EUA: Doações aumentam para grupos de direito ao aborto – 04/05/2022 – Mundo

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Após o vazamento do rascunho de um documento que indica uma mudança no entendimento da Suprema Corte dos EUA sobre o aborto no país, grupos que defendem o direito à interrupção da gravidez viram um aumento nas doações, enquanto se preparam para uma campanha milionária nas eleições de meio de mandato.

O direito ao aborto nos EUA é garantido pelo caso Roe v. Wade, de 1973, mas a minuta assinada pelo juiz conservador Samuel Alito com data de 10 de fevereiro vai contra essa decisão e a de outro julgamento, de 1992 (Planned Parenthood vs. Casey), que a ratificou. O texto já teria o apoio de outros quatro conservadores na corte, Clarence Thomas, Neil Gorsuch, Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett.

Diante disso, doadores se engajaram para auxiliar a continuidade do trabalho de clínicas de aborto e grupos que auxiliam mulheres a pagar pelo procedimento, além de organizações que lutam pela preservação do direito de interromper a gravidez. Os beneficiários incluem tanto entidades nacionais, que possuem um robusto orçamento, bem como clínicas independentes e grupos regionais que muitas vezes são negligenciados.

A Abortion Care Network, por exemplo, viu sua maior onda de doações para um período de cerca de 36 horas. Entre a noite de segunda e o meio-dia desta quarta (4), mais de 4.000 doadores repassaram aproximadamente US$ 100 mil (R$ 492 mil) para associação nacional que reúne 150 clínicas independentes.

A verba irá diretamente para os estabelecimentos, para ajudá-los a permanecerem abertos mesmo que leis estaduais proíbam o seu funcionamento, segundo o diretor-executivo, Nikki Madsen. “Vamos continuar a lutar nos estados para trazer de volta o acesso ao aborto. Precisamos manter as clínicas abertas nesse meio-tempo.”

Nos EUA, mesmo que a Suprema Corte mude o entendimento sobre a interrupção da gravidez, cada estado pode decidir sobre a legalidade e definir regras específicas. Enquanto a prática segue autorizada em todo o território nacional, por exemplo, Legislativos locais têm endurecido as normas.

É o caso de Oklahoma, que proibiu na noite desta terça a interrupção após a sexta semana de gravidez. O estado é sede do Roe Fund, que repassa verbas para as clínicas realizarem o procedimento e recebeu mais de US$ 50 mil (R$ 246 mil) de 8.000 doadores nesta terça, segundo a tesoureira Janice Massey. “É certamente a maior onda [de doações] que eu já vi em 13 anos neste trabalho”, afirmou.

Outro fundo, o Kentucky Health Justice Network, teve um fluxo similar. Desde segunda à noite, mais de mil doadores repassaram cerca de US$ 50 (R$ 246) cada, segundo o diretor de Operações, Ashley Jacobs. Já na capital, o DC Abortion Fund, recebeu mais de US$ 105 mil (R$ 516,6 mil) entre segunda à noite e quarta de manhã, informou seu porta-voz.

A Naral Pro-Choice America, por sua vez, viu apenas um ligeiro aumento de 1,403% nas 24 horas após o vazamento, mas metade dos doadores eram novos, de acordo com sua porta-voz. A organização sem fins lucrativos recebeu US$ 12,9 milhões (R$ 63,5 milhões) em doações no ano fiscal de 2021.

O aumento nas doações vêm em um momento importante, não apenas pela perspectiva da mudança de entendimento da Suprema Corte, mas também pela previsão de três grupos que defendem o direito ao aborto de gastarem US$ 150 milhões (R$ 738 milhões) nas eleições de meio de mandato em novembro.

Junto a Naral Pro-Choice America, o Planned Parenthood Action Fund e a Emily’s list explicaram que o investimento conjunto tem como objetivo “responder agressivamente a ataques sem precedentes contra direitos sexuais, reprodutivos e ao aborto por todo o país e conscientizar os eleitores sobre os legisladores que são os culpados.”

O anúncio foi feito antes mesmo do vazamento, tendo em vista tanto a discussão que já estava prevista para ocorrer na Suprema Corte como as leis estaduais que têm restringido o procedimento. Os três grupos explicaram que a verba será direcionada principalmente para estados-pêndulo —que oscilam entre republicanos e democratas a cada eleição— e aqueles que podem integrar os esforços para manter o acesso ao aborto em todo o país, incluindo Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Califórnia.

“Chegamos a um momento de crise para o acesso ao aborto porque os políticos conservadores se engajaram em um esforço coordenado para controlar nossos corpos e nosso futuro”, disse Alexis McGill Johnson, presidente da Planned Parenthood, em comunicado.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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