Fila de espera por tratamento chega a 600 pessoas em Porto Alegre, diz Movimento Orgulho Autista Brasil | Rio Grande do Sul

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No dia mundial de conscientização do autismo, o Movimento Orgulho Autista Brasil no Rio Grande do Sul (MOAB-RS) divulgou que a fila de espera por tratamento especializado na rede pública de saúde só em Porto Alegre chega a 600 pacientes.

A Secretaria da Saúde de Porto Alegre admite não ter equipes suficientes para atender toda a demanda (saiba mais abaixo).

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge diversas áreas do cérebro, prejudicando o desenvolvimento da linguagem e do comportamento social. O autismo tem três níveis: leve, moderado e severo. Quanto maior o nível, mais apoio é preciso. E quanto antes o tratamento começar, melhor.

“Existe essa falta de neuro e de psiquiatra infantil que é essencial porque o diagnóstico é feito com eles. O laudo tem que vir desses profissionais. Então, a gente tá falando de crianças que poderiam ter uma vida praticamente normal e não terão. É muito sério a gente não ter a detecção precoce porque isso vai determinar o futuro dessas crianças”, afirma Luciana Mendina, coordenadora da MOAB-RS.

Anthony tem 11 anos, é filho de Shana Nogueira e é autista. Por conta disso, precisa de reabilitação intelectual. Há mais de dois anos ele aguarda na fila por tratamento especializado na Capital.

“Ele está hoje há 771 dias na lista de espera para ter esse acompanhamento. Com a pandemia, a ansiedade dele aumentou em um grau absurdo. Muitas pessoas faleceram, pessoas próximas, meus pais, e isso fez com que ele tivesse ansiedade até mesmo na fala”, diz Shana.

Devido à demora para conseguir atendimento junto à rede pública, Shana paga consultas particulares com uma fonoaudióloga, além de visitar um neurologista a cada quatro meses.

“É o acompanhamento que ele tem. Ele não tem a terapia ocupacional e tudo isso deixaria ele mais confortável, mais independente, até mesmo pra eu aprender mais. Muita coisa que eu faço com ele é de grupos de WhatsApp, em Facebook de pais e mães que também passam pelo mesmo problema que eu, que também estão na mesma espera que eu”.

Transtorno pode ser controlado se tratado no tempo certo

Especialistas confirmam que, quanto antes for feito o diagnóstico do autismo e iniciado o tratamento adequado, as chances da criança se desenvolver de forma saudável e feliz aumentam muito. Mas, na medida que o tempo passa e nada acontece, a linguagem demora a se desenvolver e as relações humanas ficam difíceis. Começa um isolamento e o caminho para recuperar esse prejuízo se torna longo.

“[Se o tratamento não começar logo], o risco é de uma criança nível dois ou nível três perder a oportunidade de se desenvolver na época que é estabelecida. Imagina uma criança que não fala. Se ela não fala, ela não lê. Se ela não lê, ela não escreve. Se ela não escreve, ela não tem sucesso profissional, não tem uma vida de autossuficiência, não consegue gerir a sua própria vida”, afirma Rudimar Riesgo, chefe do serviço de neuropediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Para Riesgo, o tratamento tardio é difícil de reparar o prejuízo já causado. Ele explica que o ideal é que o diagnóstico seja feito antes do três anos, mas admite que isso não é um “número mágico”. Há casos de crianças que começaram a ser tratadas com 5 anos e houve bons resultados.

Espera também no interior do estado

Iago é autista, tem 17 anos e aguarda há dois anos por tratamento em Cachoeira do Sul — Foto: RBS TV/Reprodução

Em Cachoeira do Sul, na Região Central do estado, a fila de espera por atendimento, segundo a MOAB, é de quatrocentos pacientes.

Um deles é Iago, filho da Mara Regina Peixoto. A espera dela é ainda mais frustrante porque já completou 17 anos e ainda não começou o tratamento.

“Já faz 2 ou 3 anos que eu tô aguardando. Desde o ano retrasado eu marquei consulta para levar ele para Porto Alegre e até agora eu não tive resposta. Aqui em Cachoeira tem neuro, só que é pago e a gente não tem condições de pagar. Eu já estou preocupada porque o Iago está se parando adolescente. E eu, como mãe dele, estou vendo que a situação está ficando pior. No colégio, ele não está conseguindo acompanhar os outros colegas”, desabafa Mara.

Faltam políticas públicas

“Não existem. Não existe uma política pública em que as famílias de baixa renda tenham acesso [ao tratamento do autismo]. Infelizmente, as famílias que têm condição são as que têm mais facilidade de acesso porque são atendimentos caros. Mas já existe um esforço bastante grande para que esse tipo de atendimento – que é crônico, é mensal e que envolve vários profissionais – seja feito para as famílias de baixa renda. Mas ainda é difícil pra todo mundo conseguir atendimento”, afirma o neuropediatra Rudimar Riesgo.

A dificuldade não é só para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS). O Rodrigo, filho da Patrícia Guzinski, conta com plano de saúde, mas sua família precisou buscar a Justiça para garantir o tratamento dele.

“Nem neurologista eu consegui pelo plano até pouco tempo atrás. Até o meio do ano passado, foram uns 2 anos sem contar com nenhum tipo de assistência do plano para atender as especificações que os autistas precisam. Agora, ele consegue falar perfeitamente. Consegue se comunicar com tudo o que ele quer”, diz Patrícia.

Ela relata que, em uma certa idade, o autista, por não conseguir falar, começa ficar nervoso e agitado, pois tem necessidade de se comunicar. No entanto, precisam ser estimulados para conseguir fazer isso de forma funcional. Rodrigo desenvolveu essa habilidade com oito meses de terapia, mesmo que o tratamento não tenha começado quando especialistas consideram ideal.

“Mesmo não sendo na frequência que a gente gostaria, começando agora, já tem uma diferença muito significativa. Muito, muito, muito. Parece outra criança na escola, na vida social mesmo. Consegue fazer trocas, consegue compreender as coisas que estão em volta, o mundo à volta dele”, comemora Patrícia.

O que diz o poder público

A Secretaria da Saúde de Porto Alegre estima que o tempo médio de espera por atendimento especializado para o tratamento de autista é de 120 a 160 dias.

Há expectativa de inaugurar, em julho deste ano, um centro de referência em autismo infantil com capacidade para 300 pacientes – metade do número de pessoas que aguardam hoje.

A pasta também disse que vai investigar o caso do Anthony, pois o tempo de espera superior adois anos é considerado atípico.

A Secretaria da Saúde de Cachoeira do Sul, onde vive o Iago, informou que não dispõe de neurologistas porque tem dificuldade para contratar esses profissionais. No entanto, disse que dispõe de serviço de atendimento a pessoas com autismo que é feito por psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas.

Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar, que regula a atuação dos planos de saúde, informou que o rol de procedimentos vigentes contempla diversos procedimentos relacionados ao autismo que têm cobertura obrigatória de acordo com a indicação médica.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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