Facebook relata que grupos monopolizaram posts políticos


Um pacote de documentos internos do Facebook revelam que, durante as eleições brasileiras de 2018, um grupo de perfis e páginas monopolizou a produção de conteúdo político na plataforma. Segundo os documentos, obtidos pelo Estadão, o Brasil é “a mais recente grande democracia a enfrentar uma assustadora erupção de desinformação e ódio no Facebook”.

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Relatório interno do Facebook diz que Brasil está entre os países com maior grau de atuação dos “superprodutores”, que monopolizam posts de divulgação em massa. Imagem: Gil C – shutterstock

Conhecido como “Facebook papers”, esse pacote de documentos da empresa de Mark Zuckerberg foi vazado para um consórcio internacional de veículos que, além do Estadão, também inclui o New York Times, o Guardian e o Le Monde. 

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Esses mesmos arquivos também foram apresentados ao Congresso americano por Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook que revelou pesquisas internas da empresa ao pedir demissão.

“Lições aprendidas no Brasil”

Um dos documentos relata que pesquisadores da empresa discutem problemas relacionados a eleições em diversos países. Nesse arquivo, existe um tópico chamado “lições aprendidas no Brasil”. 

Segundo o trecho, em 7 de outubro de 2018, dia do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, 18,4 milhões de posts políticos foram criados por 6,7 milhões de perfis ou páginas no Facebook. No entanto, 35% desse material foi publicado por apenas 3% das contas, o que significa que 6,4 milhões de postagens de conteúdo político foram geradas por apenas 201 mil contas.

O relatório revela que 74 milhões de pessoas foram expostas aos materiais, que tiveram 2,74 bilhões de visualizações. De acordo com os pesquisadores, as contas que monopolizaram a produção de conteúdo receberam 767,2 milhões, o que corresponde a 28% – a concentração pode ter sido até maior.

“Minha análise não leva em conta a propagação, uma prática em que vários usuários coordenados postam ou compartilham de novo o mesmo conteúdo (mas criando postagens diferentes)”, afirma um dos pesquisadores em um trecho do relatório. “Uma análise que olhasse os padrões de difusão de conteúdo provavelmente revelaria mais concentração”.

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Conforme ressalta a reportagem do Estadão, a concentração de produção de conteúdo não é um fenômeno exclusivo do Facebook. A prática se dá em várias outras redes sociais, como o Twitter, por exemplo. 

No entanto, o problema é mais grave quando existe monopólio de conteúdo político, dizem os documentos vazados. “Se você ganhar (na produção) de conteúdo não político, você ganha um pouco mais de dinheiro. Se você vencer (na produção) de conteúdo político, você controla a entidade que detém o monopólio da violência (Ex: Estado)”.

Segundo o documento, os chamados “superprodutores” podem ter diversas motivações: eles podem ser pessoas extremamente comprometidas com sua ideologia, pessoas pagas – geralmente, por agentes políticos – para replicar exaustivamente a mensagem (spammers), agentes de influência estrangeira ou “um pouco de tudo”. 

Facebook tomou medidas internas em relação ao acontecido nas eleições brasileiras de 2018

No documento, a empresa destaca a força do mecanismo no Brasil – que está entre os países com maior grau de atuação dos “superprodutores” – e em países latino-americanos e africanos. “Democracias europeias estabelecidas, bem como Austrália, Canadá e África do Sul, aparecem relativamente saudáveis de acordo com esta métrica (do mapa)”, diz o arquivo.

Em relação às providências tomadas, a empresa revelou à reportagem: “Ao longo dos anos, tomamos medidas para reduzir conteúdo potencialmente nocivo. É por isso que paramos de recomendar grupos cívicos e políticos”. Especificamente sobre as eleições brasileiras de 2018, o Facebook (agora Meta) afirma que realizou um “extenso trabalho” para melhorar a plataforma. 

Entre as medidas, estariam a prevenção de circulação de desinformação, mudanças na política de anúncios, aumento da transparência de páginas e trabalho proativo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com os Tribunais Regionais Eleitorais.

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Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original



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