De Substack a NYT, alertas para o esgarçamento da bandeira democrática – 15/10/2021 – Nelson de Sá


O Substack marcou seus quatro anos de existência nesta sexta (15) com uma conversa entre o cofundador Hamish McKenzie e o “Substacker número 1”. Bill Bishop, que tinha acabado de se mudar para Washington após uma década em Pequim, lançou a versão paga da newsletter Sinocism nesse dia, em 2017, na nova plataforma.

“Simplesmente me pareceu que era um momento em que a internet e os consumidores estavam prontos para esse modelo”, falou ele, no podcast.

Aos poucos, o Substack se firmou como porto seguro para nomes como Andrew Sullivan ou Glenn Greenwald, em fuga dos veículos crescentemente partidarizados, na mídia americana pós-Trump. E Bishop, paralelamente, se diferenciou do noticiário cada vez mais jingoísta nos Estados Unidos, contra a China.

O Sinocism é até mais crítico de Xi Jinping do que seus colegas de Washington, mas evita o lobby que eles reproduzem, dos chamados “think tanks”, e retrata atentamente os sinais que saem da mídia chinesa —estatal, do partido ou privada.

Nesta semana, Bishop foi um pouco além e questionou a própria cobertura americana. “Fico frustrado com os argumentos [em Washington] de que Xi e as palavras sobre superioridade institucional [em Pequim] são de alguma forma ‘defensivos’, em resposta aos EUA”, escreveu ele, na quinta.

“Acredito que ignoram a capacidade da China e, mais importante, deixam de lado a crescente confiança de que o sistema é superior à democracia liberal e de que existe uma oportunidade real de deslegitimá-la globalmente.”

Era um alerta, vindo do jornalista que, segundo a New Yorker, alcançou influência a ponto de pautar a agenda da Casa Branca, sobre a China.

“Cada dia de disfunção e paralisia política nos EUA só fortalece essa confiança”, acrescentou, descrevendo então uma cobertura de 16 minutos no jornal da CCTV (imagem acima) naquela noite: “Você vê críticas claras, se não aberta zombaria, do sistema político americano”.

Foi sobre uma conferência com toda a cúpula chinesa, em que Xi apontou as “vantagens institucionais” do país como essenciais para sua “iniciativa estratégica” no mundo. Sem citar os EUA, fez pouco de seu sistema:

“Se as pessoas são despertadas apenas para votar, mas entram em período de dormência logo depois; se recebem música e dança durante a campanha, mas não têm voz após a eleição, não é uma verdadeira democracia.”

Bishop não está sozinho, no alarme. Antes dele, o New York Times já destacava o risco da Cúpula de Democracias que o presidente americano anunciou para dezembro.

Cure primeiro a si mesmo”, aconselhava um título do jornal no início do ano, sobre o encontro de Joe Biden. Apontava “a sensação de um sistema disfuncional, se não totalmente quebrado”, que não tem “por que dar sermão a outros”.

Duas semanas atrás, o NYT voltou à carga, questionando a continuidade da política externa que veio de Trump, com “autocratas amigos”, enquanto Biden planeja a sua Cúpula de Democracias e tenta resgatar seu papel no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Fechando esta semana, o secretário de Estado americano, equivalente a ministro do exterior, divulgou em mídia social seus encontros com os colegas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, duas autocracias amigas.

No intervalo de algumas horas, entre uma fotografia e outra, o secretário Antony Blinken compartilhou a confirmação do retorno ao Conselho de Direitos Humanos, onde “os Estados Unidos se baterão para fazer avançar uma agenda focada em princípios”.


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