‘Disney do surfe’, piscina de ondas artificiais em SP atrai campeões e artistas – 26/09/2021 – Esporte


Imagine sair da cidade de São Paulo e chegar numa praia com altas ondas em cerca de uma hora.

Não, não foi descoberto um atalho para Maresias, terra de Gabriel Medina. É o tempo de viagem até a Praia da Grama, uma piscina de ondas artificiais em Itupeva, no interior paulista, a 73 km da capital.

O oásis fica dentro do condomínio de alto padrão Fazenda da Grama, perto de Jundiaí, uma das regiões mais ricas do Brasil. Por lá já passaram (e postaram fotos) atores globais, socialites e, claro, surfistas brasileiros: do tricampeão mundial que abre este texto a Caio Ibelli, que está na divisão de acesso à elite do surfe.

Italo Ferreira, medalhista de ouro nas Olimpíadas, também esteve lá. “Foi irado demais! Difícil comparar a piscina com o mar, são estilos diferentes. O mar é imprevisível, você precisa improvisar, já na piscina é legal que dá para treinar as manobras”, conta à Folha.

“É a Disneylândia do surfe”, define um morador/surfista, que nem teve tempo de se identificar. Quando questionado pela reportagem, à distância, se aceitaria dar uma entrevista, respondeu que “claro, mas agora não dá, é hora dos tubos!”, animado como uma criança em um parque de diversões sem filas ou multidão.

A Folha visitou a praia que, como o oceano, tem o seu swell (conjunto de ondas lisas e uniformes, com intervalos de tempo regulares), mas não é necessário vasto conhecimento da natureza para ler esse “mar”. Basta consultar o menu de ondas em um aplicativo e reservar seu horário para cair na água.

São mais 30 tipos de ondas (com força, altura ou velocidade diferentes), divididas por horário, para agradar do iniciante ao profissional. A tecnologia é da Wavegarden e produz uma ondulação a cada 8 segundos.

Netuno, como é conhecido o operador da máquina, une seu conhecimento como surfista ao de piloto de avião para ser quase que um DJ da praia artificial.

DJ talvez também não seja o termo certo. Não pela falta de música —caixas de som nas bordas da piscina criam a trilha sonora. Mas porque a playlist (normalmente rock: Iron Maiden, Rage Against the Machine, The Doors, Nirvana, AC/DC) é responsabilidade dos instrutores.

Os instrutores, aliás, dão aulas de surfe para todos os níveis, em grupo ou individual, com ou sem análise de vídeo. Com alguma sorte é possível realizar um personal coach com Adriano de Souza, o Mineirinho, que aparece por lá alguns dias por mês.

“Costumo dizer que a gente vende sonhos”, diz Oscar Segall, idealizador da Praia da Grama e um dos quatro sócios da KSM, responsável pelo empreendimento.

Surfista quando jovem, ele conta que a logística de viajar até o litoral, com trânsito, para passar poucas horas no mar e pegar poucas ondas, foi se tornando cada vez mais incompatível com a carreira no setor imobiliário.

Por que, então, não ir contra o fluxo, para o interior? Levou a ideia aos outros três sócios: seu filho, Caio, e os irmãos João e Raul Amorim, que no início acharam a invenção um pouco maluca.

O grupo comprou o Fazenda da Grama, condomínio que àquela altura já tinha um dos principais campos de golfe do Brasil, para colocar o plano em ação.

Com a pandemia, o local chamou a atenção do paulistano de alto poder aquisitivo, que não queria ficar “enjaulado” na capital.

Os corretores ressaltam a exclusividade do local: apenas moradores (e mais os cerca de 2.400 funcionários diários) podem entrar no condomínio e nas suas dependências. Não há hotelaria e os convidados são controlados.

Hoje quase todos os lotes já estão vendidos e os que restam têm em média quatro interessados para cada terreno. O pedaço de terra custa não menos que R$ 3 milhões. As casas, já construídas, variam entre R$ 11 milhões e R$ 28 milhões.

Para o home office no campo, a Praia da Grama foi a cereja do bolo.

“A gente rapidamente mudou nosso olhar para entregar algo além da onda: realmente uma praia. Com todo esse seu apelo democrático de gênero e idade”, diz João, que formalmente é o presidente do Praia da Grama.

A praia conta com loja de surfe, spa, restaurante duas estrelas Michelin, bar, piscina climatizada, sala de musculação e beach tennis.

A orla de quase 1 km usa uma areia que não retém calor —o ditado por lá é que é tão quente que há um sol para cada morador.

Nas bordas da piscina, pequenas barragens criam uma área para a família curtir a água, mas não as ondas —com piso emborrachado para as crianças não escorregarem.

Também há uma hípica, pista de skate, quadra de tênis, campo de futebol e lago, com wakeboard puxado por um cabo, stand up, kitesurfe, caiaque ou pesca. Não são permitidos esportes a motor.

Há 2 km de trilhas dentro da agrofloresta: mais de 120 espécies, com frutas e verduras, que ficam à disposição para qualquer morador colher sua própria comida, orgânica e natural.

“A gente buscou o lifestyle da sustentabilidade, o contato com a natureza, para tirar a criançada do videogame e incentivar a prática de atividades ao ar livre”, explica Caio.

Houve resistência inicial do mercado por preconceito contra o surfe. Mas o Brasil se tornou a principal potência mundial na modalidade e as Olimpíadas elevaram o esporte a outro patamar de popularidade.

Ainda assim, menos da metade do público do condomínio é surfista. Porém, nada impede que se tornem um dia.

“É muito menos inseguro que a praia e consegue replicar um pouco da percepção do mar. Não substitui a natureza, mas atende ao objetivo”, diz Oscar.

“No momento que o cara aprende a surfar, também muda o mindset. Se ele ia viajar para esquiar na neve, agora vai para [Ilhas] Maldivas”, completa.

O empreendimento também abriu uma nova frente de negócios. Conseguiram o direito de representar a Wavegarden, criadora da tecnologia de ondas.

“Viramos uma referência mundial, a gente tem sido abordado por americanos, portugueses, uruguaios, egípcios”, diz Raul, que assim como o irmão, nunca tinha surfado, mas hoje já está no nível intermediário.

Eles contam, ainda, que a piscina deu a oportunidade do pai deles, aos 73 anos, aprender a pegar onda —com uma bodyboard. Não é um caso único.

“O habitat é muito amigável. A gente aqui coleciona sorrisos. A nossa grande remuneração é a quantidade de sorrisos”, encerra João.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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