pequim-2008 e bronze em Sydney-2000.

A rotina geralmente envolve duas sessões de treinos (físico e técnico) por dia, com duração de duas horas cada uma, além de uma média de duas partidas por semana. Entre as medidas para suportar o desafio está a alimentação balanceada, repouso e boa noite de sono, além de yoga e sessões de fisioterapia.

“Desde muito cedo observei a geração de 1996, que foi muito importante na minha formação como atleta e pessoa. Essa geração definiu para mim o que era necessário para me tornar uma atleta de alto nível, elas me deram exemplos inesquecíveis de comprometimento e dedicação”, afirma Walewska.

A geração, citada pela central, conquistou a medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta-1996, a primeira da equipe feminina nos Jogos, e reunia nomes como Ana Moser, Ana Paula, Fernanda Venturini, Leila e Virna, sob o comando do técnico Bernardinho.

Carol Gattaz conseguiu realizar o sonho de ir às Olimpíadas neste ano, em Tóquio. Preterida nas edições de Pequim-2008 e Londres-2012, ela foi convocada aos 39 anos e completou 40 no dia 27 de julho, em solo japonês.

A central do Itambé/Minas diz viver o melhor momento da carreira e chegou a ser elogiada —principalmente pela disposição em quadra— pelo técnico José Roberto Guimarães, da seleção brasileira.

“Eu tenho muito orgulho de ter me tornado a atleta mais velha do Brasil a ganhar uma medalha olímpica. Fui vice-campeã [perdeu a decisão do ouro para os Estados Unidos] com 40 anos, mas a minha alegria e a minha dedicação em quadra eram de uma menina de 20 anos”, afirma Gattaz.

Antes decepcionada por não ter ido aos Jogos, Carol caiu em desânimo e sente que o Minas a “resgatou”. Ela foi contratada pelo clube na temporada 2014/2015.

“Eu tive uma virada de chave muito importante quando vim para o Minas. Aqui eu me senti acolhida, trabalhei muito e pude alcançar minha melhor forma física. A cada ano eu sinto que me cuido ainda mais. E isso inclui treino físico, dentro de quadra, descanso, alimentação, yoga, tudo”, conta.

Para Juciely Barreto, central do Sesc/Flamengo, o fato de ter debutado no vôlei aos 17 anos contribuiu para sua longevidade, além de se considerar uma atleta disciplinada e apaixonada pela modalidade.

“Há um tempo eu cheguei a me incomodar um pouco por estar ficando mais velha e conviver entre tantas jogadoras jovens. Hoje esse sentimento mudou totalmente. É motivo de orgulho citar minha idade”, afirma. “Eu era muito mais emoção e hoje sou mais razão. O papel dentro da equipe mudou junto com os anos.”

Murilo é o único medalhão da equipe do Sesi/São Paulo, uma das equipes mais vitoriosa do circuito e que passa por um processo de reformulação, com oportunidade a jovens atletas. A presença dele é uma aposta do clube, que lhe confiou o papel de capitanear o elenco com pouca rodagem.

“A experiência só me ajuda nesse processo e ajuda também ao técnico [Anderson Rodrigues], dando um feedback para ele. Quero contribuir transmitindo o que passei ao longo de 20 anos de carreira, com passagens pelo vôlei italiano, seleção, Olimpíadas, para esta garotada de 18, 19 anos”, diz.

Em 2017, ele mudou de função, de ponteiro para líbero, em razão de uma série de lesões, com cirurgias no ombro e no cotovelo. No ano passado, retornou para a posição de origem. “Está sendo um pouco difícil essa adaptação, principalmente com o impacto na hora do salto, mas estou buscando a minha melhora física.”

Bicampeão mundial (2006 e 2010) e com duas medalhas olímpicas de prata no currículo, em Pequim-2008 e Londres-2012, Murilo afirma que a evolução da medicina no esporte e a mudança no nível de treinamentos têm sido cruciais para estender essa trajetória na quadra. “Vou jogar até quando der, enquanto estiver me sentindo útil em quadra e me divertindo.”

Já William Arjona tem a chance de brigar pelo seu sétimo título na Superliga e lidera a equipe do Fiat/Gerdau/Minas, primeiro colocado e único invicto da competição. Com 11 vitórias em 11 duelos, a equipe tem 33 pontos, dez a mais que o segundo colocado, o Cruzeiro (oito vitórias e duas derrotas).

“Para mim, é uma honra defender o clube mais tradicional do voleibol brasileiro. Ficaria um vazio na minha carreira se eu não pudesse vestir a camisa do Minas”, definiu o campeão olímpico em 2016.

Evandro Guerra, 39, é o próximo a entrar na casa dos 40. O oposto do Vôlei Renata/Campinas fará aniversário no dia 27 deste mês.

“Sinto orgulho quando abordam a minha idade, porque estou tendo uma carreira vitoriosa e longa. Estou me divertindo com o Campinas, ganhamos o título do Paulista e vamos brigar pela Superliga”, afirma ele, outro campeão olímpico no Rio. “Obviamente, se estiver passando vergonha, eu paro.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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