Faltou um Xavi no meio-campo do clássico entre Brasil e Argentina – 20/11/2021 – Tostão


Uma das palavras mais ditas no futebol é espaço. Serve para explicar tudo. Quando se ganha, é porque o time aproveitou os espaços, quando se perde, a razão é por ter deixado muitos espaços. “Precisamos compactar e diminuir os espaços”, gostam de dizer os treinadores.

Toda equipe que marca muito atrás e que diminui os espaços na defesa fica pressionada e muito longe do outro gol. Quando o meio-campo avança demais e os zagueiros permanecem colados à grande área, como é o mais frequente no futebol brasileiro, sobram muitos espaços entre os dois setores. Se o time marca em bloco, mais à frente, sobram espaços entre os jogadores e o goleiro. É preciso saber jogar fora do gol.

As pessoas falam muito que, no passado, era muito mais fácil jogar, porque havia muito espaço. Por outro lado, jogador ruim não enganava, não tinha a desculpa de que não teve espaço, como ocorre hoje.

Uma grande evolução no futebol é alternar, durante o mesmo jogo ou em partidas diferentes, vários tipos de marcação, de acordo com o momento, com o adversário e com as características dos jogadores. Brasil e Argentina marcaram em todo o campo, desde a saída de bola do goleiro, com muita eficiência.

A seleção brasileira tem sido muito mais forte no sistema defensivo que no ofensivo. Todos os jogadores pressionam na marcação. Fred e Fabinho anularam Messi. O argentino, assim como Neymar, demonstra uma queda técnica, com menos movimentação em campo.

Espero que seja passageiro. Faltaram às duas seleções o principal, o que encanta, a troca de passes, as triangulações, as chances criadas de gol e o encontro do craque do meio-campo com a bola.

As boas atuações de Paquetá, no Lyon e na seleção brasileira, mesmo sem o brilho dos craques, e a evolução de Vinicius Junior, no Real Madrid e agora na seleção, podem melhorar, junto com Neymar, o talento ofensivo. Paquetá pode ser uma opção em várias posições, de acordo com o momento.

No clássico sul-americano, faltou um Xavi no meio-campo, agora técnico do Barcelona. Xavi dizia, quando jogava, que o futebol é o entendimento entre o tempo e o espaço, o uso do espaço no tempo certo.

No Barcelona, Xavi não gostava de dar o passe para o jogador livre ao lado, pois a jogada não prosseguia, nem para o companheiro marcado, para não ser desarmado. Dava o passe para o jogador próximo ao marcador. Este tentava antecipar, e o companheiro tocava de primeira e, assim, sucessivamente, avançavam com a bola até alguém se infiltrar para recebê-la mais perto do gol.

Para ter tanta precisão e inventividade no meio-campo, é necessário ter um Xavi, um Iniesta, um Gérson, da Copa de 1970, um De Bruyne, um Falcão e outros. Eles comandam e reinventam o jogo.

Sabiás da crônica

Em minha juventude, lia muito as crônicas extremamente líricas, marcas da época, que falavam da vida, do cotidiano, com nenhuma pretensão de ditar regras e comportamentos.

Estou relendo alguns textos de seis craques cronistas da época (Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Vinícius de Moraes, Stanislaw Ponte Preta, Rubem Braga e José Carlos Oliveira), uma antologia organizada pelo escritor Augusto Massi. São mais ou menos do mesmo período Pelé, Garrincha, Chico Buarque, Milton Nascimento, os Beatles, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Louis Armstrong e tantos outros gênios.

O mundo e o futebol mudaram. Não eram melhores nem piores. Eram diferentes.


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