Flamengo desceu do pedestal e jogou com o coração na ponta da chuteira – 31/10/2021 – Juca Kfouri


Depois das acachapantes derrotas do Flamengo e do Bayern Munique na semana passada, e que lhes valeu humilhantes eliminações das copas nacionais, ambos se recuperaram ao jogarem em seus respectivos campeonatos.

Para surpresa de ninguém os bávaros enfiaram 5 a 2, fora de casa, no Union Berlin, e mantiveram a liderança no torneio por pontos corridos.

Da vitória rubro-negra não se pode dizer o mesmo.

Primeiramente porque o triunfo era menos esperado que o empate, bom resultado para o Atlético Mineiro no Maracanã, e até mesmo a derrota era mais previsível diante do líder completo e com o moral nas alturas.

Sem Rodrigo Caio, vetado no vestiário, David Luíz, Filipe Luís, De Arrascaeta, com o reserva Pedro também fora de combate, todos entregues ao problemático departamento médico da Gávea, o vencer, vencer ou vencer se transformou em defender, defender ou defender. Deu certo.

Diferentemente do Bayern, o Flamengo não goleou e nem mesmo agradou, mas fez o que poderia fazer ao descer do pedestal e jogar com o reconhecimento da superioridade do adversário.

Os deuses dos estádios em sua infinita sabedoria quiseram que dois suplentes, o contestado zagueiro Léo Ribeiro e o endiabrado Michael, fossem os nomes do jogo, o primeiro ao botar Hulk no bolso e o segundo ao fazer o gol solitário do clássico que valeu mais que a goleada do Bayern, porque não apenas contra rival muito mais qualificado, como, e principalmente, porque o 1 a 0 manteve o Campeonato Brasileiro vivo e o sonho do tri consecutivo ainda vivo para os cariocas.

A Nação, desconfiada, embora com 36 mil ingressos à disposição, não compareceu na quantidade esperada.

Dos 25 mil presentes a maioria estava disposta a empurrar o time como de fato fez durante todo o tempo de jogo, mais brigado que jogado.

Impossível dizer o que aconteceria caso o resultado decepcionasse, mas o que se viu foi o time com o coração na ponta de chuteira e seu técnico de topete curto porque Renato Gaúcho sabia que estava muito perto de ver o portão principal do estádio ser, literalmente, o da rua.

Como a vida é dura, e o calendário do futebol brasileiro um inferno, nesta terça-feira (2), tem mais, por ironia e, quem sabe, redenção, na Arena da Baixada, contra o algoz Athletico Paranaense, o Borussia Mönchengladbach do Flamengo.

Se mantiver o topete e o salto baixos, se em vez de chuteiras de travas arrogantes, o Flamengo voltar a jogar de acordo com suas atuais dificuldades, com as chamadas sandálias da humildade, mesmo sem agradar a crítica, apenas em busca de mais três pontos, pode aquecer de vez a disputa pelo título. E deixar o Galo, que cocorocô na manhã de sábado no Rio, com os conhecidos pesadelos que já duram 50 anos, evidentes na decepcionante atuação contra a espiga de milho que tem entalada na garganta desde os primeiros anos de 1980.

Mais que ter calma nesta hora, os mineiros não se livraram do carma rubro-negro.

Lembremos que duas rodadas atrás, contra o xará goiano, de cores também vermelha e preta, o Atlético perdeu invencibilidade de 18 jogos, ao tomar a virada para 2 a 1, em Goiânia.

Se não bastasse, na 33ª rodada, terá, em Curitiba, o Furacão rubro-negro pela frente.

E o Palmeiras?

O Palmeiras ganha corpo, quatro vitórias seguidas, e mostra que Raphael Veiga e Scarpa podem jogar juntos.


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