França convoca embaixadores nos EUA e na Austrália em reação a crise dos submarinos – 17/09/2021 – Mundo

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Em mais um desdobramento da crise aberta após os EUA e o Reino Unido anunciarem uma parceria para fornecer submarinos com propulsores nucleares à Austrália, substituindo a França no negócio, o governo francês decidiu nesta sexta (17) chamar os embaixadores em Washington e em Camberra para consultas.

No jargão diplomático, o movimento significa forte insatisfação com o país que abriga os diplomatas.

De acordo com o chanceler da França, Jean-Yves Le Drian, em um comunicado, a decisão tomada pelo presidente Emmanuel Macron, que ele classificou de “rara”, espelha a gravidade da situação.

Um dia antes, na quinta, o ministro das Relações Exteriores, em entrevista à rádio France Info, já havia chamado o movimento americano e britânico de “punhalada nas costas”. Sobrou também para Joe Biden, que foi comparado a seu antecessor, Donald Trump. “O que me preocupa é o comportamento americano. Essa decisão unilateral, brutal, imprevisível se parece muito com o que fazia Trump.”

À agência de notícias Reuters um diplomata francês, sob condição de anonimato, afirmou que os britânicos agiram de maneira oportunista na negociação e que não é preciso convocar o embaixador do país em Londres para saber o que pensar e que conclusões tirar do que aconteceu.

A França não mencionou o Reino Unido em nenhuma comunicação oficial sobre a situação, concentrando toda a sua ira sobre a Austrália e, particularmente, sobre os Estados Unidos.

Na divulgação realizada na quarta, Biden havia mencionado a França como “parceiro e aliado chave” na região, mas Le Drian diz que o anúncio é uma traição, após meses de conversa sobre atuação conjunta. Autoridades relataram a agências internacionais terem descoberto o novo acordo pela imprensa.

Furiosos, os franceses cancelaram um evento de gala que comemoraria nesta sexta a ajuda da marinha do país na batalha de 1781 pela independência americana. O principal oficial naval da França, que havia viajado a Washington para a festividade, antecipou sua volta a Paris.

A nova parceria com os EUA e o Reino Unido significa o cancelamento de um contrato assinado pela Austrália com a França em 2016, que chegaria a US$ 90 bilhões (R$ 475 bilhões, pelo câmbio atual), segundo a mídia do país. Mas é principalmente um golpe para as ambições francesas de fortalecer sua presença na região do Indo-Pacífico, palco de disputas territoriais —entre outras— envolvendo a China.

O país asiático, aliás, que já havia criticado a parceria —em comunicado da embaixada em Washington que citou a “mentalidade de Guerra Fria” dela—, voltou à carga. Nesta quinta, um porta-voz da chancelaria afirmou que o anúncio põe em risco a paz e a estabilidade na região, intensificando uma corrida armamentista. “Mecanismos de cooperação regional não deveriam mirar uma terceira parte”, disse.

A Marinha da França é a única, entre as dos países da União Europeia (UE), com presença relevante na região do Indo-Pacífico, onde ficam seus territórios ultramarinos da Nova Caledônia e da Polinésia Francesa, com 2 milhões de cidadãos franceses.

O episódio agrava tensões na relação entre europeus e americanos, tendência que já vinha desde a administração Trump e que, sob Biden, ganhou camadas em meio à desastrada operação para a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão, completada no mês passado.

À decisão unilateral do americano de cumprir o compromisso firmado pelo antecessor de deixar o país da Ásia Central, sobrevieram a grita de políticos britânicos por causa das cenas de caos em Cabul e a batida de pé de Biden em relação ao prazo para a retirada —com líderes do G7, que pleiteavam estender a data final, se vendo forçados a aquiescer em uma reunião.

Depois das declarações europeias nesta quinta, autoridades americanas e australianas tentaram colocar panos quentes na situação. Em Washington, o secretário de Estado Anthony Blinken, responsável pela diplomacia dos EUA, chamou a França de um aliado vital, não só no Indo-Pacífico.

Na semana que vem, os Estados Unidos vão presidir pela primeira vez um encontro presencial de chefes de Estado do Quad, grupo que também inclui Japão, Índia e Austrália e procura cercar estrategicamente a China e suas saídas para o mar.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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