Guerra na Ucrânia: Ocidente lavou dinheiro e facilitou para Putin – 23/03/2022 – Lúcia Guimarães

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A cobertura com vista para o Central Park foi manchete em Nova York. O apartamento de 650 metros quadrados bateu recorde, em 2011, como o mais caro da cidade até então, ao trocar de dono por US$ 88 milhões. O comprador? O oligarca russo Dmitri Ribolovlev, bilionário de fertilizantes.

O cafofo, ele explicou, ia acomodar a filha matriculada numa universidade em Manhattan. Ribolovlev —que em 2008 comprara de Donald Trump e imediatamente demolira uma mansão na Flórida por um valor tão inflacionado que não deixou dúvida sobre a lavagem de dinheiro na transação—, até o momento escapou das sanções a oligarcas impostas por EUA, Reino Unido e União Europeia.

A invasão russa na Ucrânia tem se mostrado a mais testemunhada guerra em tempo real da história. A instantânea documentação visual de cidades arrasadas, de multidões em fuga e hospitais bombardeados provocou uma onda global de indignação e solidariedade.

Há quem acredite que também despertou o Ocidente da apatia com que acomodou a mais recente emergência do fascismo populista, seja em Washington, Londres, Budapeste ou Brasília.

Se a torturada Ucrânia emergir independente da campanha de exterminação de Vladimir Putin, dificilmente os subitamente piedosos facilitadores do ditador de Moscou vão examinar seu papel no período que precedeu a invasão. Há mais de 30 anos, os bucaneiros que saquearam o tesouro russo entre a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética lavam e abrigam suas fortunas em metrópoles que se vangloriam de ser bastiões da democracia.

Londres adquiriu o apelido de Londongrado quando tinha na prefeitura o hoje primeiro-ministro Boris Johnson —infame por receber uma doação política de US$ 270 mil por uma partida de tênis com a mulher do banqueiro russo Lubov Tchernukhin.

Um ex-adido militar britânico na embaixada de Moscou espinafrou, numa carta enviada ao jornal Financial Times nesta semana, seus compatriotas que se dizem surpresos com a decisão de invadir a Ucrânia. “Nós preparávamos relatórios regulares sobre a inevitabilidade do conflito,” escreve Carl Scott, que serviu na capital russa de 2011 a 2016.

Putin, ele argumenta sensatamente, nunca escondeu suas intenções. Só quando voltou ao Reino Unido dividido pelo brexit —que a inteligência russa notoriamente promoveu— diz ter compreendido o quanto o mercado financeiro havia corrompido a política externa britânica.

Numa arborizada e abastada cidade a 30 quilômetros de Manhattan, executivos de Concord Management, empresa de gestão de patrimônio, se movimentam para evitar a indesejada atenção trazida pelas sanções impostas a seu cliente Roman Abramovich, oligarca bilionário que foi forçado a se desfazer do Chelsea F.C.

Uma reportagem do New York Times mostrou que a Concord é apenas um exemplo na rede de empresas e escritórios de advocacia americanos que facilitaram a injeção de fortunas ilícitas da Rússia em hedge funds e corretoras de investimentos.

O espetáculo de iates apreendidos e mansões trancafiadas na Europa e nos EUA satisfaz o impulso de gratificação nesses tempos de explosão de desigualdade e exaustão pandêmica. Mas o financiamento da tragédia na Ucrânia cresceu perto dos endereços que não temem bombardeio.


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