Desmatamento da Amazônia afasta as borboletas coloridas da floresta, aponta pesquisa do RS | Rio Grande do Sul


O impacto do desmatamento nas florestas brasileiras pode ser percebido nas asas das borboletas. Uma pesquisa na Floresta Amazônica demonstrou que nas áreas que foram recentemente desmatadas, os animais são menos coloridos.

A tendência observada é de que as borboletas tenham coloração cinza ou parda nas áreas desmatadas, enquanto que na floresta preservada, os tons são mais coloridos, vivos e brilhantes.

Foram analisadas as cores de 60 espécies de borboletas encontradas ao longo da área do Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, formada por fragmentos das florestas originais, entre áreas desmatadas e preservadas.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e publicado na revista científica Bioversity and Conservation no ano passado.

A pesquisa é resultado do doutorado do biólogo Ricardo Spaniol, pela UFRGS. As primeiras expedições aconteceram em 2015 e as cores das borboletas ainda não eram o foco do grupo de estudo. Mas logo a característica chamou a atenção.

“Quando a gente começou a analisar os primeiros resultados, viu que a coloração era um atributo que estava correspondendo muito ao desmatamento da Amazônia”, relembra Spaniol.

As cores das borboletas encontradas na amostra da floresta foram analisadas a partir de um padrão de escala da coloração, elaborado pela universidade britânica. Foi quando a relação entre a pigmentação e as áreas desmatadas apareceu, conta o pesquisador.

“O ambiente proporciona diferentes oportunidades para a borboleta se relacionar com ele, por exemplo uma estratégia de comunicação e de defesa, assimilando o ambiente que ele ocupa”, afirma.

Armadilha para captura de borboletas feita durante a pesquisa de campo — Foto: Camila Goldas

É o caso das espécies aposemáticas, que conseguem alterar a cor para despistar um predador ou se camuflar no meio ambiente. “Removendo toda a vegetação, você empobrece a diversidade do ambiente, e muitas espécies acabam sendo expostas”, diz.

“Cores que funcionavam muito bem na manifestação de sinais visuais deixam de ser efetivas, e a borboleta se torna uma presa muito mais fácil”, afirma.

O desmatamento também afeta a oferta de alimentação das borboletas em sua fase de lagarta. “É a fase de síntese de cores através da alimentação que ela adquire”, explica.

O biólogo Cristiano Agra Iserhard, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi co-orientador do projeto de Ricardo e também é um dos autores da pesquisa. Ele explica que por terem gerações curtas, de aproximadamente um mês, os impactos do ambiente nas borboletas são fáceis de serem observados e acompanhados pelos cientistas, ele explica.

“Quando a floresta é derrubada, principalmente por queimadas pra colocação de pasto pra gado, vão ficar aquelas borboletas que se confundem como o fundo, amarronzadas, que vão conseguir se camuflar. As coloridas não ficam lá”, resume.

O desmatamento traz o risco de extinguir espécies de borboletas que não consigam se adaptar às características desses locais, o que é irreversível, como lembra o especialista.

O achado do estudo alerta para a importância de manter as florestas preservadas, afirma Cristiano. “Deveria haver mais fiscalização, mais políticas públicas para manter ambientes nativos, fiscalização forte e que não seja dado benefícios ao agrobusiness que move o mundo, mas está acabando com a nossa diversidade. Preservar e cuidar bem do nosso planeta para que esse tipo de coisa não aconteça mais”, conclui.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original



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