Ex-presidente da GM quer salvar indústrias no Brasil após conhecer dificuldades do setor – 07/10/2021 – Mercado

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Carlos Zarlenga está de volta à indústria, 40 dias após surpreender o mercado ao deixar a presidência da General Motors na América do Sul. Ou melhor, está de volta às indústrias, no plural.

O executivo trocou um dos cargos mais ambicionados no mundo corporativo pelo desejo de permanecer no Brasil –seu próximo passo na montadora certamente seria em outro país– e também pela vontade de ser sócio de um negócio focado em sustentabilidade.

Ele agora é cofundador da Qell Latam Partners, uma plataforma de investimento voltada a setores industriais, com destaque para o automotivo.

Um dos objetivos é promover aquisições e recuperar empresas com problemas de rentabilidade, algo que Zarlenga conhece bem.

“Falo das dificuldades da indústria nacional há bastante tempo”, afirma o novo empreendedor, que expôs os entraves ao longo de sua gestão à frente da GM. “Os investimentos feitos nas últimas décadas em diferentes empresas não geraram o retorno esperado.”

O momento mais agudo em seus cinco anos à frente da montadora ocorreu em janeiro de 2019, quando Zarlenga assinou um memorando enviado a funcionários expondo a situação complicada da empresa no Brasil.

Na época, após três anos de fortes perdas, a presidente global da GM, Mary Barra, mencionou a possibilidade de a montadora sair do Brasil.

Os anos passaram, a empresa ficou, mas o acúmulo de crises gerou outras perdas no setor. Entre 2020 e 2021, a Ford fechou suas fábricas no país e a Mercedes encerrou a produção de carros de passeio em Iracemápolis (interior de São Paulo).

A visão do negócio de Zarlenga é evitar que soluções traumáticas como essas ocorram na América Latina, em especial no Brasil.

“Se olharmos as projeções até 2030, vemos que apontam para um crescimento de 5% ao ano no país. Mas o que tem acontecido? O que pega mais, na verdade, é a volatilidade, tanto do câmbio como do volume”, afirma o executivo.

Para Zarlenga, o fato de 80% das indústrias serem multinacionais cria desafios diante das necessidades do Brasil, que necessita de decisões e investimentos diferentes dos tomados a nível global.

“Nos EUA, na China e na Europa, a eletrificação vai estar em 60% dos veículos vendidos em 2030. Para nossa região, o consenso é que será entre 15% e 20%, a taxa de adoção vai ser bem mais lenta.”

Esse gap entre o que acontece nos mercados mais robustos e a realidade dos trópicos é visto como uma janela de negócio pela Qell. “Neste momento, o que surge é uma grande oportunidade para empresas que têm dúvidas sobre continuar no Brasil”, diz Zarlenga.

“A primeira coisa é focar em desenvolver produtos que sejam viáveis na América do Sul, não só trazer produtos de fora e tentar adaptar. É necessário aproveitar a ociosidade, gerar mais trabalho, isso é o que tentaremos fazer para entrar em um ciclo virtuoso.”

Como a estratégia é pautada em sustentabilidade, a análise do que é viável passa pelo maior uso do etanol como combustível.

O etanol tem grande potencial, não tenho dívida, ainda mais no Brasil. Tudo o que precisamos já existe, e podemos fazer mais. Se olharmos para a performance do Brasil em emissões, o país está em um patamar muito bom”, afirma Zarlenga.

A Qell tem sede em São Francisco, Califórnia. Seus fundadores são Barry Engle e Sam Gabbita, que, além de captar US$ 830 milhões nos últimos meses, promoveram uma operação de fusão de US$ 3 bilhões com a aeroespacial Lilium Air Mobility. Em agosto, essa empresa anunciou uma aliança de US$ 1 bilhão com a companhia aérea brasileira Azul para a utilização de EVTOLs (aeronaves de aterrissagem e decolagem verticais).

Ou seja, há cifras bilionárias na mesa, e esse dinheiro será utilizado em aquisições focadas no setor automotivo. E não é apenas o nome de Carlos Zarlenga que já é conhecido no setor. Engle, que é também o presidente do conselho de administração da divisão latino-americana da Qell, atua há 30 anos nessa indústria.

Ele esteve à frente da GM North America e também cuidou da divisão internacional da montadora, acumulando o cargo de presidente da empresa na América do Sul a partir de 2015. Em 2019, essa função foi passada para Zarlenga, que naquele momento presidia a marca no Brasil.

Portanto, basta juntar os pontos para entender o que aconteceu. Engle deixou a GM em 2020 para criar a Qell, já com o pensamento de adquirir e desenvolver empresas relacionadas à indústria automotiva e mantendo o foco na sustentabilidade.

O negócio cresceu de forma vultosa e, para se expandir na América Latina, seria necessário um nome que conhecesse as especificidades desse mercado –e Zarlenga já tinha mostrado suas competências ao longo dos anos de trabalho conjunto na montadora americana.

Em nota, Engle diz que a atual fraqueza macroeconômica na América Latina, exacerbada pela pandemia global, levou à redução dos investimentos, menos empregos e menos conteúdo local.

“Contudo estamos otimistas quanto às perspectivas econômicas futuras da região, vemos isto como um ponto de entrada interessante para os investidores e acreditamos que existe uma oportunidade de reformular e reforçar o setor automotivo local”, diz o texto assinado pelo executivo americano.

Zarlenga acreditou no projeto e também deixou a montadora para trás, mas sem rancores. “A GM é uma empresa muito boa, só tenho coisas boas para falar, deixei muitos amigos por lá.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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