‘Google tradutor de Libras’ conecta pessoas com deficiência auditiva à internet – 09/11/2021 – Mercado

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Antes de completar a faculdade de comunicação social, o empresário Ronaldo Tenório cursou três anos de ciência da computação. Na vida profissional, não precisou escolher: uniu as duas paixões em um aplicativo que é uma espécie de “Google tradutor” para pessoas com deficiência auditiva: o Hand Talk.

Fundada em 2013, a startup funciona em duas frentes. Uma delas é um aplicativo que traduz textos ou falas em Libras (Língua Brasileira de Sinais), por meio de animação. A outra, uma solução corporativa: um plugin para sites que queiram tornar o seu conteúdo mais acessível.

“A gente percebeu que a internet estava praticamente offline para os surdos“, afirma Tenório. “Existem estudos que mostram que 80% dos surdos têm dificuldade de compreender a língua escrita do seu país, por ter como primeira língua a de sinais.”

A ideia, conta, surgiu em uma aula da faculdade em 2008, quando precisou elaborar um projeto para resolver um problema de comunicação. Naquele começo, quando o smartphone acabava de ser criado, pensava em algo apenas para computador. “Essa ideia ficou guardada por quatro anos. Terminei a faculdade e fui empreender, fundei uma agência de comunicação”, conta.

A ideia saiu da gaveta quando, anos mais tarde, Carlos Wanderlan, um colega que acabara de fazer um curso de desenvolvimento de aplicativos, o procurou para colocar o conhecimento recém-adquirido em prática. Eles completaram o time com Thadeu Luz, especialista em efeitos especiais, e fundaram a empresa.

Em 2013, venceram o Prêmio Empreendedor Social de Futuro, realizado pela Folha, e entraram para a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

O aplicativo é gratuito, embora haja uma versão paga para quem quiser dispensar a propaganda. Além de ser uma ferramenta educativa, por permitir que os usuários aprendam sinais, a ferramenta pode viabilizar uma comunicação rápida com uma pessoa surda.

O plugin é oferecido para empresas que querem dar a opção de libras em seus sites. Com o dispositivo ativado, quem estiver na página pode clicar em um botão, que abre uma janela onde os tradutores virtuais Hugo e Maya traduzem o texto para Libras.

Para desenvolver a tecnologia, o primeiro passo é gravar vídeos de intérpretes fazendo os sinais. Um software capta os movimentos e expressões faciais dos modelos, que aperfeiçoam os sinais já existentes na base de dados da empresa ou agregam os novos.

“A gente tem milhares de sinais na base. Cada unidade desse sinal passou por um intérprete e um animador 3D fazendo as correções. Tudo entra naquele bolo de informações, é a matéria-prima do nosso tradutor. Isso passa pela inteligência artificial para sair a sequência lógica de tradução”, explica.

Esse é um trabalho que não tem fim: enquanto as pessoas utilizarem a língua, ela será modificada e atualizada. Ao entrarem em nichos com vocabulário muito específico, como o setor jurídico, por exemplo —caso de um site que atendem—, é preciso revisitar essa base para checar se os sinais estão adequados.

O aperfeiçoamento faz o movimento dos tradutores virtuais ficarem mais humanos. Uma comparação é a evolução da voz de assistentes virtuais, que vem ganhando mais entonações com o passar dos anos.

Um dos desafios dos empreendedores foi justamente captar a expressão facial dos intérpretes, que carrega um significado na Libras. O sinal de “casa”, por exemplo, é feito unindo as pontas dos dedos, esticados, como um telhado. Uma casa grande poderia ser expressada por meio desse mesmo sinal, mas erguendo as sobrancelhas.

“Como ser humano nós temos todas as possibilidade, mas um robô tem suas limitações”, afirma Tenório. Hoje, porém, a inteligência artificial já capta todos os pontos do rosto para identificar o movimento.

Regionalismos também existem, como todas as línguas. “Pai”, na maior parte do Brasil, é expressado por dois sinais: passando os dedos na lateral do queixo, como uma barba, e, em seguida, beijando o dorso da mão, como a bênção que se pedia aos pais. Em partes do sul do Brasil, porém, o primeiro sinal é feito pelo dedo indicador no buço, simulando um bigode.

A opção é tentar “encontrar uma forma mais unificada de se comunicar, sem esquecer que existem as variações”, diz Tenório.

Atualmente, a empresa atingiu um ponto de equilíbrio financeiro e busca expandir. O aplicativo já oferece traduções para a ASL (American Sign Language, ou Língua de Sinais Americana) e recentemente lançou o Community Hand Talk, uma plataforma colaborativa de coleta de dados em que falantes de línguas de sinais do mundo inteiro podem enviar vídeos e confirmar traduções.

Eles pretendem usar esses dados para aperfeiçoar as línguas em que já operam e para lançar outras línguas. “No mundo, são mais de 200 línguas de sinais. As pessoas que queiram levar a Hand Talk para seus países conseguem contribuir”, afirma.

Nesse caminho, Tenório aprendeu Libras para se comunicar com funcionários e amigos. “Eu aprendi que o mundo era muito maior do que a bolha onde eu vivia”, afirma. “Percebi que os surdos vivem como estrangeiros em seu próprio país, onde quase ninguém consegue se comunicar com eles, onde seus pais, seus colegas de trabalho, não tem diálogo com eles.”

Eventualmente, ele ainda esquece um sinal. “É um desafio. Mas quando eu não sei, consulto o aplicativo”, afirma.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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