EUA dizem pela 1ª vez que China testou armas hipersônicas e citam ‘momento Sputnik’ – 28/10/2021 – Mundo


Os Estados Unidos confirmaram de forma oficial pela primeira vez nesta quarta-feira (27) que a China fez testes com armas hipersônicas recentemente. O movimento foi tido como um avanço importante da capacidade militar dos asiáticos, sobretudo para escapar de sistemas de defesa americanos.

Os testes, feitos em julho e agosto, foram relatados primeiro pelo jornal britânico Financial Times, mas são negados pelos chineses, que sustentam que lançaram um veículo espacial, não um míssil.

O Pentágono também vinha se esforçando para evitar uma confirmação clara do teste. Nesta quarta, porém, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior dos EUA, falou sobre o episódio em entrevista ao canal de notícias Bloomberg.

A maior autoridade militar americana afirmou que o teste coloca a China “muito próxima” de um “momento Sputnik”. Milley fez referência ao lançamento pela Rússia, em 1957, do primeiro satélite artificial, que colocou Moscou à frente da corrida espacial na Guerra Fria.

“O que vimos foi um evento muito significativo de um teste de um sistema de armas hipersônicas. E é muito preocupante”, disse.

Especialistas em armas nucleares afirmam que o míssil parece ter sido projetado para escapar das defesas dos EUA de duas maneiras. Primeiro, os mísseis hipersônicos se movem a velocidades de mais de cinco vezes a velocidade do som, ou cerca de 6.200 km/h, tornando-os mais difíceis de detectar e interceptar. Além disso, são manobráveis.

Pessoas inteiradas do assunto disseram à agência de notícias Reuters que os EUA acreditam ainda que o teste da China envolveu uma arma que primeiro orbitou a Terra, o que na Guerra Fria era conhecido como “bombardeio orbital fracionado”, segundo especialistas militares.

“É uma forma de evitar defesas e sistemas de alerta de mísseis”, disse no mês passado o secretário da Força Aérea, Frank Kendall, a jornalistas ao explicar que nesse sistema a arma entra em órbita antes de cair sobre um alvo. No modelo tradicional conhecido como ICBM, o míssil vai diretamente do ponto de lançamento ao de impacto, segundo ele.

O bombardeio orbital fracionado funcionaria para que a China evitasse as defesas antimísseis que os EUA têm no Alasca, projetadas para combater um número limitado de armas de um país como a Coreia do Norte.

“A maneira mais simples de pensar sobre o sistema de bombardeio orbital chinês é imaginar um ônibus espacial, colocar uma arma nuclear no compartimento de carga e esquecer o trem de pouso”, disse Jeffrey Lewis, do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury. Segundo ele, a diferença é que o sistema chinês de reentrada na órbita é um planador.

Ao Financial Times, três pessoas informadas sobre o primeiro teste em julho disseram que ele surpreendeu o Pentágono e a inteligência americana porque a China conseguiu demonstrar uma nova capacidade de armamentos.

Uma das fontes disse que cientistas do governo estão se esforçando para compreender essa capacidade, que os EUA não possuem atualmente, e acrescentaram que a conquista chinesa parece “desafiar as leis da física”.

O sistema antimíssil dos Estados Unidos não é capaz de combater um ataque em grande escala da China ou da Rússia, e a busca aberta dos EUA por defesas mais avançadas levou Moscou e Pequim a procurar armamentos mais eficazes, dizem os especialistas, incluindo as armas hipersônicas e, aparentemente, o bombardeio orbital fracionário.

Ao jornal americano The New York Times, o embaixador Robert Wood, que representa os EUA nas seções de controle de armas na ONU, em Genebra, afirmou que há dúvidas generalizadas sobre como se defender desse tipo de armamento. “Nós simplesmente não sabemos como podemos nos defender contra essa tecnologia, nem a China nem a Rússia sabem”, disse ele, que expressou preocupação com uma nova corrida armamentista.

Essa corrida, que também envolve países como a Coreia do Norte, tem levado ao desejo de autoridades de defesa americanas a pressionar por mais recursos para o programa de armas hipersônicas do país —que já estava atrás da Rússia e, agora, aparentemente, dos chineses também.

Na semana passada, o presidente Joe Biden manifestou preocupação sobre armas hipersônicas, quando perguntado por jornalistas se estava preocupado com o desenvolvimento de armas manobráveis de alta velocidade. Laconicamente, respondeu: “Sim”.

O programa dos EUA realizou, também na semana passada, três testes com protótipos de componentes de armas hipersônicas, considerados bem-sucedidos. Mas um outro experimento com um foguete, para verificar os aspectos de veículos planadores hipersônicos, teve um revés, com uma falha no veículo que não foi especificada.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original



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